HorrorCon 2017 | Estivemos na maior convenção de Terror de São Paulo

HorrorCon 2017 | Estivemos na maior convenção de Terror de São Paulo

Estivemos na HorrorCon 2017 e contamos tudo o que rolou por lá

Abandonai toda a esperança vós que aqui entrais

Há muitos anos, os fãs de terror – sejam de filmes, personagens, jogos, quadrinhos e livros – ansiavam por um evento que pudesse aglomerar de tudo um pouco, onde o cinéfilo do terror mais comercial e o aficionado pelas trasheiras mais obscuras pudessem se reunir, vestir aquela camiseta velha temática há muito guardada e simplesmente passar um bom tempo com outros fãs do gênero, trocando conhecimento e compartilhando do amor nutrido por aquelas figuras horrorosas enraizadas há muito na cultura pop. A quantidade de produtos do tema disponíveis no mercado é imensa. Então por que o fã de terror brasileiro tem apenas uma ou outra ocasião, entre festas de dia das bruxas e baladas à fantasia – para exorcizar este animal do horror contido neles mesmos?

Uma faísca de esperança veio na CCXP 2014com a vinda de Brad Douriff (a voz do Chucky – o brinquedo assassino), um nome grande para os fãs do gênero realmente, porém mais celebrado pelo grande público por ser o ator de “Senhor dos Anéis (entre os vários atores da série de filmes que comparecem anualmente no maior evento geek da america latina) do que por seu legado perante a comunidade do terror. Não havia competição. No fim, a expectativa da vinda de outras figuras icônicas nos anos posteriores não se materializou. Uma iniciativa interessante, a TerrorFest, que surgiu em 2016 na tradicional Festcomix, não se destacou.

E eis que chegou, no dia 26 de agosto, em São Paulo, a primeira edição da HorrorCon.  

HorrorCôn

Uma convenção alternativa

O terror como gênero no cinema sempre foi, de alguma forma, renegado a subcategorização.  Como as comédias, é um gênero que não é levado a sério por muitos, e a maioria de seus dedicados fãs são vistos com olhar de estranheza, como verdadeiros excêntricos. Dessa forma, é apenas poético que a primeira HorrorCon tenha sido hospedada no Osaka Naniwa Kai, na Vila Mariana, um espaço relativamente pequeno que atribuiu uma espécie de caráter alternativo, underground, onde todas as tribos puderam se reunir. Os frequentadores: a maioria tatuados, alternativos, verdadeiros renegados unidos pela paixão em comum pela arte do horror (mas não se engane, foram muitas famílias também). A entrada do evento – nada grandiloquente – era apenas uma pequena porta com a bandeira do evento ao lado. Mesmo que econômica, funcionava muito bem, atribuindo de alguma forma esse caráter underground oriundo das raízes do terror mesmo.

Quem esperava algo maior por dentro, se surpreendia de início. Haviam dois espaços: o salão principal, onde estavam localizados expositores (desde editoras literárias, vendedores de figuras, camisetas, quadros, colecionáveis e filmes) e o palco onde seriam resididas palestras com várias personalidades brasileiras afiliadas ao gênero do terror, e a praça de alimentação/Artists Alley ao lado do salão, com artistas independentes do cinema e quadrinhos. Nos estandes  haviam nomes como Revista Preview, Companhia das Letras, Comix, CoffinFang, entre outros.

Interatividade

Gran Poutine na HorrorCon 2017

Gran Poutine e suas batatas personalizadas na HorrorCon 2017

A praça de alimentação merecia quase que um tópico próprio. O destaque ficou para a Gran Poutine, que estava produzindo suas famosas batatas canoa todas customizadas pro evento. Como fã de terror que consome todo tipo de  produto personalizado, me senti no dever experimentar todos. O melhor de tudo: todos os temas de filmes refletiam os sabores das batatas. Os destaques ficaram para abatata de O Massacre da Serra Elétrica e a batata inspirada em Alien, com o molho mais (na falta de melhor palavra) foda de todos!

Devoramos tudo com a voracidade de uma verdadeira família Hewitt! The Saw is Family.

Além disso, havia um workshop de maquiagem cinematográfica ministrado pela Ariana Fernandes (maquiadora da Hipnótico Filmes), onde o público, de graça, pôde ter seu corpo transformado -entre queimaduras, cortes e até pinturas mais “fofas” para os mais novos – à sua preferência, enquanto aprendia um pouco sobre a técnica no processo.

Resultado final da maquiagem feita em fã no Workshop

Palestras

Nas palestras, tivemos muita coisa interessante. Entre elas, Rodrigo Ramos e Marcelo Milici, do tradicional site Boca do Inferno, que falaram um pouco sobre o tema “medo de palhaços”, aproveitando a chegada do filme-evento It- A Coisa, que é baseado na obra do Sthepen King (aliás, quem comprasse o livro It no estande da Companhia das Letras levava ingressos do filme de graça). Carlos Primatti, uma verdadeira enciclopédia do cinema de horror brasileiro e internacional deu uma aula sobre os monstros clássicos da Universal.  A cineastra e escritora Liz Vamp, filha do cineasta José Mojica Marins, o “Zé do Caixão”, falou sobre sua carreira, futuros projetos e ainda exibiu um curta onde vemos seu pai retornar ao personagem do Zé do Caixão, um momento inesquecível e emocionante que levou o público a loucura. O Artist Alley também esteve em peso no palco. Felipe Folgosi, Marcel Bartholo, Kiko Garcia, Eduardo Ferrara, Laudo Ferreira Jr. e Talessa Kuguimiya falaram um pouco sobre suas obras e o processo de lançamento das mesmas. A palestra que atraiu mais público e teve mais destaque foi a de Renato Siqueira e Beto Perocini , que falaram sobre a produção nacional Diário De Um Exorcista: Zero, que entra pra história como o único longa de terror nacional a entrar na Netflix mundial em 86 países em HD-4k. Na palestra, eles falaram um pouco sobre as dificuldades de se fazer um filme independente de terror no país, além de responderem perguntas e contarem segredos de bastidores.

HorrorCon palestras

Foto 1: Renato Siqueira e Beto Perocini falam sobre “DIário de Um Exorcista – Zero”, ao lado de Klinty – O Palhaço; Foto 2: Felipe Folgosi, Marcel Bartholo, Kiko Garcia, Eduardo Ferrara, Laudo Ferreira Jr. e Talessa Kuguimiya falaram um pouco sobre suas obras.

Os Cosplayers

Os cosplayers foram uma atração à parte, animando o público que posava para fotos com os mesmos. Tivemos até famílias cosplayers! E é claro, tiramos fotos com eles também (E você pode conferir mais fotos dos cosplayers na nossa galeria do evento aí embaixo!). Ainda rolou concurso de cosplay e de grito, além de uma apresentação dos Jason com muita fumaça e barulho de moto-serra (tudo bem seguro, é claro)

Os Cosplayers compareceram em peso

HorrorCon 2017

Concurso de Cosplay

The Saw Horror is family

No final, a primeira HorrorCon terminou entre muitos acertos e algum espaço para melhorias.  Um pouco mais de variedade nos painéis, aliados à um patrocínio maior de editoras, produtoras e empresas da cultura pop serão bem-vindos nos anos vindouros, assim como um espaço maior  e um pouco mais de estandes interativos, quem sabe até com brindes. O colecionismo, uma das maiores atrações em outros eventos (desde, até mesmo, as  credenciais de pescoço do evento no lugar das pulseiras), é essencial. Ainda assim, a HorrorCon 2017 foi como deveria que ser: alternativa, charmosamente pequena, com interatividade, cosplays, sorteios e muito amor de fã, como uma verdadeira família. O que resta, agora, é aguardar pela edição de 2018, agora com pretensões mais altas (e quem sabe poderemos ter também algum artista internacional do terror nela? não custa sonhar).

O primeiro passo rastejante de zumbi já foi dado. Agora é hora do zumbi da nova era, os corredores, chegarem. Até 2018, HorrorCon 💀

Confira abaixo a galeria completa de fotos. Clique para aumentar.

(fotos por Fábio Almeida)


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