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Perdemos e aprendemos

NEW YORK, NY - MARCH 20: Julianne Moore filming "Still Alice" on March 20, 2014 in Long Island, New York. (Steve Sands/GC Images)

Memória: 1. faculdade de conservar ou readquirir ideias ou imagens. 2. Lembrança reminiscência: memória do passado. 3. celebridade, nome, reputação: deixou boa memória”. – Dicionário Michaelis

E quando perdemos? O que acontece quando nos preparamos tanto para uma vida de sucesso, recheada de reconhecimentos, prêmios e conquistas, mas nos deparamos com uma barreira intransponível no meio do caminho? Muitas pessoas passam por isso todos os dias e é exatamente o que o filme “Para sempre Alice” (Still Alice, 2014) me fez pensar.

Infelizmente tive a experiência prática de ter uma avó com a doença de Alzheimer e, apesar de não ter convivido diariamente com ela, pude observar o seu sofrimento e das pessoas à sua volta. Com Julianne Moore, no papel de Alice, pude sentir e viver por alguns instantes a angústia de estar se perdendo, de ver o tempo escorrer pelos dedos.

O longa-metragem me levou a refletir sobre a angústia, sobre o fracasso e a dor. Frequentemente, estes são sentimentos que evitamos, não queremos pensar a respeito. Ouvimos constantemente que a busca deve ser pela positividade, pelo bom humor e pelo sucesso, mas como lidar com os momentos em que não temos isso? Quando é que podemos nos permitir estar tristes e desmotivados para a vida? Todos nós já passamos por estes sentimentos algumas vezes e, provavelmente, ainda vamos passar algumas mais. É comum que precisemos vivenciar isso, afinal somos seres humanos. Indivíduos complexos e inconstantes, mutáveis e adaptáveis. Sinto dizer, mas na verdade, nós precisamos desses momentos. Paramos para refletir, observamos melhor quem realmente somos.

Posso também lhe dizer que às vezes passa rápido, outras, nem tanto. De uma maneira ou de outra, o tempo leva o que lhe é de direito. No caso de Alice, foi a memória. E o que somos sem ela? O que somos sem nossas experiências, sem nossas lembranças? Se eu me lembro do que fui, posso pensar no que ainda quero ser, o que eu desejo para o futuro está sustentado pelo passado. Uma vez que não tenho passado, não tenho também, futuro. Não possuo instrumentos para conhecer minha personalidade, meus familiares, minhas alegrias e minhas tristezas, o que me incomoda e o que me alegra.

HOLLYWOOD, CA – FEBRUARY 22: Actress Julianne Moore winner of the Best Actress in a Leading Role Award for ‘Still Alice’ poses in the press room during the 87th Annual Academy Awards at Loews Hollywood Hotel on February 22, 2015 in Hollywood, California. (Photo by Jason Merritt/Getty Images)

Parabéns Julianne Moore, o Oscar foi merecido! Uma atuação delicada e consistente trouxe o debate de uma doença ainda pouco discutida no Brasil. Temos cerca de 1 milhão e 200 mil brasileiros que sofrem com o Mal de Alzheimer, além de mais de 35 milhões de pessoas ao redor do mundo. Por isso, se você ficou interessado em conhecer mais sobre esta doença, pode acessar o site da Associação Brasileira de Alzheimer ou o Instituto Alzheimer Brasil, tenho certeza que encontrará todas as informações que precisa.

Assim, somos o que somos, e nem sempre os planos saem como nós esperávamos. Os percalços existirão, as dificuldades aparecerão e ainda assim, nossa escolha poderá ser a persistência, a luta. São estes momentos que trazem o nosso melhor, que nos ensinam a ser mais do que um dia já fomos.

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