Crítica: Divinas Divas (2017)

Crítica: Divinas Divas (2017)

Divinas Divas é glamour, carinho e delicadeza.

Ficha técnica:
Direção: Leandra Leal
Elenco: Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa e Brigitte de Búzios
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 22 de junho de 2017

A Leandra Leal atriz de novela e de diversos filmes (como Bingo) você já conhece. Como diretora, ela estreia com um trabalho bem pessoal. O documentário Dividas Divas coloca holofotes em Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Marquesa e Brigitte de Búzios. Elas há 50 anos iniciaram uma revolução: artistas travestis como protagonistas, tendo como um dos palcos principais o teatro Rival, além de diversos show no exterior.

O teatro é da família de Leandra, ela conviveu com as artistas desde pequena. O laço, para o bem ou para mal, fica muito nítido. Como ponto positivo, fica evidente uma desenvoltura para circular naquele ambiente e para extrair declarações belíssimas das biografadas. Já no lado oposto, causou um longa inchado. Por carinho, ela teve dificuldade em cortar certos trechos que ficaram alongados. As 1h50 pesam no todo.

A preparação para o show em homenagem é o mote principal. Vemos os ensaios, discussões e diálogos com as lembranças do local. Tudo isso intercalado com narrações em off de Leandra Leal que contextualiza a relação dela com alguns daqueles momentos.

O recorte proposto não é de uma biografia exaustiva de cada uma das Divas. Um filme nem daria conta disso. O que vemos são pinceladas que tratam no tom, sem ficar superficial. Ainda assim, acabam tendo mais destaque que outras. Aqui faltou um pouco de equilíbrio.

No entanto, o saldo fica no azul. As personagens falam por si e são extremamente carismáticas. As histórias que elas contam transitam entre amores, repressão e aspectos íntimos da operação de retirada do pênis. Contudo, a diretora não fica preguiçosa ante essa facilidade. O filme consegue ir além, em especial no trabalho de câmera, na recuperação de arquivos e em explorar o glamour – vide a cena de abertura.

Não temos, portanto, um filme só com um tema importante e bem escolhido. Há méritos cinematográficos destacáveis. Mesmo a montagem, que peca pela falta de uma mão mais firme, tem boas sacadas e deixa o tom leve.

Como nota triste, temos que durante o longo processo de pós-produção, Marquesa faleceu. E pouco depois do lançamento do filme Rogéria, talvez a mais famosa entre elas, também nos deixou. O documentário fica como homenagem àquelas figuras tão marcantes…

 

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