1922 | Crítica (Original Netflix, 2017)

1922 | Crítica (Original Netflix, 2017)

1992 é mais uma produção da Netflix que se baseia nas obras de Stephen King e não decepciona.

Ficha técnica:
Direção: Zak Hilditch
Roteiro: Obra original de Stephen King, Zak Hilditch
Elenco: Molly Parker, Thomas Jane, Dylan Schmidt 
Nacionalidade e lançamento:
Canadá, 2017 (20 de outubro)
Sinopse: Wilfred James é apenas um pacato fazendeiro e bola um plano mirabolante e obscuro para resolver seus problemas com a mulher.

1922 tem tudo para ser mais uma obra de Stephen King à ser aclamada pela crítica em 2017. Não é preciso mencionar aqui o sucesso de IT – Uma Obra Prima do medo, o longa A Torre Negra e as novas séries que foram feitas baseadas nas obras do escritor, como Mr. Mercedes e o Nevoeiro (que já foi cancelada), além do também ótimo Jogo Perigoso, que também é assinado pela Netflix e estreou no catalogo do streaming em Setembro.

Com 1922 não foi diferente. Inspirado em mais uma obra do mestre do suspense, a narrativa nos mostra a história de Wilfred, um fazendeiro que sabe muito bem o que quer. O ano é o mesmo do título e Arlette (Molly Parker) não aguenta mais viver na fazenda de seu marido, no Nebraska. Herdeira de algumas terras próximo a uma ferrovia, o sonho de viver em uma cidade grande está cada vez mais próximo pra a personagem, mas Wilfred entra no caminho desse sonho, envolvendo o filho Henry (Dylan Schmidt) no meio de seu mais profundo devaneio.

O longa nos mostra uma família já em polvorosa com provocações disparadas a torto e a direito, em uma época que só filhos homens valiam de algo a seus pais. O fazendeiro faz a cabeça do filho que também não gosta da mudança de ares que sua mãe queria proporcionar a filha e isso resulta no assassinato de Arlette, sem muita enrolação e debates internos por parte do protagonista que nos narra a história através de uma carta onde confessa seu crime.

Wilfred e seu filho cometem o ato como se aquela mulher fosse uma estranha para os dois, em uma cena bem crua onde o diretor realmente faz com que o espectador sinta que está vendo uma boa adaptação de King, que como já sabemos, não poupa esforços para que seu público fique incomodado com a ferocidade de sua escrita.

A partir do assassinato, 1922 uma produção com alguns altos e baixos em sua narrativa que apesar de boa e consistente, fica massante em certos momentos onde o longa ainda está se encontrando, mas não é nada que revogue a experiencia de mergulhar no universo de King mais uma vez. As cenas do filme passam sempre a sensação de que pai e filho estão fechados e isolados do mundo; que sente a falta de Arlette. Alguns personagens passam pelo local e se questionam onde ela está enquanto Wilfred sustenta a história de que a matriarca está na capital.

Durante às quase duas horas de 1922, não vemos o fazendeiro demonstrar nenhum tipo de remorso na frente dos outros, enquanto Henry deixa transparecer que a culpa está matando ele por dentro e joga isso na cara do pai algumas vezes. Para a polícia, a mãe fugiu e bem debaixo do nariz de todos, o corpo de Arlette segue apodrecendo no poço da fazenda, onde o patriarca decidiu enterra-la para despistar qualquer um que se metesse a besta com suas terras.

O filme se encontra e volta a despertar nosso interesse quando a culpa vem à tona e os homens da família James começam a se comportar de maneira louca; deixando de entender como funciona a vida. Wilfred é assombrado pela ultima imagem que tem da esposa e o único filho dos dois acaba não levando a sério o conselho de sua mãe e engravida a namorada, tornando a vida dos dois uma fuga inviável por conta da época que se passa a história.

A narração vai direto ao ponto que é mostrar a audiência como a culpa pode acabar com um ser humano sem que seja preciso outras pessoas o assolarem para isso. É o que a vida de Wilfred, o fazendeiro turrão com sotaque forte se torna após seu grande erro. Um mar recheado de ansiedade e culpa, que o faz questionar todas suas escolhas no final e o leva a escrever uma carta contando seus feitos.

1992 é uma produção crua, e a direção de Hilditch é bem precisa enquanto ele vai se encontrando com sua história. O filme pode não ser tão emocionante quanto outras produções do gênero mas é um bom thriller psicológico que teria o mesmo caminho que O Nevoeiro se fosse produzido da mesma forma.

 

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

  • THIAGO MENILLO

    Ruim, não emociona, não dá medo, não tem suspense. O mais aterrador é o filho comprar a ideia de matar a mãe, mas o decorrer disso é fraco.

  • Ligia Santos

    A Netflix acertou de novo. Filme fiel em tudo ao estilo King: violência em família, vaidade, ganância, culpa e a perda lenta da sanidade. Atuações, fotografia e música (do querido Mike Patton) perfeitas. Fernanda, gostei da crítica e acho que merecia revisão ortográfica para acertar escorregadas aqui e ali. Parabéns pelo site.