50º Festival de Brasília – 5º dia: Menina de Barro e Construindo Pontes

50º Festival de Brasília – 5º dia: Menina de Barro e Construindo Pontes

O 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no quinto dia teve produções bem distintas na nota, mas próximas no tema. Na mostra Brasília começou a disputa entre os longas metragens e na Mostra Competitiva seguimos com o 4º dia de competição.

Veja a nossa cobertura dos demais dias do Festival de Brasília:
Abertura – Não Devore Meu Coração!
2º dia Música Para Quando as Luzes se Apagam, Vazante e mais…
3º dia Pendular
4º dia Café com Canela

MOSTRA BRASÍLIA

Curta:

O Menino Leão e a Menina Coruja
Direção: Renan Montenegro. Ficção, 16 min, 2017, DF, livre. Elenco: João Pedro Fraim, Mariah de Andrade Praia, Juca Soledade, Estela Hyo Eun Kim, Maria Rita Mamede, Elis Vida, Sophia Estevam, Pedro Santiago, Mel Quintas, Tom Nunes, Daniel dos Santos Costa, Eliana Carneiro e William Ferreira

Melhor filme infantil (voltado exclusivamente para as crianças) que eu vi recentemente. Na história vemos uma fábula, onde os meninos e meninas são bichos e têm, obviamente, as características peculiares. O tema da intolerância, respeito ao próximo e até da evolução são colocados com muita delicadeza e sem infantilizar – no pior sentido. O didatismo  O design de produção muito cuidadoso e singelo. Diretores e professores, por favor, fiquem com a indicação desta obra. Parabéns aos idealizadores e ao Festival por ter selecionado. NOTA: 4 estrelas.

Longa: 

Menina de Barro
Direção: Vinícius Machado. Ficção, 116 min, DF, 2017, 16 anos. Elenco: Vitor Lamego, Rafaela Machado, Augusto Botelho e Marina Mara

Analisar este filme requer uma certa calma. Boa parte do público, inclusive o presente no Festival, confunde um bom (e talvez necessário) tema, com um filme. Se você gosta de basquete, um filme que trate de basquete tende a te agradar. Se racismo é, infelizmente, algo ainda presente natural que existam filmes para trazer à tona este problema. PORÉM nem todo filme que traga o tema x ou y será bom. Parece óbvio, mas não é…

Menina de Barro, acredito, está muito bem intencionado. Vamos trazer para o protagonismo uma menina super dotada (assunto raro no nosso cinema) e discutir o bullying. Até aí nada errado, mas nada certo, a priori. O problema aqui é que a posteriori também nada certo…

Vinícius Machado aborda o assunto de forma artificial, diversos diálogos não transmitem o que vemos em uma conversa natural. Toda vez que um personagem instiga outro a explicar algo, a resposta não é para aquele universo, mas sim para o público. Conceitos de resiliência, super-dotado, precoce, etc são completamente mastigados. O roteiro não é capaz de apresentar tais assuntos, ele precisa, didaticamente (no pior sentido) esfregá-los na cara de quem assiste.

Na parte técnica, erros graves de mixagem, fotografia, montagem e trilha dão o tom. O elenco infanto juvenil é no máximo ok, com atuações bem irregulares. Agora o elenco adulto foi escolhido a dedo. Nunca vi tanta atuação ruim no mesmo lugar. Cada palavra do texto (que já era ruim) fica pesada e marcada. Não há a mínima composição dramática. O argumento de que eles não são profissionais não cabe.

Mas o que incomoda mesmo é como o filme esquece que é um filme, vida a montagem final (e coisas como cachorrinhos fofos e bebês, além de música alta dão as caras), ou desconhece as regras básicas de desenvolvimento e apresentação narrativa. Não use uma conversa entre personagens para dizer as características de um terceiro. Mostre não fale. As duas horas na sala se tornarão mais palatáveis. NOTA: 1 estrela.

                                                               MOSTRA COMPETITIVA:

Curta: 

Mamata: 
Direção: Marcus Curvelo. Ficção, 30 min, 2017, BA, 12 anos. Elenco: Marcus Curvelo, Débora Ingrid, Carlos Baumgarten, Antônio Pereira, Filó


Brilhante. Muitos estudiosos do Brasil de 2017 não conseguiriam trazer à tona uma foto tão precisa de um recorte do nosso país. Mamata traz as desventuras de um jovem, um tanto vagabundo é verdade, que está perdido nesse cenário social, político e humano. Essa tal de vida não é fácil… e esse Brasil não é para principiantes.

Tecnicamente temos uma montagem caótica, totalmente controlada e assimilável, que contemplam diversas referências à cultura pop: de Luciano Huck, passando pela Voz do Brasil e chegando ao famigerado pato presente em protestos. A trilha admirável e que vai além do óbvio. Uma atuação corporal, intensa, possibilitando a gente se identificar com aquela desilusão.  Se o Nada, curta exibido dias antes, foi espetacular, este conseguiu superar. NOTA: 5 estrelas.

Longa: 

Construindo Pontes:
Direção: Heloisa Passos. Documentário, 72 min, 2017, PR, livre. Com Álvaro Passos e Heloisa Passos


Construindo Pontes tenta estabelecer uma relação entre a vida pessoal da diretora Heloisa Passos e o pai. Tenta ainda compor uma ode à essa figura paterna, um engenheiro. E tenta também expor um confronto de ideias políticas entre pai e filha.

O tentar é importante aqui. Já que as pontes do título são um tanto frágeis. As pontes com o público, por vezes ficam invisíveis. A trama parece interessar só aos personagens do documentário. Em outros momentos, quando a discussão – e aqui uma discussão mesmo, com ponto de vistas diferentes – política ganha viço, a coisa vai melhor.

Tecnicamente claudicante, com ótimas sacadas como o “afogamento” e momentos vazios como o jantar em família e a câmera afastada, a ausente coerência narrativa pesa contra. Construindo Pontes não é uma obra hermética, mas falta direcionamento – curiosamente há essa discussão dentro do filme. Mais curioso ainda é que normalmente essa metalinguagem não funcionou, e quando funciona joga contra a diretora. NOTA: 2,5 estrelas.

 

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