Schulz, criador do Snoopy e Charlie Brown, faria 95 anos hoje. Como estão as personagens?

Schulz, criador do Snoopy e Charlie Brown, faria 95 anos hoje. Como estão as personagens?

Com uma caneta de bico de pena e usando nanquim, Charles M. Schulz desenhou e escreveu 17.897 tiras diárias do Snoopy (Peanuts) por quase 50 anos. Schulz faria 95 anos neste dia 26 de novembro, mas suas personagens ainda estão por aí em camisetas, bonequinhos, desenhos animados e, finalmente, em um filme.

A primeira tirinha de Peanuts foi publicada em 2 de outubro de 1950 e até 13 de fevereiro de 2000, dia em que Schulz nos deixou. O autor foi o “exército de um homem só”, pois apenas ele desenhava e roteirizava as histórias da turminha do Charlie Brown.

 

 

Ousado, à época, por trabalhar temas como a depressão, música clássica, teologia, arte e solidão em diálogos do dia a dia de crianças, Schulz alcançou nos anos 60 com Snoopy e Charlie Brown uma popularidade sem precedentes no ramo, chegando a ser publicado em mais de 70 países e com uma fortuna estimada em 55 milhões.

A caracterização das personalidades daquelas crianças era inédita e levou o ensaísta e crítico Umberto Eco a defini-las como “monstruosas reduções infantis das neuroses do cidadão moderno da civilização industrial”. Crianças em forma de adultos ou adultos em forma de crianças? Schulz sempre deixou claro que escrevia para adultos, ou melhor, para si mesmo.

 

 

Essas personagens se encaixariam no mundo de hoje? O depressivo e fracassado Charlie Brown; a egoísta e sádica Lucy; o filosófico excêntrico Linus; o obsessivo Schroeder e o sonhador inquieto Snoopy, alter ego e avatar do autor. Sobre a inserção deles, o longa-metragem “Snoopy e Charlie Brown: o filme” de 2016 trouxe a turminha para a nova geração sem tirar as personagens do mundo no qual foram criadas. No filme, não são vistos celulares e vídeo-games. Pelo contrário, vemos todos nas ruas brincando, pegando livros na biblioteca e sentados na calçada conversando.

 

O filme custou 99 milhões de dólares e arrecadou mais de 246 milhões pelo mundo todo. Buscou atingir justamente o público para o qual Schulz não escrevia, as crianças. Mas também rendeu emoção aos mais nostálgicos ao trazer para as telonas momentos consagrados nas tirinhas.

São dois eixos narrativos espelhados: temos, de um lado, o atrapalhado Charlie Brown nas situações clássicas das tirinhas e a paixão pela garotinha ruiva; de outro, o Snoopy sonhador na perseguição do rival e a paixão pela Fifi. Para as crianças, o encanto é imediato. Para os leitores mais tradicionais, talvez falte um pouco dos dilemas existenciais profundos que apareciam tanto nas tiras quanto nos desenhos animados e que citamos no início do texto.

(Você pode ler mais sobre adaptações de livros para filmes clicando aqui)

Uma curiosidade:

Em entrevista, Schulz falou sobre os desenhos animados do Snoopy e confessou que não queria que Garotinha Ruiva, a paixão de Charlie Brown, aparecesse. Ele sempre a imaginou com um rostinho bonito, mas como não se sentia capaz de desenhar uma menina bonitinha, deixou-a na imaginação dos leitores: “Chegamos a um ponto em que, na cabeça do leitor, ela já está desenhada. E é impossível superar a imagem que um leitor criou em sua imaginação”.

 

 

Sobre a ida do Snoopy para a Tv, começou timidamente numa propaganda de carros em 1961 e ganhou um primeiro curta no Especial de Natal em 1965, atingindo 55 milhões de espectadores, audiência de quase a metade dos televisores dos EUA, ganhando em seguida o Emmy de melhor animação. Ao todo, Charlie Brown e Snoopy renderam 50 especiais animados e 4 longas-metragens de animação.

Hoje a Editora LP&M tem publicadas todas as tiras em 8 volumes. É uma oportunidade para quem quer começar a ler

 

A família de Charles Schulz mantém hoje 20% dos direitos de Peanuts. O grupo canadense DHX Media comprou a marca por 345 milhões de dólares (cerca de R$ 1 bilhão).

E respondendo à pergunta do início: Snoopy, Charlie Brown e a turminha estão bem adaptados aos dias de hoje. Não envelhecem, estão sempre lá à espera de um leitor que esteja cansado e procure a paz nos conselhos de Linus, sorrir das armações da Lucy ou se emocionar com o otimismo e determinação do Charlie Brown.

A pergunta deveria ser outra: estarão as pessoas de hoje preparadas para Snoopy e Charlie Brown?

Você pode clicar aqui para conhecer mais da turminha do Peanuts!

 

 

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  • Pingback: Snoopy e Charlie Brown: qual personagem você seria? – O Miguilim()

  • Lucas Albuquerque

    Com sacadas simples e um traço tosco (no melhor sentido), como você explica esse fenômeno ser tão duradouro?

  • Bruno Luiz

    Simplicidade é a palavra. Não há poderes, nem tecnologias mirabolantes ou vilões querendo dominar o mundo para depois destruir o mundo. Em Peanuts temos apenas a boa e velha conversa jogada fora, buscando encontrar no outro peças para o quebra-cabeças que é o sentido da vida. Mas com a naturalidade e a ingenuidade das crianças. O leitor fica confortável ao ler Schulz.

  • Lucas Albuquerque

    quando eu escrevi “sacadas simples” imaginei que tinha dado a resposta mesmo hehe