Crítica: Lady Macbeth (2016)

Crítica: Lady Macbeth (2016)

Lady Macbeth traz uma das grandes personagens do ano.

Ficha técnica:
Direção: William Oldroyd
Roteiro: Alice Birch
Elenco: Florence Pugh, Cosmo Jarvis, Christopher Fairbank
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido, 2016 (17 de agosto de 2017 no Brasil)

Sinopse: Katherine (Florence Pugh) está presa a um casamento de conveniência. Casada com Boris Macbeth (Christopher Fairbank), a jovem agora se vê integrante de uma família sem amor. É só quando ela embarca em um caso extraconjugal com um trabalhador da propriedade do marido que as coisas começam a mudar. Ela só não contava que isso iria desencadear vários assassinatos.

O longa Lady Macbeth (2016) não é diretamente baseado na obra de Shakespeare (não espere um Macbeth: ambição e guerra), mas em um romance russo de Nikolai Leskov. Apesar disso o filme se passa na Inglaterra do século XIX. O que vemos aqui é também um retrato da força da mulher. Não de um feminismo panfletário, com contornos óbvios e maniqueístas, mas de uma complexidade condizente com o tema e com as camadas humanas.

Katherine é colocada como um adorno em um relacionamento arranjado. Boris, marido dela, a trata objetificando-a (“meu pai te comprou junto com um pedaço de terra que não serve nem para pastar”). Vemos em tela um crescimento nada passivo da personagem ante aquela ingrata situação.

De um molde para a masturbação do esposo, passando por respostas ácidas e chegando a atitudes bem questionáveis – traição, mentiras e sangue. Essas camadas são bem exploradas pela atriz Florence Pugh em um dos grandes trabalhos do ano.

Lady Macbeth privilegia algo para além dos diálogos. Então uma atriz qualquer poderia não passar a expressão necessária ou até virar uma caricatura. Pugh acerta no tom e com olhar, movimentos e timming perfeitos nos brinda com uma paixão proibida (a dela com o amante e a do público com aquela figura tão controversa).

O design de produção realça a opressão por ela vivida, que desencadeara um efeito mola de uma liberdade exacerbada. Locado praticamente dentro de um casarão, Lady Macbeth se apresenta ao público com paredes frias, desgastadas e exalando uma tristeza. Os objetos são cuidadosamente escolhidos para nos transportar para a época. E a trilha, praticamente só diegética, fecha o combo técnico essencial aqui.

Com possibilidade de chocar, incomodar e questionar, o filme provoca…. e tem nisso o principal mérito: você não sairá dele de modo imparcial e distante. Curioso lançamento que combina com a proposta de O Estranho que Nós Amamos, de Sofia Coppola.

Os personagens secundários são irregulares. Vemos presenças marcantes como de Anna (Naomi Ackie) e Sebastian (Cosmo Jarvis) que dão o tom também étnico e social à trama. Por outro lado o arco com a criança poderia ser melhor trabalhado, tal qual as presenças da figura religiosa e do pai de Boris. Essa inconsistência, de roteiro e interpretativa, pode dar uma parcialidade indesejada – e que no fundo não há, mas como diria o velho pensamento: “não basta ser, tem que parecer”.

Tal elemento é pouco para descaracterizar os méritos, contudo deixa um gosto de obra prima escapando pelos dedos. Ainda assim, o geral é tão proveitoso que a nota não pode ser nada menos que as 4 estrelas cotadas. Curioso como o famigerado “bela, recatada e do lar” pode ser apreendido aqui, de forma irônica, é claro…

(trailer nada menos que excelente. Dá o tom sem dar spoiler).

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário: