Crítica: Laerte-se

Crítica: Laerte-se

 “Laerte-se faz jus à recente tradição nacional de bons documentários”

Ficha Técnica:

Direção: Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum.

Roteiro: Raphael Scire, Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum.

Nacionalidade e Lançamento: BRASIL, 2017. Distribuído via Netflix

Sinopse Oficial: Retrata a trajetória da cartunista e chargista brasileira Laerte, considerada uma das mais proeminentes do gênero no Brasil. Tendo vivido parte de sua vida como homem, ela assumiu sua transexualidade aos 57 e, de lá pra cá, experimenta uma jornada única e pessoal sobre o que é, de fato, ser uma mulher.


Desde a retomada, o cinema documental vem se consagrando como um dos expoentes da evolução cinematográfica brasileira. Rico em personagens e paisagens históricas intrigantes, nosso país é um extenso laboratório para documentaristas de todas as vertentes. Os resultados podem ser vistos em premiados trabalhos de diferentes temáticas como os excelentes Edifício Master (2002), O Dia que Durou 21 Anos (2013) e Jardim da Alma (2001).

Pode-se afirmar categoricamente que a película escolhida para estreia de um ‘Doc. Original Netflix’ faz jus à recente tradição tupiniquim de bons trabalhos documentais. Laerte-se’, dirigido pela dupla Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum, registra um interessante mirar cinematográfico sobre a legendária cartunista Laerte Coutinho.

Através da equilibrada condução da jornalista Eliane Brum, Laerte Coutinho expõe suas reflexões sobre a revelação tardia de sua identidade sexual, e o quanto sua forma de se relacionar com a arte, e com as pessoas, vem se alterando desde então. Sem soar pretensiosamente como uma sessão de análise, a bem pensada montagem do documentário faz com que o espectador não perca o interesse pela obra.

Homem? Mulher? Artista? Avô? Na verdade, a película não se aprofunda em nenhuma dessas interessantes personas. Ao exibir seus grilos, contradições e ponderações para a câmera, Laerte Coutinho se mostra uma grande esfinge, e o maior mérito da produção é não cair na complicada tentação de procurar decifrá-la. Ao contrário, o documentário voz para que a própria cartunista revele aos poucos quem ela é.

No intenso caldeirão de confidências “laertísticas”, há espaço também para reflexões sobre o atual momento político brasileiro. O Conservadorismo, a Esquerda e até o Movimento LGBT são objetos de uma série de pertinentes apontamentos críticos. A acertada escolha de explorar, por um instante, o lado mais ácido da cartunista relembra o passado anárquico dos tempos do lendário jornal ‘O Pasquim’ e exibe um interessante contraste com a proposta intimista da obra.

O bom documentário é aquele que, além de questões estéticas, proporciona uma janela para reflexões. Mais do que apresentar um dos cartunistas mais criativos da América do Sul, Laerte-se é um ensaio cinematográfico contra preconceitos e estereótipos. Dona Netflix, exigimos que as próximas produções sejam no mínimo desse nível… Talento para o cinema documental o país tem!!!

Trailer

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