50º Festival de Brasília – Vencedores e Encerramento

50º Festival de Brasília – Vencedores e Encerramento

O 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro contou com ampla cobertura aqui no Cinem(ação). Primeiramente agradecemos à organização, pois fomos credenciados e tratados muito bem. Por conta desse acesso cobrimos 44 filmes em 10 dias do Festival de Brasília. E como era de se esperar não íamos ficar de fora do encerramento.

No último dia ainda tivemos a Mostra Terra em Transe, mas os longas, Contagem Regressiva e Camocim, não valem uma nota mais detalhada, o primeiro tem mais aspecto de reportagem do que de documentário e o segundo uma propaganda política.

Se na abertura foi exibido Não Devore Meu Coração!, no encerramento o escolhido foi Abaixo a Gravidade de Edgard Navarro. O diretor, ao subir no palco, mostrou um discurso peculiar (eufemismo para completamente maluco), algo que vimos refletivo na obra.

Referências à Melancolia e 2001 lado a lado com uma miscelânea de sons, texturas e personagens. Típico filme que se você procurar sentido não conseguirá senti-lo. Dizer sobre o que é o longa é o menos importante… Confesso que a proposta e principalmente a execução não me agradou. Uma piração conceitual não justifica erros na montagem, como transições bruscas, e falas tão artificiais. Nota: 1 estrela



PREMIAÇÕES MOSTRA COMPETITIVA LONGAS:

O grande longa vencedor da noite na mostra competitiva foi Arábia (foto). Além do prêmio maior, o filme levou ator, montagem e trilha. Direção ficou com Adirley Queirós com Era Uma Vez Brasília – que também se consagrou em som e fotografia. Os demais prêmios foram Vazante (atriz coadjuvante e direção de arte), Café com Canela (atriz e júri popular) e O Nó do Diabo (ator coadjuvante). Além do Prêmio Especial do Júri: Melhor Ator Social para Emelyn Fischer, por Música para quando as Luzes se Apagam.

Comentários sobre os vencedores dos longas da Mostra Competitiva:
Arábia e Era uma Vez Brasília foram os dois piores da mostra, mas eles tinham dois pontos favoráveis que os alçaram à premiação: Arábia tem um tema (direito do trabalhador) muito presente e que agrada ao júri e Era uma Vez Brasília é de um Diretor muito querido e que já se havia sido premiado anteriormente.

Dos três melhores na minha avaliação, Por Trás da Linha de Escudos, Pendular e Vazante, apenas este foi lembrado. Vazante mereceria fotografia, direção e roteiro. Por Trás da Linha de Escudos deveria ter levado montagem. E Pendular atriz.

Café com canela, eleito pelo público, tem uma humanidade muito forte. Aquilo que costuma se chamar de brasilidade. E o filme é bem palatável. Então a escolha do público faz sentido. O roteiro é bem fechadinho e tem bons diálogos e personagens marcantes. Outra opção justa. Apesar do filme como um todo deixar a desejar um pouco.

PREMIAÇÕES MOSTRA COMPETITIVA CURTAS:

Tentei foi o vencedor de melhor filme e também em atriz e fotografia. A direção dos Irmãos Carvalho saiu vitoriosa por Chico, que também levou som. Mamata ficou com ator e montagem. Nada só ganhou trilha. Tal qual Torre só foi lembrado em direção de arte. O júri popular elegeu O Carneiro de Ouro como mais querido. Peripatético ganhou roteiro e o prêmio especial de desconstrução da narrativa.

Comentários sobre os vencedores dos curtas na Mostra Competitiva:

Tentei foi o filme mais impactante do festival pra mim. Tive até dificuldades em entrar na próxima sessão. A violência doméstica foi retratada de maneira ímpar. Patricia Saravy foi a escolha certeira e a fotografia de extrema precisão. O curta não foi meu favorito, mas também dei 5 estrela, logo não dá para dizer que foi injusto.

Chico teve um plano sequência que fez a direção ser premiada. Também não foi meu favorito neste quesito (seria o Tentei), mas de forma alguma soou como absurdo. Já a trilha de Nada, que brinca com a diegese, seria o meu voto também. Torre, animação, ser escolhido em Direção de Arte é uma grata e ousada  surpresa positiva. Parabéns ao Júri.

Carneiro de Ouro, na figura do retratado Dedé Rodrigues, foi o mais amado de todos júri popular levou o carisma dele no coração. O contundente Peripatético às vezes soa como um grito apenas, mas no todo agradou, todavia não daria roteiro para ele – Nada seria a minha escolha.

Mamata ficou com montagem e ator. Dois prêmios merecidos. O curta foi o meu favorito. Um retrato da tragicomédia que é o Brasil em 2017. Um jeito de ser político, rir de si mesmo e saber fazer cinema. Certeza que seria a segunda opção do público, dada a reação da plateia. Apesar da minha discordância com o júri oficial, as escolhas do júri nos curtas me agradaram muito mais que a do júri dos longas.

PREMIAÇÕES MOSTRA BRASÍLIA (CURTAS E LONGAS):

Melhor longa-metragem: O Fantástico Patinho Feio (foto), dirigido por Denilson Félix

Melhor curta-metragem: UrSortudo, dirigido por Januário Jr. / Tekoha – Som da Terra, dirigido por Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron

Direção: Dácia Ibiapina, por Carneiro de ouro

Ator: Elder de Paula, por UrSortudo

Atriz: Rafaela Machado, por Menina de barro

Roteiro: Januário Jr., por UrSortudo

Melhor fotografia: Gustavo Serrate, por À margem do universo

Melhor montagem: Lucas Araque, por Afronte

Direção de arte: Bianca Novais, Flora Egécia e Pato Sardá, por O Menino Leão e a Menina Coruja

Edição de som: Maurício Fonteles, por Tekoha – Som da Terra

Trilha sonora: Ramiro Galas, por O vídeo de 6 faces

Prêmios do Júri Popular

Melhor longa-metragem (R$ 40 mil): Menina de barro, dirigido por Vinícius Machado

Melhor curta-metragem (R$ 10 mil): O Menino Leão e a Menina Coruja, dirigido por Renan Montenegro

Comentário sobre a premiação na Mostra Brasília:

Apesar de ter visto os 4 longas da Mostra, não vi seis dos 13 curtas, então a minha avaliação ficou prejudicada. Dos que eu vi, premiar como melhor longa O Fantástico Patinho Feio foi uma das maiores alegrias da noite. Ele foi o segundo melhor longa que vi em todo o Festival (só perdendo para Vazante). O documentário traz a história de um grupo de jovens que constrói uma oficina amadora no quintal de casa e vai disputar uma corrida de proporções nacionais.

Encontrei com o diretor após a premiação e ele disse que não tem vínculo com carros não entende do assunto. Talvez por isso, interpretação minha, ele tenha conseguido se distanciar do produto e se aproximar da história e das qualidades cinematográficas. Ele claramente queria fazer cinema ali, e fez.

O Menino Leão e a Menina Coruja levou o júri popular em curta e a direção de arte, dois prêmios mais que justos. Foi o melhor filme com uma proposta totalmente infantil que vi em anos. Já o júri popular escolheu Menina de Barro. Aqui cabe a ressalva, o longa foi feito a partir de financiamento coletivo e parte de quem financiou estava na plateia, ou seja, a vitória era certa. Contudo o filme é péssimo em todos os aspectos, como destaquei no dia que foi exibido.

Os longas da Mostra foram premiados apenas em atriz e melhor filme – que a despeito de ser a categoria principal, foi muito pouco. Dois longas sequer foram lembrando, de modo justo, Jeitosinha e o um domingo de 53 horas. O que denota uma seleção ruim já que o júri teve que voltar tanto os olhares para os curtas, estes de bem mais qualidade.



Agradecimento especial à equipe do Razão de Aspecto Aniello Greco, Daniel Guilarducci e Maurício Costa (que também faço parte) pela companhia nos dias do festival e pelo complemento na cobertura. E aos críticos Barbara Kruczyński (Nem um Pouco Épico e Wanna be Nerd), Vavá Perreira (Cinema Detalhado) e o Diretor e Professor Peterson Paim que também estiveram comigo em vários dias.

Ano que vem espero fazer uma cobertura ainda maior, pois é um prazer ficar imerso no cinema nacional por dez dias. A cansativa cobertura é recompensada por Pendulares, Vazantes, Tenteis, Mamatas e outros…

Veja a nossa cobertura dos demais dias do Festival de Brasília:
Abertura – Não Devore Meu Coração!
2º dia Música Para Quando as Luzes se Apagam, Vazante e mais…
3º dia Pendular
4º dia Café com Canela
5º dia Menina de Barro e Construindo Pontes
6º dia Jeitosinha e o Nó do Diabo
7º dia O Fantástico Patinho Feio e Por Trás da Linha de Escudos
8º dia Um domingo de 53 horas e Era uma Vez Brasília
9º dia Antônio um dois três e Arábia

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  • Daniel Guilarducci

    Luquinha, futuro troféu… você não ter gostado da narrativa de “Abaixo a gravidade” eu entendo (e em parte concordo). Mas você realmente procurou sentido e não encontrou?

  • Lucas Albuquerque

    Encontrei, foi só para não perder o trocadilho….o grande problema do filme pra mim não foi a ideia (este também é problemática, mas não o maior), o que pegou foi que tinham muitas cenas descartáveis, uma montagem péssima e um texto, principalmente no começo, que não deu pra engolir.

    E só aceito ser troféu com a mochilinha