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Nostalgia e novos rumos no Oscar

*também publicado no site Itunotícias

No último domingo, dia 26 de Fevereiro de 2012, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood premiou os “melhores filmes do ano”. A premiação é uma das mais influentes do cinema mundial justamente por seu apelo comercial e sua grandiosidade em relação ao cinema, à moda e à indústria mundial. Oscar é sinônimo de grande prêmio: tanto que muitos se referem a outros prêmios como o “Oscar do jornalismo” ou “Oscar brasileiro”, etc.

Aos que acompanham as premiações anteriores, é muito difícil ser surpreendido pelo Oscar. As vitórias anunciadas no Teatro Kodak costumam ser bastante congruentes com os prêmios dos sindicatos, o Globo de Ouro e até outros prêmios internacionais.

O filme francês “O Artista” foi o grande premiado da noite. Muitos entendem que o fato de a bairrista Academia premiar um filme francês causa grandes mudanças no cinema. Mas isso é mentira. Afinal, de todos os filmes concorrentes, O Artista é o que mais “bajula” a cultura estadunidense, ao enaltecer os anos de ouro do cinema da época em que “Hollywood” tinha o sufixo “Land” na famosa paisagem.

De qualquer maneira, podemos tirar interessantes conclusões ao analisar a atual situação do cinema e os premiados do Oscar.

Atualmente, o cinema vive um certo dilema de aumento  de custos e redução de público nas salas. Ao mesmo tempo em que o cinema como arte sente cada vez mais falta da sala escura, o cinema como indústria sente cada vez mais necessidade de aliar tecnologia à sua maneira de se (re)produzir. O 3D, a era digital e o uso de novas plataformas para fazer e assistir filmes já é o presente, e não mais o futuro. Podemos dizer que o cinema enfrenta uma espécie de “crise de identidade” de quem evoluiu mas pode se perder em meio a tantas novidades.

Quando se entra em crise, faz-se necessário olhar para trás a fim de pensar: quem realmente sou?, o que realmente quero?, aonde realmente vou?

Os principais premiados da noite fazem justamente isso: olham para o passado e se reinventam, em meio a uma enxurrada de elementos metalínguísticos, afinal nada é tão bom quanto usar o cinema para falar do próprio cinema.

Os principais prêmios técnicos foram ao filme “A Invenção de Hugo Cabret” (efeitos visuais, fotografia, direção de arte, edição de som e mixagem de som). O filme de Scorsese realmente consegue usar o 3D e a bela fotografia com maestria e ainda relembra os primórdios do cinema, quando filmes eram feitos com muita paixão e pouco dinheiro.

Enquanto isso, o filme “O Artista” venceu os prêmios principais da cerimônia (ator, trilha sonora, figurino, filme e direção), sendo o filme francês que mais recebeu Oscars na história. Mas afinal de contas, o filme não é tão francês como pintam: foi filmado em Los Angeles, feito em inglês, e elogia a cultura americana como poucos filmes conseguem fazer.

É como se a Academia estivesse olhando para trás, e refletindo sobre o que deve ser feito a partir de agora. Afinal, ainda há chances de se lutar por mais paixão pelo cinema, de maneira a dar boas vindas às novas tecnologias sem perder a sua essência: fazer magia e encantar.

O vencedor do Oscar de Melhor Animação, Rango, é também uma homenagem a diversas cenas clássicas do cinema, e uma forma de se olhar para o passado.

Talvez seja este o recado que estão tentando passar. Há um clima de nostalgia e saudosismo na premiação, mas quem disse que ser saudosista é ruim?

Apesar de tudo, a premiação foi chata. Sem saber inovar na cerimônia, o Oscar se tornou uma sucessão de clichês, discursos repetitivos e vestidos escandalosos. Os discursos foram pouco emocionados, as gracinhas foram sem graça e as piadas de Billy Cristal foram pouco inspiradas.

E mesmo com todos esses defeitos, o Oscar continua sendo incrível e emocionante de acompanhar.

Para ficar melhor, precisam transformar a cerimônia em um espetáculo mais belo, utilizar filmes mais “comerciais” (caso sejam feitos filmes que valham alguma estatueta – O Artista teve bilheteria ínfima), e colocar apresentadores um pouco melhores e novos.

Não basta olhar pra trás, é preciso também, e principalmente, olhar pra frente.

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