Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) -O blockbuster do ano?

Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) -O blockbuster do ano?

Planeta dos Macacos: A Guerra tem potencial para Oscar.

Ficha técnica:
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Mark Bomback, Matt Reeves
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (03 de agosto de 2017 no Brasil)
Elenco: Andy Serkis, Steve Zahn, Woody Harrelson, Karin Konoval

Tenso, impactante, emocional, familiar. Planeta dos Macacos: A Guerra é tudo isso. Mas o principal elogio vai para a ainda impressionante computação gráfica em fusão com a interpretação magnífica de Andy Serkis, como o macaco César.

Antes de tratar de qualquer outro quesito, temos que exaltar o esmero técnico. Em muitos filmes, o CGI é uma muleta para encobrir a falta de narrativa. Aqui é impossível desassociar uma coisa da outra. A movimentação dos macacos e a interação deles com o meio são fundamentais para a compreensão daquele contexto.

O destaque mor, claro, vai para Serkis. Em um trabalho que será contemplado no Oscar do ano que vem em efeitos visuais, deveria também ser lembrando como atuação. E falo isso sem medo de incorrer em quaisquer exageros. Cada expressão vem carregada de tanta vida que torna fácil a identificação com César.

A trama gira em torno do conflito entre macacos e humanos, após estes invadirem o terreno daqueles. Mas o filme é muito mais do que isso. O tema do duplo é muito presente. Seja no espelho negro que Koba é para César (ou com Maurice sendo o espelho branco), seja na afasia dos humanos Vs o desenvolvimento da fala nos macacos.

Além disso, temos os conflitos internos que permeiam a mente de César. Cada atitude dele tem um peso significativo. A direção que ele ruma, a intensidade nas lutas e como atingir os objetivos, toda essa complexidade é a essência aqui.

Sim, temos a guerra como um cenário importante, porém o que vibra, mais do que as armas e bombas, é o olhar de César em closes arrepiantes. E esse arrepio é uma consequência de toda a construção do personagem que vemos há três filmes.

Matt Reves tem um domínio completo daquele universo. Sabe como extrair o máximo de cada instante. No letreiro inicial ele o resume para tornar palatável para quem não viu os demais filmes (sim, “A Guerra” funciona até bem como obra única, considerando ser o terceiro filme de uma trilogia). Desde a primeira cena de fato há uma movimentação de câmera que direciona o sentimento do público com maestria.

A trilha é um outro elemento constante que acompanha toda a jornada. Com uma pegada forte, pesada, temos mais um excelente trabalho de Michael Giacchino. Se você não está reconhecendo o nome dele, vale dar uma olhada em alguns dos trabalhos do compositor (veja o currículo tão parrudo quanto os acordes aqui presentes).

Como pontos negativos, que não tiram a consistência do todo, aponto alguma previsibilidade que enfraquece as viradas e uma certa conveniência em objetos encontrados e lugares visitados (sabe aquela coisa de estar no momento certo, na hora certa? Por vezes deu as caras aqui).

Há ainda um ponto que alguns podem considerar negativos, mas entendo que estava no tom. Refiro-me ao alívio cômico Bad Ape (personagem que assim se chama por ouvir muito isso, macaco mau, dos humanos). Ele cumpre a função clara no filme. Serve também como um elo, não sendo apenas uma gag vazia. Em dados momentos há semelhanças físicas com Gollum, ironicamente outro personagem clássico de Serkis. Será que foi uma homenagem ou a comparação é coisa da minha cabeça?

E respondendo a pergunta do título, arrisco-me com um sonoro sim. Planeta dos Macacos: A Guerra é melhor que Mulher Maravilha, Guardiões da Galáxia e até Logan. O Oscar de efeitos visuais é quase certo. A possibilidade de estar na categoria de trilha é bem viável. Na de atuação, um sonho lindo. Planeta dos Macacos é a prova que o grande público merece e sabe receber uma obra inteligente e cheia de camadas.

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