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“Divertidamente” (2015)

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Considero a página em branco como um impulso, um dilema, um avanço, um retrocesso. Não há como escapar das dúvidas e das incertezas quanto ao que dizer à respeito de um assunto, isto é, não sabemos impreterivelmente sobre alguma coisa, temos opiniões, mesmo que sejam embasadas em pensamentos já existentes sobre o tema, contudo, o não saber é o que move, é o que movimenta a poesia do pensamento à funcionar.

Temos: alegria, tristeza, raiva, medo, nojo. O que são tais palavras, ou seja, o que elas significam? São sentimentos? São emoções? Pausa. Emoção e sentimento não são a mesma coisa? Pausa. Embrulho no estômago! Vamos por partes. Somos seres humanos, pensamos, temos a dádiva da razão e assim existimos (mera semelhança à Descartes não é coincidência) mas além da racionalidade temos instintos, vontades, quereres; ficamos alegres, tristes, irados, medrosos, com nojo. Por possuirmos a racionalidade podemos afirmar que temos um certo controle acerca de tais palavras as quais busco um significado ou tento designa-las num certo lugar mas prefiro deixa-las flutuar e refletir sobre elas. Posso ter raiva por exemplo da ira: eu a odeio. Mas ao odiá-la, ela me domina, ou seja, para acabar com a ira não posso me irar. Agora, será possível controlar esse dilema, esse contraste que pertence ao meu corpo e à minha mente? Mesmo pensando e existindo, diferente de Descartes, não acredito que temos uma mente ativa sem um corpo ativo, isto é, temos os dois ativos: corpo e mente – juntos. Tal pensamento confundi-se também com o medo, quer dizer, posso ter medo do medo? Posso ser alegre quando triste? Posso ter nojo do agradável?

A ira é como o fogo, ela precisa de um combustível que à faça atingir seu êxtase de subsistência e viva sua realidade, porém mesmo que haja tal fusível, acredito que podemos em certa medida comedir, moderar tal momento de ser. Temos tempos diferentes em nossas vidas. Algumas vezes temos como braço direito a tristeza, assim como, podemos ter como aliados a alegria, esta que nos impulsiona, que nos faz sorrir, ter em nós mesmos àquela coisa inexplicável de felicidade que também não sabemos definir, é a pura falta de exatidão, porém é isso que a faz ser tão importante e bela; é como amar! O medo, citando algo parecido, pode ser o mediador de algo à acontecer, como pode ser um impedimento, como também, pode prevenir. Seriam tais, todos eles, misturados então? Um não comanda o outro. É fato que sentir-se feliz é um agradabilíssimo prazer, e sim, buscamos isso, entretanto, entristecer nos lembra o que é a alegria ou pelo menos nos faz ter como conhecido seu oposto, o qual existe.

Comecei o texto dizendo sobre escrever e tudo faz o maior sentido. Escrevo para alguém mas também escrevo para mim mesmo. Não há, pelo menos acredito eu, alguém que escreva algo só para alguém, é penoso estar além de si mesmo quando se escreve, já que as palavras são frutos de ramos poéticos de um pensamento, o qual pertence à alguém. Querer ter alguém que leia o que escrevo é outra coisa, está em outro lugar, está no orgulho por exemplo; mas isso não faz o escritor ser menor ou pior, o faz nada mais nada menos que humano. Temos em nós coisas que não conseguimos explicar mesmo que desde à antiguidade a vontade e o desejo de significar tais objetos de estudo existam, no entanto, precisamos? O controle racional da tristeza não é igual para todos, uma vez que somos diferentes, temos personalidades distintas. Seria muito triste, na minha opinião, se todos os seres humanos fossem iguais, pensassem da mesma forma ou concordassem com tudo. Que chato seria!

Uma cena em especial do filme realmente me emocionou. Além da alegria, da tristeza, da raiva, do medo e do nojo, temos também: a imaginação. Esta é muito importante e muito viva em nós. Ela vive nos sonhos, vive na vida, pertence ao nosso ser e estar aqui no mundo. Quando ela deixa a alegria ir de encontro com às futuras ações daquele humano, ela não deixa de existir ali, ela não some, pelo contrário, ela permanece estável e inerente ao viver daquela pessoa, e assim, àquela que partiu por causa dela, a traz de volta e a faz viver novamente. Pode ser confuso pensar assim, mas é o que acontece; imaginar nos traz tantas coisas bacanas e interessantes, é como voar! Sempre imagino, quando vejo um pássaro no céu, como é estar ali planando pelas nuvens vendo tudo de cima, e só o tempo desse imaginar, já é precioso.

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