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Afonso Poyart fala sobre sua experiência em Hollywood com “Solace”

Com o fim das gravações de “Solace”, novo filme do diretor brasileiro Afonso Poyart, o cineasta contou mais detalhes sobre sua aventura em terras americanas após um único sucesso no cinema nacional.

Ele conta que, logo após a estreia de “2 Coelhos”, alguns agentes de Los Angeles ficaram interessados em representá-lo como diretor para o mercado internacional. O “manager” de Poyart nos Estados Unidos é Brent Travers, que também gerencia o ator Wagner Moura. Travers viu o filme de Poyart nos cinemas brasileiros, e em pouco tempo faria o diretor assinar com ele e com a UTA (United Talent Agency).

Segundo o diretor, após analisar alguns roteiros, descobriu “Solace” e “simplesmente estalou”. Ele sabia que era o roteiro que queria dirigir. “Um filme com ótimo roteiro e grande potencial visual”, afirmou.

“Solace” tem uma influência de Se7en e Silêncio dos Inocentes, mas o diretor afirma que tentou fugir do gênero. “Não acho que esse seja um filme de serial killer, isso é só sua camada exterior”. O diretor lembra que o longa fala sobre vida e morte, e levanta alguns interessantes dilemas morais. “A minha ideia é dar ao filme um visual arrojado, mas com preocupação com a trama”, completa, lembrando que não a “pirotecnia” só adianta se houver bons personagens e boa história.

O diretor não hesita em afirmar que o filme está “bem puxado”, principalmente porque o orçamento de US$27 milhões, junto com o cronograma de filmagem de 30 dias, faz com que fique tudo bem apertado. Mas tudo isso compensa com o trabalho dos atores, “Eles são demais. O Tony é um mestre”, afirma, chamando Antony Hopkins da maneira como ele gosta de ser chamado. “Além de muito paciente, ele é generoso, sempre está preparado paras as cenas”. Mas Poyart também admira o trabalho de Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish. “Tive muita sorte nesse elenco, porém senti algumas diferenças com as produções brasileiras”.

Segundo o diretor, as grandes diferenças entre fazer cinema no Brasil e nos Estados Unidos estão no tamanho da estrutura cinematográfica disponível. “Aqui em Los Angeles é muito maior, e eles têm uma escola de cinema já bem estabelecida, o que às vezes ajuda, e muitas vezes torna as coisas meio burocráticas”. E foi a “burocracia” que espantou Poyart. Ele afirma que gosta de aproveitar dos momentos espontâneos e, mesmo estando preparado para a cena, deseja estar um pouco aberto para as coisas que aparecem. “Mas aqui eles incentivam você a estar 100% preparado”.
Mesmo assim, o diretor está animado com a possibilidade de fazer filmes americanos. “O que eu adoraria fazer é produzir filmes no Brasil, mas para o mercado internacional” completa. “Acho que existe um enorme potencial para a produção de filmes no Brasil, não só para o mercado nacional, mas como uma base de produções internacionais”, afirma, sonhando em fazer filmes brasileiros falados em inglês.

Para os projetos futuros, Poyart diz que, além de atuar como produtor executivo da versão americana de “2 Coelhos”, quer dirigir algum filme nos Estados Unidos com seu próprio roteiro.

O jeito é esperar e torcer pelo sucesso.

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