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Crítica: O Mestre

o_mestre_1Após o término da Segunda Guerra Mundial, o marinheiro Freddie Quell tenta se readaptar à vida urbana, porém carrega da guerra um vício em álcool que dificulta ainda mais sua adaptação. Cheio de traumas pelas experiências vividas na guerra, o marinheiro sofre com ataques de ansiedade e violência, tudo potencializado pelo alcoolismo que o corrói mais e mais. Além destes inúmeros problemas, Quell ainda tem uma vida sexual bastante atormentada, o que o leva a perder o raciocínio muitas vezes. Imerso a tantos problemas, o ex-soldado acaba cruzando o caminho de Lancaster Dodd, um homem que carrega multidões consigo por pregar uma espécie de filosofia/religião própria, conhecida como A Causa. Freddie chama a tenção de Dodd, que lhe oferece um trabalho em troca de conversas e estabilidade, o marinheiro reticente aceita, mas fica observando de longe os cultos e palestras que o Mestre prega. Com o passar do tempo, Quell vai se aproximando mais e mais dos conceitos implantados por Dodd e acaba se tornando um dos membros da religião, porém, seu vício no álcool é mais forte e ele terá que mudar de comportamento se quiser continuar junto do grupo.

“O Mestre” é dirigido pelo jovem e super talentoso Paul Thomas Anderson, que já tem mostrado seu talento desde Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue Negro. Diretor de apenas 43, Anderson é um diretor brilhante que tem se destacado cada vez mais! Além de escrever o roteiro de todos os filmes que dirige, o diretor começou sua jornada aos 17 anos, quando fez e editou o curta “The Dirk Diggler Story (1988)” documentário já polêmico que mostra a ascensão e queda de Dirk Diggler, uma estrela pornô!

Além de um diretor espetacular por trás das câmeras, o filme veio nos brindar com uma parceria fantástica entre Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman, para mim, dois dos mais completos atores do mundo! Phoenix, que passou por dois anos longe das telas para se envolver com a música, desde sua volta, só tem abraçado produções com roteiros maravilhosos, e “O Mestre” não é exceção. No filme ele interpreta o marinheiro alcoólatra Freddie Quell, e devo dizer que sua atuação é muito realista! Isso mesmo, seu trabalho ultrapassa as margens de atuação, é convincente, segura, emocionante e muito, muito sensível. Philip Seymour Hoffman mantém o nível. Levado a interpretar um mestre religioso, o ator tem a excelência em seu lado. É “pomposo”, centrado naquilo que acredita, e duvidoso. É brilhante a junção dos dois atores, não só pelo talento, mas pela história, que sem dúvida, amarrou cada camada dos personagens de forma sucinta e muito profunda. Um detalhe que acho muito bom frisar é o a paralisia parcial no rosto de Freddie Quell, que é feito de forma brilhante por Joaquin Phoenix.

O restante do elenco é completado por Amy Adams, Jesse Plemons, Laura Dern, Ambyr Childers, Lena Endre, Raimi Malek, Madisen Beaty, Fiona Dourif. Aliás, vale uma ressalva aqui para Amy Adams, que tem se
tornado uma espécie de “sex symbol” no mundo do cinema, mas acho que acima de qualquer qualidade física que tenha, a atriz é forte! Para mim ela começa a se equiparar com a Natalie Portman, mas como disse, “começa a se equiparar”, para mim, Natalie ainda esta alguns pés a frente. Em “O

Mestre”, Adams faz a esposa do Mestre (Philip Seymour Hoffman), e o filme não

explora sua beleza mas sim sua sensibilidade, ou seja, ela

chega a ser o ponto racional de Lancaster Dodd, o chamando para encarar a realidade, sendo firme e atenciosa. Um personagem secundário, porém muito forte na trama.

Bom, se você já leu minha crítica até aqui, já deve imaginar que gostei muito do filme, e sim, eu gostei muito do filme. Para mim ela é uma crítica nítida à religião, filosofia, vícios e  cultos. O filme explora muito o lado psicológico dos personagens, seja com o Mestre, quando ele é questionado sobre sua crença e filosofias, e nesta situação acaba se descontrolando, ficando irritado e extremamente agressivo, ou seja com Freddie e sua bebedeira, que acaba sendo uma válvula de escape para uma tristeza e abandono gigante que o homem sofreu ao longo de sua história. É um filme muito sério, muito direto e acima de tudo, muito esclarecedor.

Confira o trailer de “O Mestre”:

Nota: 5 Claquetes

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