She’s Gotta Have It: O corpo de Nola Darling é politico, artístico e só dela

She’s Gotta Have It: O corpo de Nola Darling é politico, artístico e só dela

She’s Gotta Have It é um filme do cinesta Spike Lee dos anos 80 que aborda diversos temas políticos e ganhou um reboot da Netflix recentemente, levantando diversas opiniões, já que 2017 foi o ano em que começamos a fechar a cara para determinados remakes – mas no caso da obra de Lee, tudo deu muito certo e a experiencia de acompanhar a vida da protagonista em 10 episódios pode ser até mais prazerosa que ver ou rever o filme.

A produção já estreou faz um tempo mas ainda vale a pena refletir sobre algumas coisas sobre a série que chegou em um momento de tensão no mundo todo, principalmente nos Estados Unidos e tudo isso é comentado enquanto a narrativa da série nós mostra a vida da artista Nola Darling – a mulher que todos desejam e todos querem ser.

Darling é dona de si do começo ao fim da primeira temporada; sem deixar de nos mostrar o quão difícil é a vida de uma mulher negra nos dias atuais, apesar de tanta luta. A cena inicial da série nos mostra a protagonista sendo cantada por qualquer pessoa em qualquer lugar que ela esteja e mostra que uma das pautas que iremos acompanhar é a hiper-sexualização do corpo negro, mas antes disso somos apresentados ao mundo Millenial de Nola: ela está envolvida em um romance poliamor com 3 caras bem diferentes e é assumidamente pansexual.

Uma das perguntas mais feitas para a protagonista, que vai periodicamente a terapia, é se ela não cansa dessa vida ”diferente” e apesar da vulnerabilidade da artista; que vez ou outra é mostrada quando ela conversa diretamente com o espectador, vemos que ela se diverte com seu amor à três, porque ao contrário das pessoas lá fora sendo desrespeitosas com Nola, ela escolheu os namorados pra vida dela, e falando em namorados, uma das críticas negativas que She’s Gotta Have It recebeu foram as cenas de sexo (que existem em quase todas produções da Netflix) e aqui podemos dizer que é outra sacada de Spike Lee em relação as milhares de criticas que existem em relação ao corpo negro; também discutido no seriado. E

Esses corpos não estão sendo exibidos em outro lugar que não seja seus quartos, então seria um desperdício?

Provavelmente o cineasta já estava imaginando que mais uma série dessas temática levantaria esses questionamentos, já que não podemos esquecer que Dear White People recebeu as mesmas criticas negativas. A questão é que She’s Gotta Have It foi feita para nos provocar e nos fazer refletir porque tantos olhares se voltam para a vida de Nola incomodados. E a resposta sempre será a mesma: uma mulher negra jamais poderá ser empoderada e falar sobre isso, criticar o governo Trump, chamar a atenção para a violência contra outras mulheres sem incomodar. Alguém tem que fazer isso por ela antes.

Entre cartazes de manifestos, seu trabalho com as artes, os namorados e o sexo, as amigas julgando, a militância e a terapia, Nola se mostra sobrecarregada em alguns momentos do seriado e o ritmo frenético em que a protagonista vive faz com que o espectador torça para que dê tudo certo na vida de uma cativante protagonista.

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