“Dark”- (2017)

“Dark”- (2017)

Dark é uma série alemã produzida pelo Netflix. O ser humano é um ser de possibilidades, mas antes de ser, é o nada, o vazio, é um aberto. Ele deve ser pensado a partir dele mesmo, assim como o tempo deve ser pensado a partir do tempo. Segundo Martin Heidegger – filósofo alemão – é deste modo que devemos pensar o caráter do humano e o caráter do tempo, a princípio, de acordo com sua obra “O Conceito de Tempo”. O filósofo não está na busca de um conceito universal de tempo, ou seja, do tempo como “essência”. No entendimento do texto é possível afirmar que ao afirmar que devemos pensar o tempo a partir do tempo ele está querendo dizer para não aceitarmos respostas que a história e a ciência usam sobre o que é o tempo. Seria necessário fazer a experiência do tempo, do que ele seria e não objetiva-lo, e pelo contrário, participar do tempo. Na página nove da mesma obra, a qual na verdade tornou-se um texto após uma palestra, é citado o relógio como medidor do tempo, contudo, perguntamos: o que é um relógio? Antigamente o tempo era marcado e medido através das estações, como também, através da sucessão dos dias e das noites. O tempo se mostra, nós o percebemos, então, o que seria o tempo via relógio? Horas, minutos, segundos? O tempo do relógio é homogêneo – no sentido de que um agora é igual a um outro agora, ou seja, a possibilidade de deixar de ser do agora no tempo funciona como a garantia de que sempre, no agora, constataremos que uma parte já não é e a outra ainda virá a ser. “Sempre agora”: note-se que é no agora que se diz que sempre continuará o agora, pois não se pode prescindir dele para dizer isso.

Em resumo, segundo Heidegger, o tempo se mostra de início como sequências de agoras e cada agora já é um há pouco e um logo mais, de modo que se se atém a esta caracterização da sequência, não se pode encontrar princípio ou fim. Tais colocações, por mais que rasas e básicas – tendo como base um pouco da obra de Martin Heidegger, traz algumas questões que a série Dark nos faz refletir sobre.

De início, muitos encontrarão algumas semelhanças com Stranger Things – outra produção do Netflix – porém, a série em questão vai mais além. O enredo narra acontecimentos que ocorrem numa pequena cidade da Alemanha onde um dia foi construída uma usina nuclear, a qual, no decorrer da história, percebemos ter uma importância nada modesta. O envolvimento que os episódios nos traz é de fato algo peculiar. Crianças desaparecem e em outras dimensões são encontradas. Presenciamos sonhos, pesadelos e conhecemos uma caverna, que localizada no meio de uma floresta e que rodeia toda a cidade, é o local de passagem, de travessia, de mergulho para um outro agora de outro tempo.

A partir de um suicídio não explicado no ano de 2019 a narrativa se movimenta em direção ao passado, fica breve momentos no presente e modula-se, permanentemente e portanto, através do tempo. E é deste modo, que vamos conhecendo gradualmente a vida dos residentes da pequena cidade de Winden.

Uma família perde as estribeiras, outra corrompe-se num adultério e as condições financeiras de uma empresária tornam-se cada vez mais precárias. O espaço de tempo entre os acontecimentos, isto é, do passado à 2019 é de 33 anos. Jonas, um dos personagens principais de Dark e o filho que perdera o pai enforcado, é quem segue em busca da razão de sua morte. Ao passo que vasculha suas coisas no sotão abandonado pela família, encontra um mapa que dá a entender que o caminho para a solução de todo o mistério de sua morte estaria na caverna central de Winden.

O que faz de um suspense nos dar a suspensão de estarmos à beira de um colapso nervoso, ou mesmo, nos atermos fiéis ao enredo proposto, são a música e o quebra-cabeça proposto. Após um ou dois episódios estamos dentro, pertencemos à floresta de Winden e queremos solucionar o puzzle de Jonas, e junto com ele, viajamos no tempo por dez episódios contínuos de pura aflição e descobrimento, até, algo de inesperado acontecer.

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