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O Show da Vida Real

E se tudo em que a gente acreditasse fosse uma mentira? E se tudo fosse milimetricamente planejado para que todos nós acreditássemos que temos pleno poder de nossas decisões e escolhas? Neste último final de semana eu tive a oportunidade de rever um clássico, “O Show de Truman”(The Truman Show).

O filme foi lançado em 1998 e conta com Jim Carrey como protagonista. Peter Weir (Sociedade dos Poetas Mortos) é o diretor, e conta a história de um personagem que nasce em frente às câmeras. Em seu próprio “Big Brother” da vida real, Truman passa cerca de 30 anos vivendo em uma cidade fictícia em meio à Hollywood. Contudo, ao observar melhor alguns acontecimentos ao seu redor, o protagonista começa a desconfiar que algo está errado e que, talvez, toda a sua vida seja uma farsa.

É inevitável fazermos analogias com a vida real, por isso, o que o filme nos quer dizer? Claro que a tomada de consciência não é tão simples, tão rápida e tão óbvia (apesar de extremamente necessária). A impressão que eu tenho é que tentamos a todos os momentos manter as nossas crenças, tentamos nos agarrar com todas as forças em nossas opiniões, justificar a todo custo nossos gostos e posições. Será que o “Show de Truman” acontece somente nos cinemas? Será que a nossa visão não é manipulada? Não me entenda mal, não estou sendo ingênuo de pensar que existe um Christof – personagem vivido por Ed Harris que controla tudo no filme, dos atores às manifestações da natureza – mas, tendo a acreditar que as nossas experiências, vivências e relações sociais constroem, a todo momento, o nosso modo de interpretar o mundo.

No longa-metragem, Truman também motivado pelo seu amor à Sylvia, supera os seus medos e cria a oportunidade de sair do mundo no qual vive. Ele chega ao final do cenário, encontra a porta de saída e antes de dar o passo rumo à incerteza, escuta Christof. O diretor do programa fala com ele direto de uma nuvem, como se Deus falasse aos seus mortais. Há um diálogo incrível sobre como o mundo de Truman é seguro, cheio de certezas e não há o que temer. Mas afinal, o que seria de nós sem as nossas incertezas? O que seria do ser humano que age sobre o mundo, sem as suas curiosidades? Em filmes como este, em livros, na psicologia e em conversas, eu percebo, a cada dia mais, que devemos ter menos certezas e mais dúvidas. Quem disse que o que é certo para mim, serve para você? Quem disse que este ou aquele é o melhor jeito de viver? Quem disse ou deixou de dizer?

Seja no “Show de Truman” ou na “vida real”, talvez possamos ser mais questionadores e indecisos, mais curiosos e menos certos. Talvez, e somente talvez, assim, vamos acabar nos colocando no lugar do outro, conversaremos querendo construir o que é melhor para todos, e não o que eu ou você achamos que é melhor.

É possível que nós sejamos menos donos de nossas vidas do que achamos que somos. E não porque tudo já está escrito ou determinado, mas porque alguém está escrevendo ou determinando por nós.

Questione-se e deixe o seu comentário! Vamos conversar.

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