50º Festival de Brasília – 3º dia – Inocentes e Pendular

50º Festival de Brasília – 3º dia – Inocentes e Pendular

O 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro no terceiro dia estreia a Mostra 50 anos em 5 dias, além de seguir com as mostras Esses Corpos Indóceis e a Mostra Competitiva. Vi apenas as produções da mostra principal, o curta Inocentes e o longa Pendular.

Confira aqui a nossa cobertura do primeiro dia do Festival, com destaque para a exibição de Não Devore Meu Coração.

E aqui o segundo dia (primeiro da Mostra Competitiva), destaque para Vazante e Nada.

A curadoria do Festival de Brasília teve o cuidado de juntar dois filmes que apesar de narrativas bem distintas, aproximam-se em alguns aspectos. Ambos, com uma potencia sexual, lidam com a arte para trazer novos sentidos seja ao corpo, ao relacionamento ou a própria arte.

Inocentes:

Direção: Douglas Soares. Experimental/ficção, 18’30”, 2017, RJ, 16 anos

Inocentes é a encenação/homenagem ao trabalho do fotógrafo Alair Gomes. Com um olhar hipnotizante para o corpo masculino, boa parte da obra é conduzida com câmera devorando os corpos de homens na praia, por vezes fazendo exercícios, o que realça os músculos daqueles alvos. De modo gradativo, o contato fica mais erótico e vemos a intimidade crescer (trocadilho mais que pertinente). Filmado em preto e branco, segundo filme da mostra com essa opção, Inocentes tem uma fotografia belíssima. Alternando a delicadeza e a virilidade. A montagem também contribui para tal sentimento. Definitivamente não temos o sexo pelo sexo aqui e tampouco o choque pelo choque, o impacto visual é totalmente artístico. NOTA: 4 estrelas.



Pendular:
Direção: Julia Murat. Drama, 108 min, 2017, RJ, 16 anos. Elenco: Raquel Karro, Rodrigo Bolzan, Neto Machado.

Um casal aluga um galpão para poder instalar um ateliê e um espaço de dança. A trama traz em uma primeira camada o relacionamento deles. Em uma outra camada, completamente fundida à primeira, a relação com o fazer artístico – curioso traçado, físico, que divide o espaço entre o “escritório” dele e o dela. As repercussões dessa linha e da abertura no espaço, onde um mira o outro, também são sentidas pelos personagens e pelo público.

As atuações entregam uma visceralidade essencial. O trabalho com o corpo, em especial de Raquel Karro (já vem forte pra disputar o prêmio de melhor atriz), dão o tom de Pendular – título que aparece de forma mais ou menos metafórica em diversos momentos, sendo possível dizer que a imagem nunca deixa de existir. A cena final, impactante, concreta e simbólica, é o arremate perfeito.

O universo ao redor, brincadeiras no vídeo game, amigos, futebol e até um personagem crítico, incrementam de forma orgânica a dupla principal. Vemos humanos incompletamente completos, tentado dialogar com os outros e com eles mesmos. Uma ausência de didatismo e a apresentação fluida dos personagens foi uma decisão bem acertada e até corajosa. Destemida também são as cenas de sexo, sem pudor e cheias de tesão.

Pendular tem um ritmo muito difícil, mas é uma obra rica. Talvez algumas cenas sobrem principalmente no segundo ato, em um filme com um ritmo tão complicado qualquer redundância pesa ainda mais. Todavia, o longa que estreia nesta quinta em circuito comercial, merece um olhar atento e afetuoso. NOTA: 4 estrelas.



O Festival de Brasília segue nesta segunda na Mostra Competitiva:

21h, Cine Brasília

Mostra Competitiva

As Melhores Noites de Veroni, Ulisses Arthur, 2017, 15 min, AL, 12 anos

Café com Canela, Ary Rosa e Glenda Nicácio, 2017, 102 min, BA, 12 anos

Veja o resto da programação no site do Festival

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