50º Festival de Brasília – 9º dia: Antônio Um Dois Três e Arábia

50º Festival de Brasília – 9º dia: Antônio Um Dois Três e Arábia

Último dia de competição no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Conferimos os dois filmes da Mostra Competitiva: o curta A Passagem do Cometa e o longa Arábia. Além deles, vimos também duas produções da Sessão Hors Concour: o curta Ano Passado eu Morri e o longa Antônio Um Dois Três.

Antes da análise dos filmes, como foi o último dia de disputa vou colocar rapidamente as minhas impressões gerais sobre os melhores nas duas mostras principais: a de Brasília e a Competitiva.

Os curtas, tal qual ano passado foram bem melhores que os longas. Por vezes, houve mais um foco nas mensagem (a maioria necessária) do que na qualidade cinematográfica. Os filmes que mais me agradaram foram: Vazante, Pendula, Por Trás da Linha de Escudos e O Fantástico Patinho Feio, este último da Mostra Brasília. No curtas, Nada, Mamata, Tentei (os três na Mostra Competitiva) e A Passagem do Cometa foram os destaques.

Veja a nossa cobertura dos demais dias do Festival de Brasília:
Abertura – Não Devore Meu Coração!
2º dia Música Para Quando as Luzes se Apagam, Vazante e mais…
3º dia Pendular
4º dia Café com Canela
5º dia Menina de Barro e Construindo Pontes
6º dia Jeitosinha e o Nó do Diabo
7º dia O Fantástico Patinho Feio e Por Trás da Linha de Escudos
8º dia Um domingo de 53 horas e Era uma Vez Brasília

SESSÃO HORS CONCOUR:

Curta:

Ano Passado eu Morri:
Direção: Rodrigo de Oliveira. Ficção, 25’30’’, 2017, ES, 12 anos. Elenco: João Paulo Stein, Rodrigo de Oliveira, Lorena Lima e Isabella Masiero

A narrativa epistolar de um homem à beira da morte que se abre para o ex-companheiro. A proposta é toda marcada no tom poético. Isso por si só não é bom ou ruim, mas sem dúvidas que é arriscado. O texto tem que sustentar o lirismo, coisa que não ocorre aqui. As frases vão pouco além do pieguismo. Já a linguagem de câmera tem algo de criativo tanto na razão de aspecto quanto nos relatos em fita. NOTA: 1,5 estrelas.

Longa:

Antônio Um, Dois, Três.
Direção: Leonardo Mouramateus. Comédia/drama, 95 min, 2017, CE, 12 anos. Elenco: Mauro Soares, Deborah Viegas, Mariana Dias, Daniel Pizamiglio, João Fiadeiro, Sandra Hung, Hugo Pereira, Carolina Thadeu, Sofia Dinger, Miguel Nunes, Joana Cotrim, Filipe Pereira, Mistah Isaac, Alice dos Reis, Paky

Coprodução Brasil Portugal, Antônio Um Dois Três é o filme mais gostoso do Festival de Brasília. O teor da narrativa é o mais e o menos importante. O que vemos aqui são três histórias, com o mesmo núcleo, texto semelhante, mas visto de ângulos distintos. O sucesso aqui está nesta teia – muito bem executada – e no conteúdo, uma simpática dramédia.

Dá para falar que uma história está paralela e dentro da outra. O começo abre com carisma, o meio causa alguma dificuldade – intencional – e o final já estamos completamente envolvidos com aquelas figuras. Sabe aquele ditado: de perto ninguém é normal? É meio isso aqui, mas de perto, eles também são encantadores.

A metalinguagem com a questão da construção do roteiro arranca risadas fáceis (no melhor sentido) do público. A história de amor, as desventuras e os encontros e desencontros dos personagens tornam aquele universo tão absurdo que acaba crível.

O diretor disse antes do filme que comédia também é um jeito de afeto em tempos tão obscuros. Isso é muito importante: nem todo filme precisa carregar uma bandeira pesada. E acrescento que nem toda comédia nacional precisa tratar o público como imbecil. Parabéns para os realizadores de Antônio um dois três. NOTA: 4,5 estrelas.

MOSTRA COMPETITIVA:

Curta:

A Passagem do Cometa:
Direção: Juliana Rojas. Ficção, 19 min, 2017, SP, 12 anos. Elenco: Gilda Nomacce, Ivy Souza, Mariza Junqueira, Nana Yazbek, Helena Albergaria

O cenário é uma clínica de aborto na casa da médica que faz as polêmicas operações. E aí já começa um dos méritos do filme: não há juízo de valor. O objetivo não é te convencer que o aborto é algo condenável ou aceitável. Há apenas a situação construindo para um sensacional e esta sim reflexiva cena final. A direção de arte está de parabéns. Não há grandes arroubos, mas conseguimos localizar o filme na década de 80 a partir do dinheiro e da máquina de escrever. Tentador, e preguiçoso, seria colocar um letreiro na tela para essa marca. NOTA: 4,5/5

Longa:
Arábia:
Direção: Affonso Uchoa e João Dumans. Ficção, 96 min, 2017, MG, livre. Elenco: Aristides de Sousa, Murilo Caliari, Glaucia Vandeveld, Renata Cabral, Renato Novaes, Wederson Neguinho, Adriano Araújo, Renan Rovida

Um garoto acha um caderno com anotações da vida de um trabalhado de uma fábrica. O longa é a narração deste trabalhador sobre um recorte dos momentos em que ele esteve em alguns trabalhos e conviveu com pessoas diversas, além de se engajar na luta pelos direitos do trabalhadores.

O retrato desse cotidiano é cercado de problemas cinematográficos. A começar que o prólogo, que antecede a narração de fato, é longo, não tem uma relação com o resto do filme e traz para a cena diversos elementos que são completamente desnecessários.

Quando o filme começa, lá para 20 minutos, a dinâmica é: protagonista encontra pessoa. Pessoa conta a vida ou a situação atual. Protagonista aprende algo. Tudo envolto em uma narração que não parece escrita em um caderninho (mais um problema causado pelo infeliz prólogo).

Todo Arábia é episódico. Boa parte dos personagens poderia ser retirado sem prejuízo narrativo. A montagem tem umas lacunas, que dentro de uma história com mais viço poderia ser algo positivo… aqui não.

A trilha sonora fez todo mundo cantar junto no cinema. Muito bom, certo? Não… uma trilha é muito mais que um conjunto de canções conhecidas. E aqui ela serve para mascarar o vazio narrativo. No final, há um momento de silêncio e vemos isso se comprovando.

Arábia tem um texto político forte. Isso vai atrair alguns. Mas retorno em algo que venho martelando o Festival de Brasília inteiro: um tema que te gere identificação não gera necessariamente um filme bom. Arábia, tal qual Era Uma Vez Brasília, exibido no dia anterior, são os dois filmes que menos gostei. E dado o perfil de seleção do Festival devem ser os dois favoritos.

 

 

 

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