Para pensar: que tal ser menos nerd?

Para pensar: que tal ser menos nerd?

(hey, leia o artigo  todo antes de me criticar, ok? Eu juro que ler mais de três parágrafos não dói! é mais uma proposta de pensamento sobre ser “menos nerd”…)

 

Tava aqui pensando. E decidi escrever um pouco sobre algo que vem me incomodando há bastante tempo. E por favor, não me leve a mal. Não é nada pessoal com absolutamente ninguém… apenas uma sugestão de melhoria:

que tal ser “menos nerd”?

 

Essa pergunta é basicamente uma provocação para o que tem me incomodado pela internet: o excesso de sites, podcasts, grupos e afins sobre cultura nerd/geek, sem qualquer proposta diferenciada. Hoje em dia é tão legal ser nerd, tão fácil fazer conteúdo, que todo mundo quer fazer conteúdo nerd. Só que tem um porém: se você não tentar encontrar aquele “a mais” que te diferencia, você vai ser só mais um: mais um site, mais um podcast, mais um blog, mais um Youtuber com meia dúzia de visualizações.

 

“Ei, o que você quer dizer com isso?”

Quero dizer que você precisa ir um pouco além. Não estou dizendo que é fácil e nem que é preciso deixar de ser quem se é. Aqui no Cinem(ação), por exemplo, eu e o Rafa nunca nos posicionamos como nerds. Porque, afinal, não somos.

 

Não posso falar por ninguém a não ser por mim mesmo: eu era o cara que lia todos os livros da biblioteca quando era adolescente (meio gordinho, quieto, daquele envergonhado que tira nota boa). Jogava RPG com os amigos, tive um Nintendo 64 em algum momento da vida  no qual só joguem Pokémon Stadium e Zelda (depois disso, nunca mais liguei pra games). Só fui me interessar por cinema, de verdade, na faculdade. Só fui conhecer Star Wars nessa época. Só tive contato com Star Trek recentemente, com a nova franquia no cinema. Li pouquíssimas histórias em quadrinhos que não fossem as da Turma da Mônica.

 

Enfim…

E aí aos poucos eu me aproximei do “mundo nerd”. Porque eu faço um podcast e falo sobre Homem-Aranha, Mulher-Maravilha, Marvel, DC, etc. Antes, é claro, eu já tinha ido aos Anime Friends e sabia que eu conhecia apenas 10% dos cosplays que passavam incessantemente pelos corredores. Nos últimos anos, já com esse peso da idade chegando e fios de cabelo branco nascendo (mas sem entradas de calvície, graças aos deuses da autoestima), fiquei contente por não sentir coceira em entrar no cheque especial só para ter action figures, versões em capa dura de HQs da década de 1970 e outros itens caríssimos vendidos aos quilos na CCXP.

 

Aí, me dei conta de que existem milhares de nerds por aí, produzindo conteúdo pela internet que não faz muita diferença na enxurrada de vídeos, podcasts, páginas e mais páginas que discutem coisas como as notícias sobre os próximos filmes da DC, teorias sobre o martelo do Thor, entre outros debates que o Judão já fez melhor todo mundo já sabe.

 

NADA CONTRA! Por favor: se você gosta de fazer isso apenas para sua diversão, continue fazendo. Só que existem basicamente dois apontamentos que eu sinto a necessidade de fazer:

 

1- Se você quer se diferenciar, chamar atenção e ter uma audiência grande, talvez seja o momento de pensar em algo que lhe seja diferente. Nós, aqui do Cinem(ação), aos poucos, fomos deixando de ser “mais um podcast de cinema”. Hoje, tenho certeza de que nossa visão mais empática e nossos programas com entrevistas e debates sobre “bullying”, por exemplo, nos diferenciam dos outros. E vamos combinar que a edição do Rafa também deixa tudo mais fácil de ouvir, né? (e, sem querer me gabar, mas que outro podcast gravou sobre Pequeno Segredo, Cinema Pernambucano e os principais filmes do Oscar em episódios separados?).

 

2- É sério que você é simplesmente mais um nerd? Já que ser nerd é algo cool e legal (palavras que são a mesma coisa… mas não são a mesma coisa), ser só mais um cara que gosta de HQ-cinema-séries-StarWars-filmesdoNolan é o mesmo que ser só mais um jogador de futebol americano da turma clichê de fortões bobos daqueles filmes e séries de High School americanos. Sério. Você realmente quer ser um cara perdido nesse meio de tantos outros iguais?

 

Vamos evoluir?

O que eu faço, portanto, é um convite. E esse convite se estende um pouco a mim também, já que eu deveria fazer isso com mais frequência: que tal aproveitar essa inteligência e esse extenso panorama cultural para aprender coisas diferentes e vincular tudo com conhecimentos mais abrangentes? Ler aquela literatura clássica, participar de um debate sobre marketing, acompanhar as notícias de economia e política, sei lá.

 

Que tal inserir esses conhecimentos em sua produção de conteúdo? Que tal colocar algo mais profundo nesse olhar sobre o filme do último super-herói? E que tal parar de vibrar como uma criança de 10 anos toda vez que surge um teaser de um filme, em vez de apenas dizer “olha, que legal, vamos aguardar pra ver se é tudo isso”?

 

Porque afinal de contas, meu caro amigo, quando as moças feministas reclamam do excesso de ‘homem-hétero-cis de classe média’ regurgitando misoginia nos muitos canais de conteúdo da web, elas estão certas: todo mundo tá falando as mesmas coisas e sob o mesmo ponto de vista. E isso é um reflexo também da pequenez presente na visão da maioria dos nerds que apenas estão falando e repercutindo as mesmas coisas.

 

Por fim, mas não menos importante – e polêmico:

Ser “menos nerd” também causaria uma mudança no mercado. Os eventos de cultura pop teriam muito menos “vendedores de bonequinhos” e mais debates, por exemplo (confesso que me espantei com alguns painéis meio vazios na última CCXP que fui, geralmente com um debate sobre o mercado da cultura pop, entre outras coisas). Pensar mais em outras coisas ajuda a sair da bolha, sabe?

 

E isso seria refletido no discurso do conteúdo produzido em sites, podcasts, canais no Youtube e coisas do tipo. Afinal, não é possível que essas pessoas se resumam a ser um “mais do mesmo”, o mesmo nerd que gosta das mesmas coisas e pensa do mesmo jeito. Não é possível que essas pessoas não tenham algo de diferente pra mostrar.

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  • Lucas Albuquerque

    A questão da pasteurização não é só no mundo nerd. Isso se aplica a mesas redondas de futebol, aos programas de notícias políticas e até mesmo ao cinema como um todo. Em certa medida eu não vejo tanto mal nessa redundância. Se todo mundo quebrasse paradigmas, não haveria paradigma e a quebra dele seria banal.
    Sem contar é melhor ter 10 pessoas falando do último filme de herói do que apenas 1. E naturalmente quem tem mais conteúdo e sabe se promover vai se destacar. Então a coisa como está hoje, nesse sentido, está ok.