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“O Show de Truman”

Somos realmente o que pensamos ser? Seremos um dia uma possível possibilidade do que consideramos que  somos? Vivemos num aglomerado de verdade e mentiras, prazeres e desprazeres, gostos e desgostos. Não sabemos pra onde vamos, nem por onde começamos. Sempre temos dúvidas, irresponsabilidades, desprezos, carinhos, pudor! Vivemos para nós ou para os outros? Andamos pelas ruas, nos arrumamos, nos deixamos mais belos, com tintas, cosméticos, química, mas por que? Trabalhamos duro por algo, pra que essa coisa que não sabemos bem o que é mas que temos o instinto que é o que deve ser e que devemos lutar para conquistarmos o desafio do desconhecido, que é o algo, esse algo que pensamos gostar de fazer para nos satisfazermos e sermos felizes.

E quando pensamos que vivemos uma vida que na verdade não passa de uma ilusão? É como a pílula azul e vermelha que Neo quando encara Morpheus, ambos sentados em duas poltronas de coro frente a frente, e tem que optar pelo que quer viver, isto é, a realidade ou a ilusão? É o mesmo que acontece com Truman, em O Show de Truman, as marionetes ambulantes que o circundam fazem parte dessa sua vida, desse mundo que o rodeia, porém, neste caso ele não teve a escolha que Neo teve, a ilusão o absorveu como uma esponja. Mesmo que a escolha exista e que seja possível, ela não escapa da dificuldade da decisão! É penoso escolher. Sempre há consequências quando escolhemos, independentemente do quê, e a consciência e a razão fazem parte disso, desse ambiente distorcido do pensar que sabe o que quer sem saber o que vem pela frente; é como um chute no vazio, há força, há resistência e há vácuo, desconhecimento.

A tentação do bem viver está em jogo em todos os cantos. A riqueza material, o capital; o esbanjamento do que se tem e do que se não tem são desmembramentos de caráter sociais, difusos, estranhos, inquietos. O jardim do vizinho acaba sendo sempre mais verde do que o nosso, mas por que? Acostumar-se com o ideal que na verdade é o ideal do outro, e por assim ser, querermos o que ele tem é estranho, não deveria ser deste modo, acontecer desta forma; ou será que deveria? Tudo isso pode ser um impulso para termos aquilo que pensamos que queremos, pode ser um caminho, pode ser o start do desejo, da conquista, do sucesso, da felicidade.

Por isso tudo aqui falado, por essas abobrinhas mirabolantes de palavras molhadas de prazer, ou seja, quando isso acontece, é quando percebo e consigo identificar que um filme é bom! O bom não é pouco e não é vazio, é bom! Basta ser bom!

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