Crítica: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Crítica: Guardiões da Galáxia Vol. 2

Guardiões da Galáxia Vol. 2  é mais maduro e tocante que o original

Ficha técnica:

Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, estrelando Vin Diesel como Groot, Bradley Cooper como Rocket, Michael Rooker, Karen Gillan, Pom Klementieff, Elizabeth Debicki, Chris Sullivan, Sean Gunn, Tommy Flanagan, Laura Haddock e Kurt Russell
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (27 de abril de 2017 no Brasil)

Sinopse: Ambientado para o novíssimo pano de fundo musical de Awesome Mixtape #2, “Guardiões da Galáxia Vol. 2”, da Marvel, dá sequência às aventuras da equipe enquanto eles atravessam os confins do cosmos. Os Guardiões têm que lutar para manter sua recém-descoberta família unida enquanto desvendam o mistério da real ascendência de Peter Quill. Antigos inimigos se tornam aliados e os personagens favoritos dos fãs das clássicas histórias em quadrinhos virão para ajudar nossos heróis à medida que o Universo Cinematográfico da Marvel continua a se expandir.

É difícil ver, nessa máquina de reboots, sequências e adaptações que é Hollywood, filmes como Guardiões da Galáxia Vol. 2. Num cinema atual onde as sequências nada mais são do que repetições -narrativas e temáticas- de suas versões originais – o clássico “maior e melhor”, a nova produção da Marvel Studios consegue escapar desse problema. Não deixa de ser uma bem-vinda surpresa, já que a Marvel construiu seu monopólio com esses tipos de sequências (e produções, no geral), estacionando no famigerado lugar comum. Pois bem, o diretor e roteirista James Gunn e companhia conseguiram fazer uma continuação que é melhor e menor que a anterior.

Sim… menor. Como capturar a essência de uma obra que conquistou a todos, com seus personagens – os deslocados, bandidos e páreas – adoráveis, cada um à sua própria maneira? Indo mais fundo nas histórias pessoais deles. Assim, podemos dizer que Guardiões 2 começa, de certa forma, de onde o primeiro terminou: com o grupo estabelecido e funcionando – apesar dos inevitáveis conflitos de egos e desentendimentos que ocorrem em uma família – ao som de um hit retrô, e com a dança adorável do fenômeno pop que é o Baby Groot (e que é dublado novamente por Vin Diesel).

Baby Groot, dublado novamente por Vin Diesel, é destaque mais uma vez

Após uma peripécia de Rocket Racoon (dublado novamente por Bladley Cooper), o grupo acaba “perdido” em Ego (Kurt Russel), que além de ser um planeta vivo e consciente (E Gunn merece aplausos apenas por incluir um elemento tão absurdo ao filme), também diz ser o pai de Peter Quill (vulgo Star-Lord) vivido por Chris Pratt. Revelar mais que isso estragaria as inúmeras surpresas no filme (sejam em viradas de roteiro, easter eggs e preparações de terreno para um terceiro longa). Então, não se engane pelas inventivas e belas sequências de ação, que podem até ser maiores (inclusive melhores, demonstrando uma evolução de Gunn enquanto cineasta de ação). No entanto, com a escolha do lugar – um planeta quase inabitado, James Gunn tem tempo para realizar, sim, um filme menor em sua essência que tem tempo para se adentrar nas “angústias” e problemas de seus personagens principais. É um equivalente a melhor sequência do esquecível Vingadores – Era de Ultron, onde o grupo de heróis passa um tempo em uma fazenda e podemos conhecer melhor aquelas figuras quase divinas. É lá que eles são humanizados e se tornam, de fato, figuras reais.

Em Guardiões da Galáxia Vol. 2, a palavra da vez é família. Seja na disputa das irmãs, nas relações de pais e filhos ou na simples lição de empatia que o filme levanta. Uma cena em especial, na qual um grupo de ravagers – os saqueadores e “capangas” do Yondu vivido por Michael Rooker – são arremessados impiedosamente ao espaço acaba surpreendendo. A câmera de Gunn e do diretor de fotografia Henry Braham dá valor àqueles capangas mesquinhos – quase figurantes – de uma forma que não soa nem um pouco como punitiva. Muito pelo contrário: a cena soa… trágica. É a humanização que Guardiões da Galáxia Vol. 2. prega, até mesmo com vilões cartunescos.

Os Guardiões da Galáxia retornam

Não que Gunn não se permita a abraçar pontualmente seu humor puramente sádico, como na cena em que outro grupo de capangas caem, em slow-motion, ao som de um dos hits da Awesome Mix Vol. 2, após serem acertados pela letal flecha de Yondu. O personagem, aliás, é surpreendentemente o mais complexo da trama, com o arco dramático e jornada de personagem mais bem definida.  Ao invés de introduzir personagens demais (erro da maioria das sequências de filmes do gênero), Gunn foca nos já existentes, e o alien vai além de um alívio cômico/inconveniência para o herói/design estranho e interessante estabelecido no primeiro filme para um personagem atormentado com uma história tocante, e créditos vão também a Michael Rooker, que possui uma carga dramática nem sempre explorada nas personas que costuma fazer e aqui se sai muito bem. Quem ganha mais destaque também é a irmã de Gamora (Zoe Saldana), a Nebulosa vivida por Karen Gillan.

E já que a Awesome Mix Vol. 2 foi citada acima, vale dizer que a fita que Peter Quill carrega na maior parte da trama é tão personagem quanto os outros guardiões (e como fora no primeiro filme), tendo, em suas letras, mais sentido narrativo até mesmo que no primeiro filme. Tecnicamente é um filme impecável, seja nos efeitos especiais, direção de arte, e na maquiagem. Computação gráfica e efeitos práticos trabalham juntos para criar os melhores visuais possíveis, e o filme certamente será lembrado nas premiações nestas categorias.

Rocket (dublado por Bradley Cooper) e Yondu (Michael Rooker) em Guardiões da Galáxia Vol. 2

Pecando apenas por ser irreverente demais em alguns momentos de maior emoção dramática, fazendo algumas piadas fora do tom, esta sequência possui todas as características do original: é divertido, diferente e não tem medo do ridículo. Ele abraça o brega, e quando aparenta caminhar para o non-sense total, somos lembrados de que o filme, em tom, pode não se levar a sério às vezes, mas estes personagens -e seus dilemas- são reais.

No fim, este é o caso de sequência que não tenta superar o original, mas que consegue mesmo assim, justamente pela sua vontade de explorar a dinâmica destes personagens. Os mesmos elementos podem estar lá: a fita cassete, o groot dançante, os quadros dos heróis andando de forma desajeitada e satírica em direção a câmera… mas só na superfície. Por dentro, esta continuação consegue ser mais madura, divertida e tocante que a original. 

Guardiões da Galáxia Vol.2 consegue fazer com que nos identifiquemos com um guaxinim falante do espaço. E isso não é pouca coisa.

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

  • Daniel Lemos Cury

    Excelente crítica. Acho que a minha opinião é muito parecida… com a diferença que eu daria um 3 e vejo os pontos positivos do filme com menos valor. Esse mais do mesmo dos filmes da Marvel ta começando a me irritar…

    • Cauê Petito

      Valeu! acredito que ele seja “mais do mesmo” pela superfície, apenas. Mesmo que óbvias em certo ponto, as abordagens em relação aos dilemas familiares conseguem provocar emoção sem parecerem apelativas, e o humor e personagens são mais eficientes que na maioria dos filmes do estúdio. Oh, well, queria ter gravado o cast hauahah