Uma Dama de Óculos Escuros Com uma Arma no Carro – Crítica

Uma Dama de Óculos Escuros Com uma Arma no Carro – Crítica

Uma Dama de Óculos Escuros Com uma Arma no Carro tem um título peculiar e entretêm com eficiência.

Ficha técnica:
Direção: Joann Sfar
Roteiro: Gilles Marchand,Patrick Godeau
Elenco: Freya Mavor,  Stacy Martin,  Benjamin Biolay, Elio Germano
Nacionalidade e lançamento: França, Bélgica, 2015 (11 de maio de 2017 no Brasil)

Sinopse:
 A jovem Dany (Freya Mavor) trabalha como secretária do empresário Michel (Benjamin Biolay). Ela é secretamente atraída pelo chefe, mas ele está casado com uma antiga amiga sua, Anita (Stacy Martin). Cansada de ver Anita levando uma vida confortável enquanto ela tem uma rotina banal, Dany se vê um dia em posse do carro de luxo de Michel. Ao invés de devolver o veículo como prometido, ela começa a dirigir rumo ao sul da França, na intenção de ver o mar pela primeira vez. Mas esta decisão impensada trará consequências trágicas a Dany.

O primeiro comentário, claro, é sobre o curioso título. Com 10 palavras e quase 50 caracteres, Uma Dama de Óculos Escuros Com uma Arma no Carro já demonstra alguns elementos que vamos encarar: não é um filme comum, teremos uma mulher como protagonista (dama), com algum arco de mistério (óculos escuros) e em que momento ela vai usar uma arma, ou melhor: ela vai usá-la? No mínimo curiosidade desperta.

E é exatamente neste ponto que o longa vai muito bem: ele instiga o público a viver uma conturbara e inusitada aventura. Quase um road movie, acompanhado da complexa Dany Dorémus (Freya Mavor). Outra marca é a ilusão: graça principalmente à montagem, nunca sabemos o que é real ou não. Esse ar meio onírico nos dá uma confusão controlada e bem positiva. Viramos reféns do mistério central: por que as pessoas reconhecem aquela moça e ela não se lembra de nenhuma delas?

A temática serpenteia por culpa, loucura, desejo, violência, inveja e sexo. Alguns com mais ou menos sucesso. Em boa parte da produção, contudo, o resultado é bem satisfatório. O destaque vai para a tensão sexual. Durante todo o filme as relações nesse sentido ficam dúbias e excitantes. Há também um bom subtexto sobre consumo e grifes, os exemplos mais nítidos são: o carro de marca que atrai a atenção de todos e causa até o desconforto inicial na nossa protagonista, além de frases como: “faça bronzeamento artificial. Dizem que dá câncer, mas funciona”.

Nesse tipo de filme é essencial que a gente compre a personagem principal. Os dramas, anseios e até o carisma. Nesses quesitos, a atriz Freya Mavor dá um show. As caras e bocas, sem nunca parecem caricaturais, emulam exatamente o que era necessário aqui: um misto de ingenuidade com volúpia. Sentimo o peso de cada ação. A exploração do corpo dela é feita na medida, sem sexualizar de modo vulgar.

A ambientação dos anos 70 é simples, mas não compromete. A trilha, figurino, adereços e cabelos marcam bem dentro da proposta. Nada espetacular, porém é visível o cuidado considerado a profundidade desejada.

Tudo ia muito bem até a resolução. Único porém aqui. Por mais que o que é entregue esteja dentro do roteiro, alguns furos e principalmente o jeito como é conduzido, decepcionam. A cena capital é muito expositiva e falta dinâmica – a boa dinâmica que vimos ao longo do resto de Uma Dama de Óculos Escuros Com uma Arma no Carro.

Caso você não se fruste com o final, então a tua experiência será bastante engrandecida. Mesmo tal elemento tendo me incomodado, o restante me satisfez de modo pleno. Os personagens – e propositalmente falei pouco deles aqui – são curiosos e ao mesmo tempo funcionais. Em suma: uma boa opção para quem gosta de thriller psicologico dos anos 70/80.

(o trailer é excelente, não revela nada além do devido e dá o tom do filme)

 

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