Crítica: Como Nossos Pais
Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky

Crítica: Como Nossos Pais

Como Nossos Pais” é uma crônica necessária dos dias de hoje.

 

Ficha técnica:

Direção: Laís Bodanzky
Roteiro:  Luiz Bolognesi, Laís Bodanzky
Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena, Jorge Mautner, Felipe Rocha.
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 31 de agosto de 2017

Sinopse: Rosa é uma mulher bastante controladora que tenta cuidar de tudo e de todos. Mas quando sua mãe faz uma declaração surpreendente, acaba sendo levada a questionar suas obrigações atuais, o que leva a novas descobertas e possibilidades.

 

 

Se os filmes são produtos de seu tempo, “Como Nossos Pais” é um filme que não apenas reflete o mundo atual, como também propõe debates contemporâneos importantes.

Rosa (Maria Ribeiro) é uma mulher de 38 anos, casada e com duas filhas, que descobre uma verdade sobre seu passado que muda sua forma de ver a vida. Ao  longo do filme, dirigido cuidadosamente por Laís Bodanzky, acompanhamos descobertas, dificuldades e dilemas de uma mulher adulta que tenta ser a “super” mãe, esposa, filha e profissional.

Rosa se encontra nos cantos. A diretora sabiamente a coloca encurralada entre pilares e paredes, a câmera de canto. Depois, aos poucos, conforme ela se encontra, é a câmera que a encontra.

Filme cotidiano, “Como Nossos Pais” mostra cenas de brigas, discussões, diálogos que se apresentam como descobertas. É tudo do âmbito do dia a dia. A cada cena, Rosa descobre algo novo, desconfia de algo. O filme constrói as relações aos poucos, mostrando decisões e acontecimentos com suas reverberações logo em seguida – e a rápida cena de sexo, seguida de um beijo em um hotel, é interessante e reveladora.

Rosa chora quando lê uma história infantil para suas filhas. Desconfia do marido. Revela coisas sobre seu passado e demonstra cuidado com sua “irmã” que dorme no sofá, sem ter onde morar. E o filme segue calmamente.

Ela confronta a racionalidade acadêmica e fria de sua mãe, e a passionalidade artística de seu pai, que admira muito mais. E extrai de um político algumas verdades que jornalistas adorariam poder extrair – ainda que em um diálogo expositivo e até um pouco inverossímil. Mesmo assim, aos poucos, tudo vai fazendo com que Rosa possa se encaixar em algum espaço que lhe caiba. As cenas que mostram paredes separando conseguem destacar a distância entre as pessoas que moram em uma mesma casa. E a sequência que narra a morte de uma personagem é extremamente tocante.

Ninguém é perfeito em “Como Nossos Pais”. E as nuances surgem tanto na delicadeza das atuações quanto naquilo que os personagens revelam as poucos. É bonita a cena em que sua mãe (Clarisse Abujamra) destaca uma de suas fraquezas e mostra que não é tão fria. Os ensinamentos – malucos – de Homero (Jorge Mautner) dizem o que é necessário. E até mesmo Dado (Paulo Vilhena) jamais se torna um personagem odioso, por mais que tenha características que não o ajudem em nada.

É claro que os diálogos por vezes são um pouco expositivos. Muitas vezes soam mais como uma peça de teatro – o que combina com a profissão de Rosa! Mas será que uma direção naturalista necessita de diálogos realistas o tempo todo? É de se perguntar.

A sequência de acontecimentos na vida de Rosa se torna um pouco episódica. Por um lado, de forma orgânica, como se exigindo que o espectador preencha lacunas. Por outro lado, de forma inconstante, sem explicar muito sobre algumas idas e vindas da protagonista.

“Como Nossos Pais” se faz de tal forma, com tanta personalidade, que mesmo as aparentes falhas podem ser utilizadas como argumento de “escolha da diretora”. Não é bem assim, é claro. Mas o filme toca em pontos que, de fato, se sobressaem à trama. Isso aliado à presença de personagens estudiosos e de classe média alta traz aquela sensação de que estamos vendo algum resquício de Woody Allen sem as partes cômicas: um festival de “white people problems”.

Ainda assim, é um filme quase tão necessário, tocante e singelo quanto a canção homônima referenciada. Quase.

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