Crítica: As Aventuras do Capitão Cueca (2017) – Melhor animação do ano

Crítica: As Aventuras do Capitão Cueca (2017) – Melhor animação do ano

As Aventuras do Capitão Cueca é a melhor animação do ano, funciona para adultos e crianças.

Ficha técnica:
Direção: David Soren
Roteiro: Nicholas Stoller
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (12 de outubro de 2017 no Brasil)

Em 2017 a coisa não está boa para animações. Na corrida do Oscar ainda vimos algumas excelentes, lançadas aqui este ano, mas que são originalmente do ano passado, vide Minha Vida de Abobrinha e A Tartaruga Vermelha, ambas com temas adultos. No mais, principalmente para as crianças, nenhuma com grande destaque – honroso grito solitário em O Poderoso Chefinho.

As Aventuras do Capitão Cueca vem, portanto, como um oásis. Praticamente tudo que você pode querer de um longa no gênero vemos aqui. Não condeno de forma alguma uma animação que seja voltada só para o público infantil, mas é ótimo quando ela também dialogo com os pais que levam a criançada ao cinema. Na obra em questão há o combo perfeito: uma aventura divertida, com uma mensagem bacana e que não trata a criança como idiota, junto com muitas referências para os adultos e um humor sagaz.

Além disso, o que tem de tão curioso e que me fez rasgar os elogios iniciais? O mérito já começa na trama: dois amigos de escola escrevem e desenham HQs, dentre elas a do super-herói Capitão Cueca. A brincadeira ganha corpo quando eles acabam hipnotizando o diretor do colégio, o senhor Krupp, fazendo-o achar que ele é o Capitão Cueca.

Na abertura vemos uma mistura de Star Wars, Super-Homem e uma dose da imaginação das crianças. A apresentação do Capitão Cueca é feita pelos protagonistas de maneira lúdica, através dos quadrinhos. E tal metalinguagem não acorre só ali, como perpassa toda a obra. Outro elemento de relevo é a quebra da quarta parede quando os garotos conversam diretamente com o público. A referência ao Curtindo a Vida Adoidado é clara, até sonora.

Curioso equilíbrio entre personagens que ao mesmo tempo são peraltas fazendo estripulias que passam dos limites (lembrando o nacional Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, também em cartaz) e que tentam defender os alunos, além de uma exímia produção criativa. Ou seja, não são crianças unidimensionais. A piada mais monotônica cai na conta do aluno puxa saco, mas que mesmo ela é ressignificada e tem sentido narrativo.

Além de ter um texto redondinho, com causas e consequências muito bem delimitadas, o diretor David Soren insere bem os momentos de crítica. Alfinetadas aos críticos de cinema, quando ele assume que tem “estilo de comédia mais baixa” meio que abre uma licença para as famigeradas piadas com peido – que aqui funcionam não só por isso. Há também o uso da nota de sites famosos como o Rotten. Outra crítica forte é ao sistema de ensino que cria uma “Colmeia de robozinhos bem sincronizada”.

Em pequenos momentos que podem passar despercebidos para os mais desatentos, Soren brinca com musicais da Disney e com o herói quixotesco. O tom de cartoon, no sentido amplo e restrito, ajuda nessas composições.

Mesmo beirando o politicamente incorreto, a lição final (sim, um filme tem uma moral “bonitinha”) é produtiva para as crianças valorizarem a amizade e aprenderem a lidar com problemas. E o melhor: a coisa é passada sem soar pedante ou professoral.

Quem se engajar pelo universo vale duas dicas, uma externa e outra interna ao filme: o longa é baseado em uma série de livros de relativo sucesso entre a criançada. E durante os créditos tem uma hilária cena pós-créditos que funciona perfeitamente como tal, a espera nem é tão longa e a piada é ótima.

As Aventuras do Capitão Cueca me ganhou, portanto, do começo ao fim. Quero mais aventuras (e acho que preciso de mais cuecas também) assim e iriei me divertir como uma criança, com imaginação e inocência.

 

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