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Sudoeste [Crítica]

Oi…

Saudades de mim?

Ok, acho que não… Quero tentar reatar os laços com você, uma crítica bem escrita pode mudar totalmente o pensamento de alguém para com um filme, nem sempre a primeira impressão é a que realmente fica. Quero dizer, se você teve um dia atribulado por causa da correria de uma selva de pedra selvagem, passou horas de puro estresse e depois algumas horas pra voltar ao seu lar, sim, você deseja descansar. E nada melhor do que assistir a um filme. E nesse ponto chegamos ás críticas, pois elas lhe ajudam a saber se vale a pena assistir a algum filme em especial.

Não sei como você chegou a esse crítica, mas espero que goste tanto quanto eu gostei ao escreve-la. Esta é a crítica que eu enviei na época que o Cinemação abriu vagas para novos Colunistas. Depois de ler, gostaria que pudéssemos debater mais (ou você me xingar pelos erros ortográficos) lá nos comentários. Boa Leitura.

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Sudoeste
Sudoeste é um longa-metragem rico em fotografia e atuação, com um roteiro e continuidade que não
destoam para com a história, com geniosas metáforas e sabendo usar brilhantemente os momentos de silêncio.

Se você quer começar a criar um roteiro ou não sabe ainda como fazer cortes de cenas sem estragar com a continuidade do seu longa-metragem, Sudoeste será uma aula espetacular. E quando digo aula me refiro a cento e vinte e oito minutos de cenas com grandes atuações e uma fotografia de tirar o fôlego. Semanas atrás não sentia força para pegar no meu surrado bloco de notas, de onde escrevo algumas ideias para próximos roteiros, pois tinha o receio e aquela pequena depressão com a falta de argumentos e conceitos, sim aqueles conceitos que estarão no papel. Pensei que estaria fardado à base de cálculos estatísticos e físicos naquele triste final de semana para as provas das finais, engano meu, fui acometido pelo meu querido amigo Nilton Cirqueira por um convite para participar da exibição de filmes, integrando o circuito da Mostra de Cinema da 3ª Bienal do Museu de Artes Moderna da Bahia, onde naquele dia iria exibir ao longa-metragem dirigido por Eduardo Nunes, Sudoeste. Fiquei bastante curioso com a proposta e naquele instante fui a busca de um trailer para me habituar com a história, me fascinando aos poucos por ser um filme em preto e branco, belas imagens e mistério. Por ser grande fã de Alfred Hitchcock, atirei a minha calculadora HP S10 ao chão junto com várias folhas rabiscadas e fui correndo para não perder a sessão, chegando à sessão me deparo com várias pessoas importantes do circulo cinematográfico de Itapetinga, e eu mero diretor em desenvolvimento.

Sudoeste se trata de um filme rico de imagens que te prendem aos detalhes a cada segundo de frame. Com um formato peculiar de 3,66:1 me senti sendo levado a uma fotografia panorâmica, sem perceber as vezes que se tratava de um filme. O preto e branco deram um ar de humildade nos personagens e mistério em seus atos, mas o que mais me chamou a atenção no filme foi o deslocamento da câmera, e a posição que ela ficava nos momentos que haveria diálogo em cena, deixando os atores mais para a lateral direita, dando a entender uma noção de profundidade. Nos deparamos com alguns personagens bastante importantes ao decorrer da história, contudo
existem dois que se destacam, o tempo e o vento. Ao começo do filme vemos uma senhora em uma carroça indo a um pequeno hotel de estrada, onde iria realizar um parto. É assim que começa a história de Clarice, a recém-nascida que tem o seu primeiro dia de vida retratado no filme. De primeira mão sentimos desconforto com a time-line que o longa nos remete, mas é aí que vemos o protagonista dessa história, o tempo.
O tempo é muito bem representado no filme, dando a entender vários tipos de interpretação, pois o tempo para Clarice é muito diferente dos demais moradores do vilarejo aonde a história é conduzida, e dai vem à metáfora da vida em relação ao dia, pois, a pequena vai crescendo ao decorrer do dia indo da infância á fase adulta em poucas horas, chegando à velhice antes do sol se por. Conduzindo o filme ao lugar de princípio da história. Outro personagem crucial a história é o vento pois ele é muito bem retratado no moinho, ao desembaraçar os cabelos dos personagens, e no silêncio. Sim, no silêncio. O silêncio é outro ponto principal do filme e você já percebe isso antes da primeira fala que se dá a aproximadamente dez minutos rodados de filme, mas não fique pensando que isso prejudica a obra, pelo contrário, enriquece com interpretações geniais feitas para expressar mais humanidade aos personagens.
Ao fim da sessão e de um pequeno bate-papo para trocarmos nossas interpretações do filme, saí as pressas do CineClube para casa, que famigeradamente peguei o meu bloco de notas e escrevi todos os pontos que eu entendi da história, porém um ponto ficou bastante latente. A minha dúvida era…


Escrito por Uivante (Anderson Alves) 19/06/2014

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