As Mathildas #18: Precisamos falar sobre sexualização precoce

As Mathildas #18: Precisamos falar sobre sexualização precoce

As Mathildas está de volta com mais um episódio de hoje está lacrante! Como amamos polêmicas, trouxemos mais uma para vocês: precisamos falar sobre sexualização precoce. Desta vez, nós convidamos a psicóloga Barbara Pongeluppe para falar desse assunto que ficou em voga depois da aparição da nossa querida Eleven, a atriz Millie Bobby Brown, na estreia da segunda temporada de Stranger Things.

O papo rendeu: quem tem a culpa no cartório? As meninas não podem usar roupas para parecerem mais velhas? Ou são as pessoas que precisam desconstruir o olhar sobre isso? Vem com a gente e escuta esse cast, porque tá valendo muito a pena!

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Alguns materiais citados durante o papo foram:

Cultura das Mathildas (nossas indicações):

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Edição: ISSOaí Design Estratégico

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  • Camila Bueno

    Oi, eu precisei parar o episódio para comentar, tem uns 5 meses que voltei para o Brasil, estava morando em Boca Raton, na Flórida. Uma coisa de me fez pensar muito o quanto as nossas roupas são vistas no Brasil foi que lá ninguém liga para a forma que você se veste, era muito comum aqueles shorts que mostra a polpa da bunda. Agora que estou morando aqui de novo só uso meus shots e vestidos em casa por medo.

  • Oi Camila, tudo bem? Obrigada por vir até aqui e deixar um comentário! Infelizmente o medo é real, e somos sempre julgadas pelo que estamos vestindo. Força mana, esperamos que isso melhore logo! Beijo e volte sempre!

  • Bru Leão

    Oi meninas, parabéns pelo trabalho que continua maravilhoso. Esse tema é extremamente necessário, é uma coisa que precisa ser realmente mexida na sociedade que a gente vive. Não é uma coincidência que 4 das minhas 8 melhores amigas mais próximas (incluindo garotas com quem já namorei) foram abusadas sexualmente quando crianças. Eu acho que há muito tempo deixou de ser uma questão de pedofilia (da pessoa realmente ter uma inclinação/distúrbio que faz “querer” crianças) e muito mais uma coisa que ficou anestesiada e mais ou menos aceita pelo mundo em que vivemos. Não é a toa que ainda existe muita gente que assiste Lolita ( eu nem digo ler o livro, porque acho que o autor deixa a pedofilia muito mais problemática e escancarada que nos filmes) e enxerga como uma história de amor. E cara, não é. Tá na hora de a gente começar a notar esse tipo de comportamento. Uma parte dos homens do povo brasileiro conseguiu assediar e falar abertamente sobre “fazer sexo” (lê-le estupro) com uma menina no Masterchef Júnior que tinha 13 anos. Não era 16, não era 15, era 13 anos. Parabéns pelo tema pesado mas tratado com maestria.
    Um beijo do assíduo ouvinte ouvinte de vocês,
    Bru.

  • Laisa Silva

    Uau. Digitando com os pés porque as mãos estão aplaudindo.
    Vivi quase que minha vida toda em uma cidade de interior onde machismo é quase uma regra, por conta da minha profissão sempre trabalhei rodeada de homens e tinha que escutar comentários nojentos sobre a roupa com a qual a pessoa ia para a academia e fazer qualquer outra coisa. Tudo o que vocês falaram é tão real e tão doloroso. Eu vivo em constante medo no Brasil, medo por mim, pelas crianças que conheço onde as meninas são ensinadas a serem mulheres donas de casa serventes de homem e os meninos ensinados a serem pegadores machistas. E isso é tão presente que as vezes até quando a gente encontra um cara legal é difícil confiar totalmente que ele não será nojento como a maioria que a gente conhece.

    Parabéns meninas. Melhor podcast da atualidade

  • Iole Melo

    Olá Laisa!
    Muito obrigada pelo seu comentário.

    Infelizmente, essa sensação de medo e alerta constantes está presente na vida de todas as mulheres. Algumas mais e algumas menos, mas todas nós passamos por isso.

    Por isso estamos nessa luta de realmente escrachar, botar na mesa, todos esses problemas. Acreditamos que o diálogo é o primeiro passo para ação.

    Nossa realidade é triste, mas seguimos lutando para melhorar, pra gente e para a próxima geração de meninas e mulheres que vem por aí!

    Muito obrigada novamente pela sua fala e pelo elogio!

    Beijos beijos,
    Iole e Grecia

  • Iole Melo

    Oi Bru!
    Muito bom ver você comentando aqui de novo! 🙂

    Realmente, não é um distúrbio mental, é sintoma de uma sociedade conivente com abuso de menores, principalmente meninas, que se manifesta na erotização de crianças e torna “normal” comentários de cunho sexual com garotas de 12 anos.

    Muito obrigada pelo comentário e esse breve diálogo que temos aqui!

    Abraços,
    Iole e Grecia

  • Oi a todas!

    Sou o Tiago de Lima Castro, e voltando para comentar sobre esse episódio:

    1) Queria comentar só esse artigo que explica o boato de terem considerado a menininha do Stranger Things uma das mulheres mais sexys e tal: http://www.e-farsas.com/millie-bobby-brown-eleven-de-stranger-things-foi-eleita-mais-sexy-do-mundo.html

    2) Pessoalmente, tenho sérias dúvidas se criança deveria gravar filmes e séries. O pessoal do teatro, principalmente nas áreas de pesquisa sobre educação, tem bons indícios que os aplausos por interpretar outra pessoa em crianças muito novas pode ser lesivo. Mas não conheço o tema a fundo para comentar, mas um dos motivos de não ter assistido a série é por não ser favorável a crianças filmando, expondo-se, ganhando atenção acima do normal, sei lá…
    O problema também é: nestes casos, essas atrizes e atores tem a vestimenta direcionada por seus assistentes, não são eles que decidem o que vestir dentro ou fora da série em eventos públicos. O que torna a coisa muita mais complicada, pois tem um adulto, ou adulta, escolhendo a roupa da criança tanto no personagem como em eventos fora. Nesse aspecto, tenho dúvidas o quanto os pais percebem a sexualização das próprias crianças, mas falo em outro item.

    3) Sobre a questão se a roupa causa olhar sexualizado de adultos – crianças, pré-adolescentes e mesmo adolescentes não tem tem o pleno desenvolvimento para ter intenção clara em seu olhar – , de um ponto de vista antropológico é a construção daquele grupo que traz sexualidade a roupa. Por essa perspectiva, o problema é do adulto, pois a criança simplesmente está se vestindo e reagindo a elogios por como está vestida. Mesmo tendo uma sexualidade latente, é o adulto que está sexualizando a situação. Infelizmente, esse tipo de sexualização acaba incentivando o abuso de crianças – tendo em mente que pedofilia também é uma doença em que nem sempre quem a tem comete o abuso em si, e, infelizmente, a maioria dos abusos é cometido por parentes -, ao reforçar o argumento de que a criança tem conscientemente uma postura sexualizante. A presença de desejo latente e tal, é algo que existe mesmo, mas incentivar o olhar sexualizado por parte do adulto é mais complexo.

    4) Mais do que o incentivo as crianças a se sexualizarem, o problema é que os pais estão acostumados com essa situação. Como professor, já vi meninas serem, sexualizadas pelos pais, principalmente, através da forma que aplica a maquiagem, como uma adulta, mais do que a roupa, em alguns casos.
    Todo pré-adolescente, menina ou menino, quer se vestir como adulto e ser identificado enquanto tal, pois é um fenômeno psicológico. Nisso, passa por certa erotização latente e não completamente consciente. O problema é muitos pais incentivam a menina a se sexualizar por ser algo normal a um bom tempo.
    Temos que pensar, de um ponto de vista histórico, que até pouco tempo, a partir da primeira menstruação a menina era considerada mulher e era apresentada a sociedade para arrumar casamento, a festa de 15 anos não deixava de ser uma vitrine para mostrar a nova mulher a sociedade. Essa proximidade histórica faz a sexualização precoce algo normal. A infância enquanto tal, é uma construção teórica dos iluministas, principalmente por Rousseau, a pré-adolescência por Freud e a adolescência a partir dos anos 40.
    Aí junta essa proximidade histórica com a incapacidade – quando tudo amba bem nessa família – dos pais de terem um olhar sexualizado sobre as filhas e filhos. Para uma mãe e um pai que não tem desvios sexuais, até a filha com vestido de casamento é uma bebê lindinha para ambos, mesmo com a consciência sobre a sexualidade dela.
    Por isso essa luta é complexa: necessita compreender o “elemento Lolita”, uma sexualidade latente não bem compreendida pela própria criança, e a possibilidade de olhar lascivo pelo adulto, sendo este sim um ato criminoso pois tem plena condições de não ter esse olhar, ou de buscar ajuda psicológica se o têm.

    5) Penso que a maior problemática dessa discussão é trazer a mídia para a ação dos pais. Penso até que a sexualização das crianças não é fruto da mídia, mas esta só reproduz uma prática presente nos pais desde as tradicionais festas de 15 anos – até porque quando estas surgiram, a valsa era vista até como uma dança de cunho sexual…

    Tudo de bom a todas!

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