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Crítica: As Vantagens de Ser Invisível

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Stephen Chbosky escreveu em 1999 um livro chamado “As Vantagens de ser Invisível” (The Perks of Being a Wallflower), no qual um menino de 15 anos escreve cartas para uma pessoa anônima afim de contar suas passagens, quase como um jornal. As cartas exploram temas da adolescência, como entrar no colegial, apaixonar-se, encontrar amigos, ter as primeiras experiências sexuais, uso de drogas e homossexualidade. No Brasil, o livro foi publicado pela editora Rocco, mesma editora de Harry Potter, Percy Jackson e Eragon. Com o sucesso do livro e uma perspectiva de voltar a dirigir um filme (já que tinha feito isso apenas em 1995), o autor do romance, Chbosky adaptou o roteiro e começou a rodar o longa.

No elenco Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Dylan McDermott, Mae Whitman, Kate Walsh, Johnny Simmons e Paul Rudd, foram os responsáveis a levar vida aos personagens que tinham profundidade e conexões emocionais que o autor/diretor, exigiria deles.

Logan Lerman foi o responsável por viver Charlie, o menino de 15 anos que se constrói ao decorrer do filme e isto, sem dúvida é um dos fatores que fazem o filme ser tão bom! Aliás, gostaria de destacar aqui duas interpretações que são realmente de um brilho muito agradável ao filme, uma delas é justamente de Lerman, ele precisa fazer um menino tímido, acanhado e com muitos conflitos psicológicos, e o ator consegue destacar cada uma das características que o personagem necessita. Logan realmente se sobressai no papel, tem uma maturidade para a atuação e uma veracidade que surpreende. Temos cenas em que o ator está sozinho, e mentalmente perturbado, que temos uma noção exata do tamanho do “buraco” em que esta enfiado, além disso, ele consegue nos levar a sensações que só podemos sentir na adolescência, ou seja, nervosismo com o primeiro amor, o primeiro beijo, a busca por amigos, etc… Logan Lerman é um destes dois atores que se destacam muito no filme. O outro ator é Ezra Miller, que interpreta Patrick, um meio-irmão de Sam (Emma Watson), que é muito autêntico e homossexual. Ezra já tinha feitos filmes de gênero parecido, como “Confusões em Família” e “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Ezra é sem dúvida a estrela do filme, com um personagem bastante interesante, ousado e criativo, ele rouba a cena todas as vezes que aparece, tem um toque sensível, maduro e muito profundo. No filme, Patrick e Sam são irmão que acabam acolhendo Charlie após perceberem que ele é um menino solitário, este acolhimento é um processo rápido e ao mesmo tempo cativante, então o filme consegue expressar de uma forma bem icônica esta adaptação dos adolescentes e como podem melhorar suas relações tendo um pouco de amor ao próximo.

Aliás, “As Vantagens de ser Invisível” é um filme que consegue expor de forma muito delicada as várias faces da juventude. Tem uma história muito bem escrita, e como o autor é o diretor, acredito que a fidelidade para com o Livro, seja um dos fatores que deixam o filme ainda mais bonito.

Em termos técnicos, o filme tem uma ótima direção de fotografia, não é algo esplendoroso, mas é muito forte! Além disso, temos tomadas em planos abertos que são também muito bem dirigidas, como uma cena em que Charlie está vontando de casa após se despedir de Sam e começa a se sentir perturbado com tudo que esta acontecendo com sua vida. Outra cena muito interessante é quando Charlie se droga e começa a ver tudo ao seu redor de forma mais lenta. Trata-se de uma filmagem bem clássica, mas que é muito bonita visualmente. A decupagem de Charlie caminhando pela neve e lembrando da tia é muito bem feita, Nos dá a sensação clara de perturbação. Aliás, estas cenas em que Charlie começa a se lembrar da tia e da infância são construídas pouco a pouco no filme, ou seja, com uma hora de filme você tem a ideia de que algo deu errado no passado, mas ainda não sabe ao certo o que aconteceu. É um filme generoso em termos de roteiro, surpreendente.

Último ponto e não menos importante que acho legal destacar no filme, é a trilha sonora. Sim, é um dos pontos altos do filme, tanto quando os personagens conversam sobre música, como quando as trilhas são inseridas para caracterizar o ambiente. Trilhas que conseguem construir situações, e que dão o tom para cenas memoráveis como a de Sam em pé, passando pelo túnel.

“As Vantagens de ser Invisível” é um filme que me surpreendeu, positivamente. Acreditava que encontraria um filme básico sobre adolescência e que a imersão no filme seria pequena. Porém, é um filme que tem uma construção muito bem definida e direcionada, ele consegue te envolver do primeiro minuto até o seu final. Tem frases memoráveis, como “Escolhemos o amor que achamos que merecemos”, e muitas outras…

Sem dúvida, um filme que vale a pena ser assistido, comprado e indicado!

Confira o trailer:

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Nota: 5 Claquetes

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