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Love Me If You Dare – jeux d’ enfants (2003)

Quando vemos romances é de vista clara que temos por quase total certeza que já vimos aquela história sendo contada por outro autor, por outro diretor, por outros atores. Nada mais fácil do que criticar uma ideia, mesmo que ela já exista e invente seu modo de ser, seja na forma de um filme ou de um livro, mas encontrar caminhos distintos e de interpretações as quais possam nos fazer pensar de uma outra forma sobre o mesmo tema, é de difícil aceitação. Tal é o deslumbre em ver filmes com roteiros semelhantes, como o caso de um homem que se apaixona por uma mulher e vivem felizes para sempre ou através de um descuido de um, há o incidente do destino do outro estar naquele momento no mesmo local e os olhares acontecem e pronto: o amor acontece, está ali, presente.
O que me interessou bastante em Love me if you dare foi o modo pelo qual é contada a história. O encontro desde a infância entre Julien (Guiilaume Canet) e Sophie (Marion Cotillard) é de certa forma bastante interessante, já que os laços de afinidade entre eles são tão firmes e concisos que quando vemos os dois se olhando, brincando, rindo, mesmo quando crianças, notamos que existe algo intrínseco aos dois, que pertence a eles simultaneamente. Através de um caixinha de metal ambos inventam um jogo de desafios, uma brincadeira que perdura por toda a vida e não só continua a delinear seus caminhos como em momentos decisivos, com escolhas importantes a fazer, é ela, a caixinha de metal quem decide se é jogo ou não. São vários momentos em que os dois jogam um com o outro, contudo, ao passar dos anos, as brincadeiras vão se tornando, mesmo que ainda havendo uma delicadeza de infantilidade, mais sérias.
O envolvimento de Sophie e Julien não só preenche o amor que existe entre eles mas sobrepõe o que os outros ao redor sintam à respeito dessa ligação entre os dois. Por mais que a mãe de Julien esteja num momento muito sutil de vida, ela é visivelmente uma das pessoas que apóia seu filho em suas fantasias, caso contrário de seu pai, um homem bastante fechado para sí e até sendo possível chamá-lo de egoísta, ao ponto de culpar seu filho pela morte da esposa. A separação de dez anos entre pai e filho após um casamento mal firmado com outra mulher a qual nada parecia completar o coração de Julien, foi uma amostra de sua vida sem Sophie, de sua vida sem felicidade plena, sem amor verdadeiro, sem a companhia que desde criança esteve ao seu lado. Apesar de Sophie ter seguido seu caminho por esses dez anos e casado com um jogador de futebol famoso, nada, mesmo o tempo longe, fazia com que o pensamento e o amor por Julien fizessem com que a decisão racional de pertencer já há uma outra família a mantivesse na linha da razão. Não há como lutar contra algo que pulsa nossos movimentos, nossas sensações, nossa vida.
O mais legal da história de Julien e Sophie é que o amor que existe entre eles não é visto somente nos últimos minutos do filme, e após alguma discussão, ambos descrevem o quanto se amam e se beijam. É durante todos os minutos, todos os momentos, todos os respiros que vemos o quanto se amam, é através das atitudes de outros personagens, de familiares e mesmo havendo o jogo, talvez por ser uma forma pueril de permanecermos crianças quando adultos, nada mais era e sempre foi, a forma pela qual ambos se jogavam por inteiro no amor que os totalizavam como um só.

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