Crítica: Churchill (2017)

Crítica: Churchill (2017)

Churchill (2017) tem méritos interpretativos e históricos, porém escorrega na direção e no tom do filme.

Ficha técnica:
Direção: Jonathan Teplitzky
Roteiro: Alex von Tunzelmann
Elenco: Brian Cox, Miranda Richardson, John Slattery
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido, 2017 (05 de outubro de 2017 no Brasil).

Winston Churchill foi eleito o britânico mais importante de todos os tempos em uma votação feita pela BBC, o ex-Primeiro-Ministro inglês ficou na frente de nomes como Princesa Diana, Charles Darwin, William Shakespeare e John Lennon. Mesmo com importância grande na 2ª Guerra e vencedor de um Nobel de Literatura, Churchill foi, além de cultuado, desacreditado. Sendo uma figura bem polêmica.

O longa Churchill (2017), dirigido por Jonathan Teplitzky, não se propõe a fazer uma biografia exaustiva daquele vulto. Há um claro recorte que envolve as decisões e momentos que antecederam o icônico dia D, na segunda grande guerra. Foca-se em como Winston Churchill (Brian Cox) estava resoluto nos ideais e era considerado um velho ultrapassado por uns e ainda idolatrado e respeitado por outros. Além de abordar as relações pessoais dele, especialmente com a companheira Clemmie Churchill (Miranda Richardson).

O filme se inicia com um prólogo que traça uma analogia ente o chapéu de Churchill e a situação dos jovens na guerra. Além da piada, há pouco de função narrativa ali. Tal cenário, de outra maneira, é resgatado no epilogo, finalizado com frases explicativas da situação posterior. Filmes biográficos/ históricos tendem a usar esse artifício que no fundo significa: “o público não vai pesquisar depois”, uma pena que os realizadores pensem assim.

E a lamentação é maior dado que o filme acerta em uma escolha certeira: ele não explica antecipadamente quem é Churchill, o longa se deixa explicar isso ao longo do primeiro ato. Exemplos bem sucedidos são vistos quando a primeira referência ao nome dele é Winston, dito pela esposa, dando uma intimidade para o público. Outro ponto favorável, é mostrar a preparação dos discursos, a procura pela palavra mais precisa, ou ainda, o jeito como ele olha e fala com a futura secretária, ela que demonstra uma admiração grande, evidenciando a capacidade de penetração e a importância dele pra nação.

Há também uma construção, em um tom quase cômico, do lado falastrão e teimoso. O jeito como os outros oficiais o encaram, com um certo desdém, também é marcado. Ele, contudo, fica resoluto. Temos, assim, um protagonista pronto, cheio de camadas e com decisões difíceis de serem tomadas.

Para garantir uma empatia com o espectador, um fator seria essencial: a atuação. E não há o que reclamar de Cox. A composição churchillana dele é perfeita. Beira a caricatura, mas condiz com os traços exagerados do personagem real. A câmera o busca com closes que facilitam o público de ver pequenos movimentos labiais e um olhar que hipnotizam. O andar dele também merece atenção, além das alternâncias entre vigor e fragilidade. Para um tempero a mais, em um dado momento, Cox quebra a quarta parede e dá um sorrisinho canastrão para a câmera.

Miranda Richardson, apesar da personagem aparecer em momentos oportunos como facilitadora do roteiro, cresce mais que o texto. O melhor diálogo dos dois compara o relacionamento deles com o contexto daquele instante. Cada arrombo dela e cada momento de apaziguar, Richardson impõe um esforço natural e sutil na personagem.

A fotografia, televisiva em alguns momentos – como é o tom quase que do filme inteiro (reflexo da experiência do diretor nessa linha), tem um certo destaque. Vide um plano de Churchill em frente a vitrais. Ele está pequeno e deslocado do centro, denotando um abandono e desorientação.

Já a trilha parece não confiar na capacidade da história. Sendo uma presença constante e guiando o sentimento do público com notas óbvias e piegas. Usar tal ferramenta pontualmente pode funcionar, martelar com frequência, cansa e dá o efeito oposto: tira a emoção natural, ao invés de reforçá-la.

Essa falta de confiança é vista no próprio roteiro, em diálogo com a direção. Várias situações ficam ensaiadas e quase que episódicas. Falta ousadia e uma montagem menos encaixadinha. Causado em partes pelo fio narrativo estar sendo reiterado por um contador de dias para o Dia D e também pela movimentação dos personagens. Acada tudo sendo marcadinho e adocicado. Até momentos tensos, por exemplo com a secretária, que funcionam em certo nível, acabam boicotados.

O humor, apesar de potencialmente arrancar alguns risos, fica previsível. O desenvolvimento e a cadência é forçada. Os problemas de ritmo têm o ápice em um momento dramático, o diálogo entre Churchill e o rei. A cena é morosa, com pouco movimento e sai do trilho. Parece que foi gravada depois ou que não foi tratada devidamente.

Churchill (2017) tem um personagem maior que o filme, atuações que engrandecem o todo, mas fraqueja e acaba esquecível. Soa como um entretenimento passageiro. Os méritos históricos merecem elogios, porém o recorte escolhido permitiria ir além.

 

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