Crítica: O Mágico de Oz (1939)

Crítica: O Mágico de Oz (1939)

Direção: Victor Fleming e outros.

Elenco: Judy Garland (Dorothy Gale), Ray Bolger (Espantalho), Jack Haley (Homem de Lata), Bert Lahr (Leão covarde), Frank Morgan (Mágico), Billie Burke (Bruxa Boa), Margaret Hamilton (Bruxa Má do Oeste).

Nacionalidade e data de estreia: Estados Unidos, 12 de agosto.

Abre-se um novo mundo

Em 1937, os Estúdios Disney produziram o clássico “Branca de Neve e os Sete Anões”, uma animação primorosa que abriria as portas para dezenas de outras produções baseadas na literatura mundial. Do famoso estúdio do criador do Mickey Mouse, saíram outras obras-primas como “Pinóquio” (1940), “Bambi” (1942), “Cinderela” (1950), “Alice no País das Maravilhas” (1951), “Peter Pan” (1953), “A Bela Adormecida” (1959), “Mogli, o Menino Lobo” (1967), “A Pequena Sereia” (1989), “A Bela e a Fera” (1991), “Aladdin” (1992), “O Corcunda de Notre Dame” (1996), “Tarzan” (1999) e “Enrolados” (2010), entre outros.

Então porque eles não produziram também a adaptação de “O Maravilhoso Mágico de Oz”, escrito pelo norte-americano L. Frank Baum em 1900? A resposta é muito simples: o filme produzido pela MGM em 1939.

Um mundo encantado

Baseado no primeiro dos quatorze livros escritos por Baum (depois vieram outros tantos escritos por outros autores) e dirigido por Victor Fleming (outros diretores e o produtor Mervyn LeRoy dirigiram algumas cenas), “O Mágico de Oz” estrelou no ano mais produtivo e bem concorrido do Oscar, disputando o prêmio máximo com obras-primas como “E o Vento Levou” (também dirigido por Fleming), “No Tempo das Diligências”, “A Mulher Faz o Homem”, “O Morro dos Ventos Uivantes” e “Ninotchka”, entre outros indicados. O grande vencedor da noite foi o insuperável “E o Vento Levou”, mas “O Mágico de Oz” saiu com as estatuetas de melhor canção (de Harold Arlen e E.Y. Harburg) e trilha sonora (de Herbert Stothart), além de um ajudar a dar um prêmio especial para a atriz Judy Garland, que interpreta a protagonista Dorothy Gale.

Tudo começa no Kansas (em uma sequência em tom sépia) quando Dorothy e seu cãozinho Totó se veem diante um grande ciclone. Correndo para casa, eles tentam se esconder dos fortes ventos, mas mesmo lá dentro eles são arremessados para um local distante. Ao sair da casa, Dorothy se vê em um lugar bastante diferente de sua terra natal (a partir daí vemos tudo em Technicolor). A casa cai em cima da Bruxa Má do Leste e a esmaga (sua irmã, a Bruxa Má do Oeste, jura vingança).  A morte da bruxa má (um ser perverso que tanto atormentou aquelas pessoas), a Bruxa Boa atribui a Dorothy, dando-lhe um par de sapatos de rubis e lhe informando que seu retorno para casa se dará se a recém-chegada seguir o caminho da Cidade das Esmeraldas e encontrar o grande mágico.

Em sua jornada, Dorothy encontra o Espantalho, que deseja um cérebro, e assim a acompanha até seu destino. Do mesmo modo, Dorothy encontra o Homem de Lata que deseja ganhar um coração e o Leão covarde que deseja ganhar coragem. Assim, o grupo vai vivendo aventuras e desafios pelo caminho, até chegar ao reino de Oz.

Claro que, assim como grande parte das histórias infantis clássicas, o texto original continha elementos sinistros que os produtores resolveram deixar de lado, como o fato do Homem de Lata no passado ter sido todo mutilado por seu machado, devido a maldição de uma bruxa. A parte do filme que sugere algo mais forte é a cena da bruxa esmagada debaixo da casa, ainda assim só vemos seus pés.

Por se tratar de uma produção de um grande estúdio e também por ser um musical, é compreensível que os elementos grotescos da obra de Baum tenham sido suavizados ou retirados.

Judy Garland não era mais uma menina em 1939. Basta vê-la em “Sangue de Artista” (também de 1939), onde ela já é visivelmente uma adolescente. Sendo assim, ela era considerada velha para o papel principal de “O Mágico de Oz”. Shirley Temple (que fez o também fantasioso “O Pássaro Azul” no ano seguinte) foi então cogitada para substituí-la. Mas Garland acabou ficando, e hoje é impossível ver outra atriz em seu lugar. Sua voz era maravilhosa, o que fica evidente nas belas canções, em especial Over the Rainbow, cantada no início.

“O Mágico de Oz” não é um filme de visual realista. Toda a ação se passa em cenas filmadas em estúdio, onde é visível o uso de cenários pintados, distanciando-se de perspectivas de fundo, tornando tudo muito estilizado, quase unilateral. Mas isso não se torna um defeito, e sim um charme à mais.

Ficou muito famosa a frase “Não há lugar como o nosso lar”. E é na volta ao lar que reside um fator que divide opiniões, quando se revela que tudo aquilo foi um sonho de Dorothy, tendo ela recriado personagens baseados em pessoas que ela conhecia, seja sua família, amigos ou uma mulher arrogante. Até o mágico, que se mostra um charlatão em Oz, já foi visto por Dorothy em sua cidade.

Ao longo das décadas tivemos algumas variações dessa história para o cinema, indo do cinema mudo até “Oz – Mágico e Poderoso” (dirigido por Sam Raimi em 2013). Em 1978, o elogiado diretor Sidney Lumet dirigiu “O Mágico Inesquecível”, uma versão afro americana da obra de Baum, com Michael Jackson e Diana Ross à frente do elenco. “O Mundo Mágico de Oz” (1985) é uma espécie de continuação (não autorizada) do clássico de 1939. “Tin Man – A Nova Geração de Oz” (2007) é uma minissérie onde atualizam a história de Dorothy, aqui chamada de DG e interpretada por Zooey Deschanel. Até os Muppets e os Trapalhões ganharam versões dessa obra.

É de se admirar que uma produção repleta de complicações (troca de diretores, diversos problemas técnicos, atores trocando ou desistindo de seus papéis, os atores anões supostamente dando trabalho durante as gravações, um entra e sai de vários roteiristas no projeto) tenha conseguido um resultado final tão satisfatório e se tornado o melhor filme infantil já feito.

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