Crítica: Kingsman: O Círculo Dourado (2017)

Crítica: Kingsman: O Círculo Dourado (2017)

Kingsman: O Círculo Dourado ainda diverte e entretém, mas fica à sombra do anterior.

Ficha técnica: 
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Matthew Vaughn, Jane Goldman
Elenco: Taron Egerton, Mark Strong, Julianne Moore, Jeff Bridges, Elton John
Sinopse: os agentes da Kingsman têm que lidar com uma super vilã que comercializa drogas, ao mesmo tempo que precisam lidar com fantasmas internos.

Para muitos, Kingsman foi o melhor filme de 007 dos últimos tempos. Além da paródia assumida, houve o combo charme + ação + humor no tom certinho – que lembraram os melhores tempos do agente Bond, James Bond. Baseado em uma HQ, da qual houve um bem-vindo distanciamento, o longa andou com as próprias pernas e rendeu uma bilheteria gorda e agradou muitos críticos.

A presente continuação (não tenho dúvidas que virão outras) tem momentos que soa requentada e em outros volta a ter boas ideias. Vale o comentário que quem não viu o primeiro irá perder muita coisa aqui. A recomendação é que tenha fresco na mente o Kingsman Serviço Secreto de 2014.

A história ganha um braço no EUA dado um evento que o primeiro ato estica um tanto, isso pesa nas quase duas horas e meia de projeção. O fio narrativo que incorpora o tema das drogas é inteligente e dá uma camada a mais para as explosões. Além de ser um retrato deste tempo e da visão dos idealizadores (alguns poderão receber de forma melhor ou pior o assunto, o que também é ótimo).

Boa parte do elenco principal volta e é acrescido de nomes grandes e uma participação pra lá de especial. Julianne Moore é a vilã da vez. A Poppy dela tem ares exagerados que cabem na proposta Kingsman/Bond. Todo o arco vilanesco não soa gratuito e tem uma direção de arte recheada de elementos tecnológicos/velho oeste – o contraste, um dos vários no filme, agrada.

Os demais estreantes na franquia, dado a quantidade deles, fazem uma quase figuração, com exceção de dois: Jeff Bridges doa um carisma-canastrão, como quase sempre e o astro da música Elton John. A piada/presença deste funciona uma, duas, três vezes… na décima quinta, já satura…

Alguns dos problemas que apontei em Guardiões da Galáxia 2 estão presentes aqui também. Há uma falta de ritmo que alterna um 300km por hora com barrigas imperdoáveis. A cena inicial é uma perseguição enlouquecida. Com méritos visuais, o momento falha ao querer ser cool além da conta. Todavia, é o diretor Matthew Vaughn dizendo a que veio e não nos enganando.

Porém, ele nos engana ao extrapolar o uso dos apetrechos/deus ex machina para resolver as coisas. E sim, estou considerando o tipo de filme. O ponto é: com a certeza de que sempre teremos algo para nos salvar, o perigo perde força.

Em alguns momentos o humor que se autorreferencia dá uma sensação de mais do mesmo. Ainda assim, há várias passagens potencialmente cômicas, mas que beiram a piada pela piada. Aqui a comparação é também com outro blockbuster deste ano: Homem Aranha. Você vai rir, provavelmente muito, porém pouca coisa irá reverberar. E se a graça de Kingsman Serviço Secreto era o novo, comparar com duas franquias não é um bom sinal…

Há uma cena que tenta ser a cena da igreja deste filme. Apesar de só tentar, o resultado é positivo. A sequência tem alguns planos que deixam a câmera deslizando pelo cenário e sentimos a destruição crescente. A coreografia dos atores foi trabalhada de maneira a dar o realismo-exagerado que o momento pedia.

Taron Egerton, o nosso herói Eggsy, está ainda mais bem à vontade no papel. Quase sempre companhado de Merlim (Mark Strong), ou de outras figuras, é possível sentir fisicalidade, carisma e maturidade. Ele é o que melhor se equilibra entre o olhar para o novo do filme passado e a experiência deste Kingsman 2. Apesar de um arco óbvio eles, personagem e ator, são o porto seguro do filme.

A fotografia é caótica, em geral de forma precisa, sem exigir da labirintite do público. Já a montagem deixa um pouco a desejar nas transições narrativas e ao não passar o impacto devido em certos momentos – vide a já citada perseguição no começo. Os efeitos cheiram blockbuster enlatado, os mais exigentes vão reclamar, os menos vão aceitar e vida que segue (sim, sem maiores comentários nesse quesito…).

Mas só Matthew Vaughn para criar um arco inteiro para culminar em um close ginecológico… E sentimos o dedo dele (ui…) em vários outros momentos. Especialmente no rancho da vilã. Contudo, parece que ele montou no sucesso e não quis/conseguiu ir além. Não é especialmente ruim, mas não é especial…

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