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Crítica: A Estrada 47

AEstrada47_posterA presença do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi “absurda”. Quem diz isso ao longo da projeção dirigida por Vicente Ferraz é o único personagem alemão presente na trama. E qualquer pessoa que se preste a estudar minimamente o processo de envio de tropas da FEB para a gelada região do Monte Castelo, na Itália, vai concordar plenamente. “A Estrada 47” é mais um retrato de como nossos soldados foram completamente despreparados para uma guerra à qual não se sentiam vinculados.

Na trama, acompanhamos Guimarães (Daniel de Oliveira), Piauí (Francisco Gaspar), Tenente Penha (Júlio Andrade), Sargento Laurindo (Thogun Teixeira) e o jornalista Rui (Ivo Canelas) em uma tentativa de desbloquear uma estrada repleta de minas, que impede a passagem de tropas americanas. Sem serem mandados a esta missão, eles decidem fazê-la para evitar maiores problemas após uma debandada de soldados brasileiros.

Feliz na escolha de locações igualmente belas e desoladoras, “A Estrada 47” acerta em não tentar copiar Hollywood com cenas de guerra. O importante, aqui, é o desenvolvimento emocional dos personagens. Destes, Guimarães funciona como um narrador que reflete o tempo todo sobre o nacionalismo de seu pai, que o obrigou a servir na Guerra, tendo a função de deixar o filme mais claro, mas caindo por vezes na armadilha de verbalizar coisas demais. Enquanto isso, Laurindo e Piauí formam os personagens mais interessantes, não apenas porque atuam como alívio cômico, mas também porque deixam mais evidente suas histórias, criando um bom vínculo.

É interessante notar a forma crua e simples como Vicente Ferraz opta por contar esta importante história. Sem arroubos de emoção, sem exageros na trilha sonora, e sem arrancadas no roteiro, o filme funciona muito bem como um retrato daquele momento histórico – e aí a presença do jornalista é importante, já que ele não apenas representa uma visão de fora do pelotão, mas também um outro ponto de vista da “desobediência” de todos aqueles sob o comando da FEB, pois ele não deveria estar com o grupo ao qual se une.

Com cenas de humor hilárias e diálogos tocantes, “A Estrada 47” traz a gélida e bela fotografia de Carlos Arango de Montis e uma visão questionadora sem jamais julgar qualquer participante na guerra, formando assim um filme absolutamente honesto. Isso só prova que o Brasil sabe fazer filmes de guerra com qualidade.

4/5

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