Crítica: Severina (41ª Mostra de Cinema de São Paulo)
Severina, de Felipe Hirsch

Crítica: Severina (41ª Mostra de Cinema de São Paulo)

“Severina” é uma celebração do amor aos livros e a tudo mais que eles podem nos trazer.

 

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Felipe Hirsch
Elenco: Javier Drolas, Carla Quevedo, Daniel Hendler, Alejandro Awada.
Nacionalidade e lançamento: Brasil/Uruguai, 2017 (6 de agosto de 2017 no Festival de Locarno, Suíça; 20, 21 e 29 de outubro de 2017 no Brasil – Mostra de Cinema de São Paulo)

 

Um filme dirigido por um brasileiro que se passa no Uruguai: se “O Silêncio do Céu” veio à mente, esta é praticamente a única semelhança entre os dois filmes (além de serem baseados em livros). “Severina” é uma narrativa tão melancólica quanto seu próprio protagonista, vivido por Javier Drolas (sim, você deve se lembrar dele de Medianeras).

Dono de uma livraria parada no tempo – tal qual sua vizinhança – o protagonista parece esperar que algo aconteça… e eis que acontece: a bela Ana (Carla Quevedo) cruza seu caminho, a princípio roubando alguns livros de sua loja, para em seguida se tornar um misterioso interesse amoroso.

Cada vez mais absurda, a trama vai pouco a pouco mostrando os desencontros da jovem viciada em livros – e em roubá-los – e na condescendência do livreiro, cujo nome não é mencionado.

Baseado em uma obra literária – como não podia deixar de ser, dada a sua temática – o filme é muito mais sobre sua mensagem e atmosfera que sua trama. Sentimos as palavras dos livros ecoarem pelas paredes e somos levados a amar e esperar pelos próximos capítulos tal qual o aspirante a escritor. Ele, mergulhado em uma vivência que lhe tira da rotina enfadonha. Nós, mergulhados em um mistério que parece que será solucionado a qualquer momento.

 

 

Severina tem fotografia acinzentada, pouco saturada, como as primeiras luzes da manhã, período bastante presente nas cenas. As elipses contribuem com o mistério e fazem do filme de Felipe Hirsch ainda mais interessante, episódio por natureza.

No fim das contas, resta o questionamento sobre o que é real e o que é fictício. Seriam os livros capazes de nos levar a vivências tão importantes quanto as vivências “reais”?

ARQUIVO 11/07/2017 CADERNO2 / CADERNO 2 / C2 / USO EDITORIAL RESTRITO / CENA DO FILME SEVERINA, DE FELIPE HIRSCH. FOTO R/T FEATURES

Alguns acontecimentos parecem não colaborar com o princípio de questionar realidade e ficção. Podem ter sentidos metafóricos (enterrar o passado como forma de perdoar?) ou até mesmo referências literárias (Jorge Luís Borges como a síntese máxima do amor aos livros?), mas tiram a sucintez da obra.

O que pelo menos não faz de Severina uma obra menos poética, literária e inspiradora.

 

 

 

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