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Crítica: O Jogo da Imitação

Poster Brasileiro - O Jogo da Imitação

A história de Alan Turing é extremamente essencial para que as pessoas conheçam uma das passagens mais importantes da Segunda Guerra Mundial – e da História recente. Não é a primeira vez que a vida de Turing é contada, afinal trata-se de uma história absolutamente fantástica. O matemático já teve sua biografia mostrada nos filmes “Codebreaker” (2011, feito para a TV), “The Turing Enigma” (2011) e “Enigma” (2001).

A grande diferença em “O Jogo da Imitação” é que trata-se de uma produção um pouco mais refinada, e protagonizada por um dos atores mais dedicados de sua geração: Benedict Cumberbatch.

É uma pena, no entanto, que “O Jogo da Imitação” dependa exclusivamente do seu protagonista para que seja memorável, já que todo o resto não passa de um filme regular. Não que Cumberbatch esteja genial, mas pelo menos faz por merecer uma indicação ao Oscar.

O filme conta a história de Alan Turing, o matemático que foi o grande responsável por decodificar o sistema quase infalível de comunicação dos alemães durante a Segunda Guerra, mas cujo heroísmo foi segredo durante muitos anos. Sua trajetória é ainda mais complicada quando se adiciona o fato de que Turing era homossexual, e chegou a ser condenado a um tratamento hormonal na década de 1950, quando as relações entre pessoas do mesmo sexo eram proibidas por lei na Inglaterra.

Nada no filme supera a importância da história contada, que agora alcança um número maior de pessoas do que os filmes anteriores. É uma pena, portanto, que nem a direção do norueguês Mortem Tyldum, nem o roteiro de Graham Moore pareçam preocupados em fazer algo além do “arroz com feijão”. A câmera é apenas correta; a trilha sonora de Alexandre Desplat não enaltece a trama como poderia; os diálogos são inconstantes – alguns são inspirados, mas há frases muito repetitivas – e até mesmo a montagem final é apenas regular. Afinal, o longa não precisava de tantas idas e vindas no tempo para mostrar a investigação policial na década de 1950 e o período em que o protagonista trabalhava na base militar britânica: bastava um ou dois cortes para apresentar um paralelo interessante, mas as interrupções chegam ao ponto de fazer o protagonista repetir uma frase totalmente inútil ao policial.

O filme sequer age de forma corajosa com duas questões apresentadas na trama: a misoginia da sociedade, que não acreditava na capacidade de Joan Clarke (Keira Knightley), selecionada por Turing para ajudar no projeto; e a homossexualidade de Turing, que fica restrita aos flashbacks de sua infância. Para dar outro exemplo de pouca consistência do roteiro, é interessante destacar o momento em que os colegas de Turing, que inicialmente o odiavam, passam a defender seu projeto, sem que a relação entre eles fosse trabalhada, mesmo após uma constatação feita por Joan. Quanto aos colegas do matemático, aliás, seria muito enriquecedor se a existência de um espião soviético entre eles fosse mais bem trabalhada.

Assim, é uma pena que um cientista tão importante (e injustiçado) tenha ganhado filmes que não tenham a qualidade que ele merece. “O Jogo da Imitação” é um filme essencial para a sociedade, mas definitivamente não precisa de nenhum Oscar.

3/5

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