Crítica: Corra! (Get Out, 2017)

Crítica: Corra! (Get Out, 2017)

Corra! é um dos tapas mais bem dados do cinema em 2017.

Ficha Técnica:
Direção e roteiro: Jordan Peele
Elenco: Daniel Kaluuya, LilRel Howery, Allison Williams
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (18 de maio de 2017 no Brasil)

Sinopse: Chris (Daniel Kaluuya) é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

Criativo, repugnante, ácido, tecnicamente muito bom, engajante e dolorosamente real. Esses são alguns dos adjetivos para definir este longa. Corra! tem pitadas de drama, terror psicológico, horror e até humor. É muito eficaz na mensagem sem nunca ser engolido por ela – triste quando filmes abordam determinado tema, levantam certa bandeira, mas esquecem de fazer um filme… Aqui a questão do racismo é sim primeiro plano. Contudo, há muito cinema por trás.

A sensação constante de que algo está errado ou de que estamos sendo paranoicos é muito bem posta em tela. Exploramos junto com o protagonista Chris Washington (Daniel Kaluuya) toda aquela situação. Ele é um jovem negro que vai se apresentado para a família branca da namorada branca. A relutância inicial logo se confirma, mas de um jeito não tão óbvio – afinal eles (os brancos) votam no Obama e conhecem atletas negros

A reafirmação dos funcionários da casa – todos negros – de que são livres e muito bem tratados dá um peso estranho. O clichê autoconsciente é dito explicitamente, o que poderia abrandar as coisas (ou agravá-las). O ambiente amigavelmente hostil é um chão de ovos.

A festa com os amigos da família traz mais pessoas majoritariamente brancas – a exceção, bem… vejam vocês mesmos…. Cada diálogo por mais cotidiano e banal vem carregado de tanta coisa. Vamos construindo na nossa mente um algo que não sabemos bem o que é, mas que indubitavelmente está ali.

As atuações dão o tom que Corra! precisava. Kaluuya tem um senso de urgência preciso. Não vai além de uma situação normal, as atitudes dele não são condenáveis (não há um “não sobe nessa escada que o monstro está ali”), nesse sentido lembra o recente Fragmentado. LilRel Howery, interpretando o amigo Rod Williams dá um humor que aparentemente não combina com o resto, porém funciona – se tornando até imprescindível com algo além de um alívio cômico. A família e amigos da namorada – e ela própria, Allison Williams – são distinguíveis e marcantes, algo raro, sem nunca soar caricatos, mesmo sempre sendo caricaturas deles mesmos.

Há um artifício de roteiro que desce a nota do filme, que poderia ser máxima. Um elemento capital é descoberto de uma maneira quase infantil, que não condiz com a qualidade de um filme como Corra!, fiquei pensando se valeria até tirar mais pontos aqui, tamanha a minha frustração. Apesar desse vacilo, o momento em si é tão maravilho e o que vem a seguir é tão tenso que segurei a caneta na cotação.

Estruturalmente, Corra! sabe o que quer em cada ato. A velha máxima de apresentar os personagens no começo, desenvolvê-los no meio e chegar ao ápice no final, não é subvertida – o que causa alguma previsibilidade – mas é tudo feito tão certinho que ainda assim merece aplausos.

Com uma abordagem totalmente diferente de um Moonlight, Corra! é o grande exemplo – até melhor que o vencedor do Oscar – de como tratar de um tema socialmente importante. Jordan Peele deve ganhar prêmios de direção de estreia – sim, este é o primeiro trabalho do ator como maestro de um filme e ele já dá esse show. Então, como não poderia deixar de ser – não resistirei ao trocadilho fácil: Corra para os cinemas (mas saiba que este filme vai te acompanhar quando você sair de lá…).

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