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Ancine vai limitar as estreias no Brasil… e isso será ótimo!

A Ancine, em decisão realizada com profissionais da indústria cinematográfica brasileira, vai assinar um compromisso que limitará as estreias dos filmes a cerca de 30% das salas de cada complexo cinematográfico. Isso significa que, no futuro, os filmes que chegarem aos cinemas, por mais “blockbusters” que sejam, não ocuparão tantas salas quanto vem ocupando. O valor de 30% não foi determinado, mas deverá ser em torno disso, já que a diretriz é baseada no que foi realizado na França, e por lá a porcentagem é esta.

Para se ter uma ideia de como as coisas estão funcionando no país neste momento, o Brasil possui 2,8 mil salas de cinema em seu território. Destas, 1,3 mil foram ocupadas com “Jogos Vorazes: A Esperança – parte 1” no dia 20 de novembro, quando o filme estreou. No último dia 11, menos de um mês depois, o filme “O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos” chegou em 1.037 salas. É claro que um mês depois é tempo suficiente para que se reduzam as salas do primeiro, mas isso não remove os excessos: mais da metade do circuito estará dominada por superproduções, deixando pouco espaço a filmes independentes, nacionais, ou apenas produções menores.

Segundo o texto que regulamenta a nova regra, este predomínio de filmes lançados em larga escala “tende a prejudicar a atividade de exibição como um todo e constituir padronização e simplificação indesejáveis na fruição de bens culturais”.

Se pensarmos bem, esta medida da Ancine é excelente e só trará benefícios. Listarei abaixo alguns deles:

-Aumento da “capilaridade dos lançamentos”. Existem algumas cidades pequenas no Brasil que demoram a receber lançamentos de blockbusters, sendo obrigadas a estrear filmes com “atraso” em relação ao grande mercado. Como as distribuidoras não poderão colocar suas cópias em 10 salas de um único shopping de São Paulo (como fazem comumente), terão que levar seus filmes a cidades pequenas.

-Aumento da oferta de filmes independentes. Com menor possibilidade de lotar seus complexos de cinema com grandes produções de Hollywood, as exibidoras serão obrigadas a oferecer uma variedade maior de filmes em seus complexos. Assim, aumenta a possibilidade de que filmes pequenos fiquem mais tempo em cartaz. Isso não significa que o Brasil ficará cheio de filmes “indie” espalhados aos quatro cantos, mas terá um crescimento, certamente.

-Valorização do dinheiro público brasileiro. A Ancine investiu mais de 300 milhões de reais em um programa de digitalização das salas de cinema do Brasil. Atualmente, mais da metade delas já faz exibições digitais, e até 2015 todas as salas terão se tornado digitais. Não seria justo que esse dinheiro fosse investido para que o lucro seja destinado às grandes produtoras americanas. Portanto, é bom saber que o cinema nacional também terá retorno do dinheiro público investido em forma de ingressos.

-Criação de mais salas no Brasil. Como saída para conseguir estrear filmes em mais salas, as redes exibidoras poderão investir, em médio e longo prazo, na criação de mais salas de cinema. Com isso, a oferta de filmes em geral aumentará de qualquer maneira, tanto para blockbusters quanto para filmes brasileiros e independentes.

-Aumento da média de público por salas. Embora as grandes produções busquem apenas números absolutos (número de ingressos vendidos em todo o território), as produções menores tentam olhar para um número tão importante quanto: a média de ingressos por sala. Ou seja, um filme presente em 100 salas e com mil ingressos vendidos não foi tão bem quanto um filme presente em 10 salas com 500 ingressos vendidos, apenas para citar um exemplo hipotético: o primeiro teve 10 pessoas em cada sala, enquanto o segundo teve 50.

Desta forma, podemos dizer que é louvável a atitude da Ancine.

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