41ª Mostra de São Paulo | Happy End, Tenha um Bom Dia e Bikini Moon

41ª Mostra de São Paulo | Happy End, Tenha um Bom Dia e Bikini Moon

3 filmes de destaque, 3 filmes polêmicos, 3 filmes que provocam. Em Happy End, indicado da Áustria para o Oscar, o cultuado e sádico diretor Michael Haneke retrata com ironia a miséria de uma família burguês francesa, com a crise dos refugiados – tão presente nessa mostra – como pano de fundo. Já na controversa animação Tenha um Bom Dia, destaque no festival de Berlim e banida no Annecy International Animated Film Festival pelo governo chinês, retrata um submundo de influências pop do exterior que possuem significados mais insidiosos. Em Bikini Moon, do diretor Milcho Manchevski, acompanhamos uma das obras mais surtadas da 41ª Mostra: uma ficção sobre um documentário que, por sua vez, é sobre pessoas fazendo um documentário sobre uma moradora de rua e suposta ex-veterana da guerra no Iraque. Confira breves comentários sobre as obras abaixo e passe no  nervos.com.brnosso parceiro da  mostra, para ler os textos na íntegra e conferir outros conteúdos.

41ª Mostra de São Paulo: Três Anúncios Para Um Crime, Scary Mother e O Vento Sopra Onde Quer

41ª Mostra de São Paulo | Human Flow, O Rebanho e Equilíbrio

Happy End

França, Alemanha, Áustria, 2017, cor, diigital, 107 min. Ficção. Direção e roteiro _ Michael Haneke

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O disputado “Happy End”, de Michael Haneke

Happy End, indicado da Áustria para o Oscar e mais novo filme do cultuado Michael Haneke encontra um lugar muito específico na filmografia do diretor. Bebendo de uma perversidade irônica mais propensa à um Violência Gratuita ( 1997/2007) do que um Caché (2005), é uma obra que escancara já em seu título a real piada. Estamos falando Michael Haneke, então é óbvio que não teremos um final feliz. Se isso teoricamente é subjetivo, aqui o diretor é bem literal em festejar a miséria de uma família da alta elite francesa. Miséria que vem na forma da depressão, psicopatia, estupidez e banalidade, decorrentes de gerações de negligenciamento às classes inferiores e simplesmente ao mundo ao seu redor. Se em Caché (2005) o confronto dos atos passados, preconceituosos e racistas de seu protagonista – e de uma França da alta patente que ocultava tal histórico – o assombravam e causava a reflexão, na tragicomédia que é Happy End,não há tal reflexão, e o que resta é acompanhar a deterioração dessa família de dentro, a começar pela pequena Eve (Fantine Harduin) e terminando no avô Georges (Jean-Louis Trintignant). Não há salvação para ninguém.

O que torna Happy End inferior na filmografia de seu diretor é, no entanto, uma certa pedância – narrativa, inclusive – e referências literais a situações de seus filmes anteriores, tornando Happy End uma espécie de sequência do poderoso Amor (2012). No entanto, não há explorações ou até mesmo uma conscientização – por mais que os filmes de Haneke sejam sádicos, eles sempre fizeram o espectador refletir. Aqui, o diretor parece contentar-se com com a contemplação, com o simples ato de olhar, e se a expectativa sempre foi parte essencial de seus filmes, aqui ela só existe pela diversão de ver aquela desgraça toda. As melhores sequências são aquelas de exploração, dos ambientes transformadores de indivíduos, e é justamente a relação – assim como os paralelos traçados – entre Georges e Eve que torna Happy End interessante. Nota: 3 claquetes


SESSÕES:

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1

28/10/17 – 21:50 – Sessão: 924 (Sábado)

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1

29/10/17 – 19:30 – Sessão: 1061 (Domingo)

CINEARTE 1

30/10/17 – 16:10 – Sessão: 1116 (Segunda)


Tenha um Bom Dia

China, 2017, cor, digital, 77 min. Animação. Direção e roteiro _ Liu Jian

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a animação “Tenha um Bom Dia”

Num mundo onde vemos dezenas de produções influenciadas por Tarantino e irmãos Coen, com o diálogo excêntrico à partir do banal e inúmeras referências pop que resultam em produções vazias e estéreis do ponto de vista criativo, é revigorante ver uma produção -ainda mais animação – que pega toda essa bagagem da cultura pop ocidental e a revira em si, perfurando suas origens e abordando um significado mais preocupante: o tal do “sonho americano”. É isso que o chinês Tenha Um Bom Dia faz. Destaque no festival de Berlim e banido pelo governo chinês do festival de animação Annecy International Animated Film Festival, o filme de Liu Jian acompanha o motorista Xiao Zhang, que rouba 1 milhão de yuans de seu chefe, porque sua noiva precisa corrigir uma cirurgia plástica que deu errado. O que vemos à seguir é uma leva de personagens excêntricos -entre assassinos, perdedores e pessoas que apenas querem faturar um dinheiro – no encalço de Zhang. Cada um com seus objetivos, mas todos influenciados de alguma forma por ideais ocidentais há muito cimentados em suas cabeças. Citações a Donald Trump, Brexit, Rocky Balboa, Mark Zuckerberg e outras personalidades dominam a trama, que poderia se aprofundar mais nos temas mas ainda assim consegue ser ácida com seu tom todo particular. Nota: 3,5 claquetes


SESSÕES:

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA ANEXO 4

30/10/17 – 14:00 – Sessão: 1142 (Segunda)

MIS – MUSEU DA IMAGEM E DO SOM

01/11/17 – 16:50 – Sessão: 1387 (Quarta)


Bikini Moon

EUA, 2017, cor, digital, 102 min. Ficção. Direção e roteiro _ Milcho Manchevski

Bikini Moon é um filme de ficção sobre um documentário que, por sua vez, é sobre pessoas fazendo um documentário sobre uma moradora de rua e suposta ex-veterana da guerra no Iraque. É também um dos filmes mais estranhos e surtados do festival. Com uma abordagem metalinguística, o diretor Milcho Manchevski retira lentamente as camadas de uma narrativa que está a todo tempo questionando a realidade. Começamos com Bikini (Condola Rashad, excelente), a força da natureza arrebatadora que move este filme, e e o casal composto por Kate (Sarah Goldberg) e Trevor (Will Janowitz), que encabeçam a equipe que pretende explorar a história de Bikini, e sua conturbada rotina que conta – entre a procura de um lugar pra morar e outras coisas – com a busca por uma suposta filha. Aos poucos, a relação daqueles personagens fica mais fantasiosa e inverossímil, até o ponto em que a própria linguagem, a própria narrativa é posta em cheque. Ousado nestas propostas, Bikini Moon eventualmente se perde em suas próprias pirações, o que não deixa de ser irônico e até mesmo poético. Nota: 4 claquetes


SESSÕES:

CINEARTE 1

30/10/17 – 14:00 – Sessão: 1115 (Segunda)

*Sessões conjuntas com o curta O Fim do Tempo, também de Milcho Manchevski


Para Conferir a programação da 41ª mostra, entre no site:

http://41.mostra.org/br/home/ 

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