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“Gretchen Filme Estrada”: Um road movie à moda brasileira.

“… Gretchen virou brega, moderna, brega de novo e cult”.

Enquanto…

A cinebiografia do cantor Tim Maia acaba de estrear nos cinemas;

E vivemos um conturbado e pseudo-reacionário período pós-eleitoral…

 

Eu…

Enveredo-me em um documentário de seis anos atrás sobre a não necessariamente cantora, mas ícone cultural dos anos 80, Gretchen, e a eleição para prefeita que ela protagonizou na cidade de Ilha de Itamaracá em Pernambuco (CE).

 

Sou assim!

Rebobino as fitas, interesso-me pelas personagens mais pitorescas, e não me prendo ao ano de produção dos filmes.

 

 

Com “Gretchen Filme Estrada” atesto minha rendição. Não ao gênero documentário, mas a arte de saber (o que e como) documentar.

Mais do que um documentário biográfico, a película de Eliane Brum e Paschoal Samora é um registro político de uma artista icônica, cuja vida é cheia de curvas sinuosas e caminhos politicamente incorretos, e dos meandros mais escusos da própria política.

Só faltava a política para ela encerrar esse ciclo.

A história não se restringe em expor (se é que ainda é possível uma necropsia mais escancarada!) a Gretchen artista nacionalmente conhecida, mulher de inúmeros casamentos e cidadã que paga imposto, vota e precisa da política como todos nós. Mas sim, a Gretchen politizada (ainda que perdida na inocência, nos números circenses e na lealdade retórica das alianças).

Os diretores não renderam o roteiro à construção midiática que muitos políticos sofrem na época de eleições.

A Gretchen é Maria Odete, assim como Maria Odete é Gretchen. Ambas construídas no seu passado, sem negações, ainda que seja quando a verdade adentra a nossa representação.

 

“… Quando não há mais chance de vencer eleição, o filme passa a ser toda a realidade. Esse é um filme sobre os usos. Todos usando todos”.

Um strip-tease dos bastidores da política brasileira.

No intervalo de cada rebolado, os mecanismos mais podres e desumanos dessa prática são despidos. Os interesses por trás de cada aliança, os nós ocultos de cada ponto, e as contrapartidas de cada troca.

Ainda é colocado em evidência o funcionamento da máquina eleitoral dos financiamentos de campanha. O eterno duelo entre o “Circo do Davi” e o “Cirque du Soleil”.

 

“… Ela, sua mitológica bunda e um playback”.

A narração cronológica e bem humorada é um recurso eficiente que costura a linha do tempo da personagem e dos fatos que a cercam.

A cinebiografia da Rainha do Rebolado é um road movie fora do convencional.

Um registro transitório original do fim da sua carreira artística após 30 anos de serviços prestados ao imaginário do povo, e “início” de uma efêmera carreira política.

 

Continuarei assim!

Rebolando com os LP’S, me inspirando com as fitas, “griphando” as personagens mais autênticas, e sem problema com a sombra dos rótulos da breguice nostálgica.

 

Link do filme completo no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=OBkDnuzzXYE

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