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Crítica: Homem-Formiga

Um “filme legal”.

É engraçada a resposta que tenho dado aos que me perguntam o que achei de Homem Formiga. Engraçada porque “É…foi legal.” é uma frase que resume o filme da forma boa e ruim. E esta expressão tem se tornado muito comum com os filmes da Marvel…

“Homem-Formiga” é a nova aposta da Marvel no cinema, que de nova, não tem muito (e não falo apenas de sua narrativa em si), já que este é, provavelmente, o longa da Marvel Studios que esteve há mais tempo em desenvolvimento. Sim, antes mesmo de “Homem de Ferro” e Iniciativa Vingadores, havia Edgar Wright, Kevin Feige e o conceito de um filme sobre o diminuto herói. Sim, mais uma vez começando com uma história antes de um texto sobre opiniões e expectativas… é a autorrepetição, creio. Mas os filmes da Marvel fazem milhões e se baseiam basicamente nisso, então.. 😉

Edgar Wright, diretor que estava envolvido com o filme a anos, saiu do projeto alegando “diferenças” criativas e isto provocou não só em mim, como em milhares de fãs, a sensação de que tudo ia dar bem errado. Era o casamento perfeito. E o diretor se demite um mês antes das filmagens. Meses de incerteza e Peyton Reed (responsável pelo filme “Sim Senhor”) é contratado. Diretor bom com comédias, mas inexperiente para o cinema Blockbuster, era apenas mais um diretor genérico sendo contratado para filmar o roteiro, embolsar um cheque e ir embora. O primeiro teaser não era pavoroso, mas estava longe de empolgar, assim como os outros materiais que haviam saído previamente.

E quase 10 anos após o anúncio deste longa, em meados de 2006, estamos aqui. O filme em cartaz, uma chuva de incertezas sobre o projeto… e o que posso dizer é que: é como uma história quadrinhos mensal: diverte, empolga em alguns momentos, mas não tem a energia e paixão o suficiente para emitir o impacto necessário para sobreviver ao teste do tempo.

O filme conta a história de um empresário com personalidade forte que cria uma roupa especial, e um de seus antigos amigos e sócio numa corporação milionária tenta roubar sua ideia e acaba construindo um traje mais agressivo e forte. Não, não é Homem de Ferro 1, mas é muito parecido. Enfim, acompanhamos Scott Lang (Paul Rudd), habilidoso ladrão que acabou de sair da cadeia e procura recomeçar do zero para poder rever sua filha. Após escolher um “último trabalho” na casa de um milionário aposentado, Lang descobre que este milionário é ninguém menos que Hank Pym (Michael Douglas), criador de um traje que dá a quem o usa o poder de encolher, e tem planos maiores (sem trocadilhos) para Lang…

Nos primeiros 30 minutos, eu estava pronto para dar 2 estrelas pra este longa (se você se importa com nota), devido tamanho equívoco. O filme começa truncado, com piadas e referências forçadas ao universo Marvel e diálogos expositivos que beiram ao ridículo e incluem frases como “escuta, eu tenho um diploma de engenharia elétrica, ok? Darei um jeito!” mas ele ganha fôlego conforme avança. E é tudo bem divertido e “legal” enquanto acontece, mas não há nada que o diferencie dos demais filmes da Marvel (e dos demais blockbusters da atualidade), e falo narrativamente. Fazer um filme “redondinho” de um herói com tanto potencial visual e cômico quanto o Homem-Formiga é um erro.

Todos os aspectos técnicos do filme são bons e cumprem seu papel. E o roteiro realmente não é tão problemático, mas é apenas… “bom”. As atuações estão competentes. Paul Rudd é um bom Scott Lang e Michael Douglas aparece à vontade como Hank Pym. A bela Evangeline Lily não tem muito o que fazer… e o núcleo dramático do filme, que é sobre pais e filhos, não empolga como deveria.

Um visual meio “jaspion”, meio “changeman” que poderia ter sido mais bem explorado.

O filme ganha fôlego com boas cenas de ação e um humor de mais timing lá pelo terceiro ato, onde o filme chega sim, a empolgar, com um embate final entre o Homem-Formiga e o vilão Jaqueta Amarela que tem um jeitinho de batalha de histórias em quadrinhos mensal ou filme de sessão da tarde, que é nostálgico e empolga por justamente ser diferente e ter um escopo menor que as outras batalhas do universo Marvel.

E por falar em Jaqueta Amarela, o vilão interpretado por Eric Stoll é realmente um dos destaques do filme. O vilaõ é daqueles caricatos e unidimensionais que só poderiam ter saído de uma história em quadrinhos meio pulp dos anos 50, e a “armadura” dele, visualmente é deslumbrante e imponente. Alguns diálogos que soariam tolos ditos por outro ator criam contextos interessantes da forma como são empregadas por Stoll, e o roteiro peca apenas por tentar justificar a loucura de seu personagem no filme com uma explicação relacionada ao uso das tais “partículas Pym”.

O que mostra que, quando os realizadores tentam realizar algo realmente diferente, eles conseguem. Mas é difícil falar sobre este filme quando ele é tão parecido com todos os outros da Marvel, que realmente é de se perder a vontade de falar sobre estes longas. Algumas risadas, momentos de ação, melodrama e mais risadas podem ser um bom passatempo de fim de semana, mas acho triste ver heróis com um potencial tão grande sendo desperdiçados com produções tão pequenas (com o perdão do trocadilho).

Kevin Feige, presidente da Marvel, disse recentemente que os filmes do estúdio sempre terão esta fórmula, e nunca serão, por exemplo, “sombrios”. Senhor Feige, nós não ligamos se o filme é sombrio ou não, ligamos apenas se ele é bom. E “Homem-Formiga” é bom. Mas um bonzinho esquecível e descartável, que empolga mais visualmente e por algumas conexões com futuros filmes da Marvel :/

No final, Homem-Formiga é uma boa diversão, e pode causar até uma boa impressão na saída do cinema, mas não chega a empolgar da forma como deveria e te faz imaginar como seria o filme nas mãos do diretor envolvido com o projeto previamente, Edgar Wright. É um filme com um charme de herói B dos anos 50, e todo o potencial envolvido com esta última frase se resume apenas a um monótono “É… é legal.”

  • Nota Geral:
3

Resumo

No final, Homem-Formiga é uma boa diversão, e pode causar até uma boa impressão na saída do cinema, mas não chega a empolgar da forma como deveria e te faz imaginar como seria o filme nas mãos do diretor envolvido com o projeto previamente, Edgar Wright. É um filme com um charme de herói B dos anos 50, e todo o potencial envolvido com esta última frase se resume apenas a um monótono “É… é legal.”

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