Crítica: Castelo de Areia
Castelo de Areia, do diretor Fernando Coimbra, com Nicholas Hoult. Original Netflix

Crítica: Castelo de Areia

Castelo de Areia é uma mistura de Soldado Anônimo com Guerra ao Terror. E já está na Netflix.

 

Direção: Fernando Coimbra

Roteiro: Chris Roessner

Elenco: Nicholas Hoult, Glen Powell, Henry Cavill, Logan Marhsall-Green, David Negahban, Nabil Elouahabi.

Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (21 de abril de 2017: lançamento mundial em streaming)

Sinopse: Um grupo de soldados acaba de concluir uma ação vitoriosa em Badgá durante a ocupação dos Estados Unidos no Iraque. E agora eles ganham uma última missão: reativar o serviço de água dos habitantes da pequena cidade de Baquba, depois que o sistema de fornecimento foi destruído pelo próprio exército americano. Matt Ocre (Nicholas Hoult) não quer continuar no exército, mas precisa buscar ajuda dos iraquianos, por mais difícil que seja a situação.

Castelo de Areia, do diretor Fernando Coimbra, com Nicholas Hoult. Original Netflix

 

Desde que Fernando Coimbra se destacou com “O Lobo Atrás da Porta”, esperava-se muito dele em sua incursão no cinema americano, onde ele segue os passos de diretores como José Padilha e Fernando Meirelles.

O que se vê em “Castelo de Areia” é um filme bom. Apenas. Acompanhamos Matt Ocre tentando quebrar a própria mão para ser dispensado, mas falhando e sendo obrigado a ir para Bagdá, e sem seguida a uma cidade pequena do interior do Iraque em pelo 2003, quando os Estados Unidos não sabiam o que fazer diante do inimigo sem nome e sem rosto que surgiu exatamente no dia 11 de setembro de 2001.

Mas “Castelo de Areia” não deixa de ser um filme com vários aspectos importantes. Diferente do que um diretor americano ao estilo “Clint Eastwood” faria, Coimbra consegue mostrar todas as falhas e problemas do exército americano, sem deixar de tratá-los com humanidade e respeito. Aliás, é interessante notar como o cineasta utiliza a trilha sonora para fazer com que os momentos de tensão com a população local são até mais perigosos que os momentos de trocas de tiros – e a crescente tensão dos soldados com a possibilidade de algo inesperado.

Castelo de Areia, do diretor Fernando Coimbra, com Nicholas Hoult. Original Netflix

Com atuações que não estão excelentes mas passam longe do medíocre, o filme nos mostra pequenos momentos em que podemos sentir o que a população iraquiana sentia durante a ocupação de soldados americanos, e do quanto eles acabam sendo verdadeiros “enxeridos” no problema dos outros.

Aliás, assim como os filmes de Sam Mendes e Kathryn Bigelow, que cito no início deste texto, “Castelo de Areia” se volta bastante para o dia a dia moroso e nada romantizado do exército.

O problema de “Castelo de Areia” é que não há qualquer novidade nas questões abordadas: o mais interessante está na metáfora do título, que remete tanto à construção de novos dutos de água (que destrói os castelos frágeis de areia) quanto ao fato de haver conflitos muito mais complexos entre os sunitas e xiitas no país. Quanto à forma como Coimbra conduz a orquestra, há elegância na câmera pouco turbulenta, mas nenhuma característica ressalta aos olhos.

Pelo menos há um paralelo importante entre o Iraque sob as tropas de Bush e o cruel mundo atual com uma Síria sob as tropas de Trump. E o protagonista demonstra a sensação de que o dever não foi cumprido. Resta saber quantos soldados terão que voltar com a mesma sensação, de tantas guerras semelhantes, até que se deem conta de que nenhum dever será cumprido dessa forma.

Castelo de Areia, do diretor Fernando Coimbra, com Nicholas Hoult. Original Netflix

 

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