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Ben-Hur, os desafios do remake

Há seis meses de sua estreia, que está prevista para o dia 26 de fevereiro aqui no Brasil, o remake do épico Ben-Hur atiça a curiosidade de todo o público e crítica. A adaptação cinematográfica de 2016 poderá chegar perto ou até repetir o sucesso do clássico de 1959, que ganhou 11 Oscars e consagrou o ator Charlton Heston eternamente na história do cinema?

A nova versão será dirigida pelo cazaque Timur Bekmambetov, e terá um elenco que busca se firmar definitivamente no principal panteão de atores de Hollywood. Escalados como protagonistas, Jack Huston (Ben-Hur), Tobby Kebell (Messalah) terão a companhia do brasileiro Rodrigo Santoro  interpretando o papel de Jesus Cristo. O longa contará ainda com a presença do veterano Morgan Freeman e da atriz iraniana Nazanin Boniadi.

O peso que esse grupo terá que carregar será enorme. Ben-Hur (1959) é considerado por grande parte da crítica como o filme que melhor representa a era de ouro do drama épico judaico-cristão nos Estados Unidos, período que começou na década de quarenta e perdurou até boa parte dos anos sessenta. Nesse período, foram filmados grandes clássicos do gênero: Quo Vadis (1951), O Manto Sagrado (1953), Os Dez Mandamentos (1959) e Spartacus (1960) são alguns dos filmes de uma extensa e premiada lista.

Ben-Hur (1959) é um dos casos raros no cinema comercial que tudo conspirou a favor. A adaptação do roteiro trabalhou mais a relação conflituosa entre Ben-Hur e Messalah, não contando a história da vida de Jesus em paralelo, mas resgatando-a no final, se revelou uma decisão bastante acertada no roteiro. A atuação magistral de Charlton Herston e a linda trilha composta pelo maestro húngaro Miklóz Rózsa encheram de poesia o drama.

A parte visual é um espetáculo a parte. Os efeitos especiais totalmente inovadores para época e a fotografia que até hoje impressiona, mesmo tendo se passado mais de meio século de sua estreia nos cinemas, estão presentes em toda obra, mas exponenciadas numa cena que se imortalizou no imaginário de todo cinéfilo: a corrida de bigas, talvez o maior clímax cinematográfico do cinema americano.

 

Decisões questionáveis

Os protagonistas: Jack Hustlon, Tobby Kebell e Rodrigo Santoro

O projeto de refilmar Ben-Hur nasceu em 2014 quando os estúdios MGM e Paramount anunciaram ao público parceria para recontar a inesquecível história do  comerciante judeu que sofre a traição de um antigo amigo romano e sua busca por vingança. Logo foram conhecidos alguns detalhes: a produção ficara a cargo de Mark Burnett e Roma Downey, ambos com experiência em épico, pois já produziram a premiada minissérie “The Bible”.

O frisson em toda comunidade cinéfila se propagou rapidamente depois que foi anunciado quem teria a responsabilidade de dirigir o remake: o cineasta Timur Bekmambetov que, em seu trabalho mais recente, foi responsável pela direção da controversa adaptação cinematográfica ‘Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros’ (2012). A reação não foi das melhores e boa parte da crítica ainda questiona a capacidade do diretor para uma obra tão aclamada.

O mesmo fenômeno de desconfiança generalizada aconteceu quando foi revelado quais atores participariam do drama. A princípio, estava escalado como protagonista o britânico Tom Hiddleston, mas as negociações emperraram. Para o papel principal a MGM acabou fechando com outro britânico, o ator Jack Huston. Uma decisão bem ousada, pois a escolha mais óbvia e comercial seria o “ex-gladiador” Russel Crowe, um nome com muito mais peso comercial e um dos maiores especialistas em personagens épicos em Hollywood.

Nada óbvia também foi a escalação de Tobby Kebbell para interpretar o antagonista, o aristocrata Messalah. Kebbell tem uma trajetória bastante inconstante em sua filmografia, com trabalhos muitos bons como em Cavalo de Guerra (2011), e outros questionáveis, o recente Quarteto Fantástico (2015), onde Kebbell interpretou o Doutor Destino, talvez seja o maior exemplo da eterna gangorra que vive o britânico.

A atriz iraniana Nazanin Bodiani que dará vida a Ester

Morgan Freeman foi escalado para dar vida ao Sheik Ilderin, o personagem responsável por convidar Ben-Hur para o desafio da corrida de bigas. Chama atenção o veterano ser escalado para esse papel, o que, supostamente, dá uma pista que o roteiro pretende se aprofundar no personagem. É bom ficar de olho também na atuação atriz iraniana Nazanin Boniadi. A bela, mais conhecida por participações em seriados de televisão como CSI e How Met Your Mother, pode surpreender interpretando Ester, a serva apaixonada por Ben-Hur e um dos pilares dramáticos do romance.

 

 

 

 

 

Outros Desafios

Aos poucos, ficamos sabendo de alguns detalhes do novo filme. Já foi revelado que a história de Jesus Cristo terá mais peso no remake, o que causa bastante curiosidade para nós, uma vez que o brasileiro Rodrigo Santoro será o responsável pela interpretação. Um desafio a mais para obra que vai ter que encontrar em seu roteiro o ponto exato para que as histórias se cruzem de uma forma não atropelada. A responsabilidade do roteiro está nas mãos da dupla Keith Clarke (“Caminho da Liberdade”)  e John Ridley (“12 Anos de Escravidão”)

O tempo total de exibição deve ser outra questão emblemática para o novo filme. A produção anterior tem mais de três horas e meia de tempo corrido. Certamente, algo não muito convencional para o cinema comercial atual. Então, como o remake resolverá essa questão sem que se diminua a profundidade dos principais personagens, mas dando mais agilidade ao desenrolar da história? Essa é uma pergunta crucial para o sucesso ou fracasso da produção.

Rodrigo Santoro no set interpretando Jesus Cristo

Outra peça que será muitíssimo exigida em Ben-Hur é a parte visual: fotografia, efeitos especiais, cenários, figurinos. Tudo deve estar impecável, senão choverão críticas pesadas já que as comparações serão inevitáveis. O novo filme, que conta com um orçamento aproximado de 160 milhões de euros, foi filmado em Roma e na pequena cidade de Matera no sul da Itália. Ben-Hur (1959) era vendido nos cinemas sob a alcunha de ser “o espetáculo mais bonito da Terra”, e durante um bom tempo sustentou o status de produção mais cara do cinema, com orçamento de mais de 16 milhões de dólares. Pelo esplendor de produção, algumas cenas entraram no memorial coletivo cinéfilo.

O Trailer oficial deve ser divulgado entre setembro e outubro, mas somente em fevereiro de 2016 teremos as respostas para todas essas perguntas que rondam a nova produção de Ben-Hur. Se for um sucesso, o romance de Lee Wallace indicará uma nova rota para Hollywood. O caminho de investir em remakes de classes épicos. Seus contemporâneos ‘Noé’ e ‘Exôdo: Deuses e Reis’, ambos de 2014, não são filmes ruins, mas estão longe de ser espetaculares. Essa é a perspectiva mais óbvia em se apostar em relação ao novo longa. Porém, Ben-Hur é daquelas histórias atemporais e que nunca podem ser subestimadas.

 

Bônus: Ben-Hur e sétima arte, um casamento de um século

Essa será a quarta vez que Ben-Hur vai ganhar as telas do cinema. O primeiro filme tem mais de cem anos de história, é uma produção muda de 1907, com  uma enxuta duração de exatos 15 minutos.

O segundo é um filme de 1925, produzida pela MGM, com direção do cineasta Fred Niblo. É um filme mudo que arrecadou mais de 10 milhões de Dólares, um valor considerado para época, e que já demonstrava a capacidade comercial da história.

 

 

 

Quarenta e quatro anos depois, em 1959,  a MGM voltou a apostar na história de Ben-Hur, o que lhe rendeu 11 Oscars e 150 milhões de Dólares (mais de um bilhão de doláres se convertermos para valores atuais) somente com arrecadação e consagração como umas maiores obras da história do cinema. A terceira e mais famosa versão venceu em 1960 os oscars das seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante (Hugh Griffith, interpretando um xeque árabe, que se torna amigo de Ben-Hur), Melhor Fotografia em Cores, Melhor Direção de Arte em Cores, Melhor Efeito Sonoro, Melhor Edição, Melhor Trilha Musical, Melhor Figurino e Melhores Efeitos Especiais. Foi indicado também para Melhor Roteiro Adaptado.

 

 

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