Crítica: Vida (Life, 2017)

Crítica: Vida (Life, 2017)

Vida entra na cota anual de filmes que se passam no espaço. Tal nicho tem sido bem representada nos últimos anos…. Com maior ou menor brilhantismo, Interestelar, Gravidade, Perdido em Marte e A Chegada, mesmo bem diferentes entre si, têm méritos de proporcionar uma experiência válida na telona. O lançamento desta semana entra neste heterogêneo rol apresentando um sci-fi/suspense.

O curioso aqui é que o longa se presta menos a pensamentos reflexivos e muito mais a uma ação. E exatamente por se assumir como um thriller e ter consciência do que quer fazer é que Vida se dá tão bem. Apesar de algumas metáforas poderem ser apreendidas e a toda uma construção ao redor do significado do título, a obra passa longe de ser hermética. Há inclusive uma parcela de alívios cômicos que se encaixam na história sem tirar o foco.

A trama, portanto, é muito simples: um grupo de 6 astronautas descobre uma potencial existência de Vida em Marte. O organismo recolhido é apenas uma célula microscópica simples – o que é um grande avanço. Tal descoberta causa uma comoção na Terra, a ponto da singela criatura ganhar um nomezinho: Calvin. Inclusive acaba gerando uma afeição quase que paternal pela nova e desconhecida forma de vida. Mas nem tudo são flores, caso contrário não teríamos filme…. “a curiosidade supera o medo”, frase que um dos tripulantes diz em relação a Calvin, acaba se voltando contra os 6 destemidos astronautas. O anseio natural de explorar a complexidade contida em algo tão mínimo tem um resultado trágico: após um crescimento rápido, Calvin se torna voraz em busca de sobrevivência, mas para isso trava uma intensa luta contra os habitantes originais.

Aí é que está a magia da coisa: o “vilão” de Vida está seguindo instintos naturais – vemos, assim, mais justificativa do que em parte considerável dos antagonistas de filmes de herói. E, novamente trazendo uma frase do próprio filme, “a existência de vida exige destruição”. Tal pensamento nos faz refletir sobre a nossa própria existência – questões como pegada ecológica podem ser discutidas a partir daí… Vida também é um prato cheio para biólogos trabalharem os temas em sala de aula com os alunos (seja para falar de evolução, seja para apontar possíveis derrapadas).

Na parte técnica alguns elementos se sobressaem. O visual da nave ajuda muito na construção do clima. A claustrofobia se faz presente em labirínticos corredores. O design de produção é esbelto, sem grandes arroubos e passando uma sensação moderna sem soar falso. Em momento algum o CGI quer gritar mais do que o cerne da história. Veja em uma sala que o som seja bom, pois tal quesito é bem importante. Vários efeitos sonoros integram a narrativa, também de forma limpa.

Em consonância com o título, Vida, toda a evolução é bem orgânica. A transformação do problema, no começo restrito a uma sala e depois tomando proporções gigantes, faz com que a gente sinta o senso de urgência também crescer. Algumas soluções tendem para o conveniente, o que atrapalha um pouco a potência. O que de fato incomoda são alguns diálogos expositivos e explicativos tornando a coisa um tanto didática. Ainda assim, pequenas pinceladas que podem ser relevadas.

Muitas referências são percebidas ao longo dos precisos 100 minutos de projeção. Star Wars ( “tenho um bom pressentimento sobre isso” foi coincidência? ), Alien em alguns enquadramentos e Gravidade no sufocamento e em um outro detalhe que não posso revelar aqui. A própria estrutura serial, um pouco repetitiva, também lembra uma quantidade considerável de outros filmes, como por exemplo o recente Kong.

O elenco é recheado e diverso, tendo atores de várias etnias. Ryan Reynolds,  Jake Gyllenhaal, Hiroyuki Sanada, Rebecca Ferguson, Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya compõem a trupe que enfrenta o novo amigo. Apesar de alguns momentos dramáticos (vide o “boa noite” ou então os sufocamentos), as atuações vão pouco além de funcionais. Há carisma e conseguimos nos importar com o destino deles, isso – dentro dessa proposta é o que mais importa.

O final pode soar previsível para alguns, mas mesmo antecipando o que acontece, é possível ser impactado. Há uma certa coragem nele – e em outros momentos do filme. A mistura de pipoca com sci fi foi próspera e tem potencial para agradar uma gama diversa de público. E até agora, se consagra como melhor filme do mês.

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  • Conversador

    QUATRO estrelas? Verei!

    • Lucas Albuquerque

      Na realidade 4,5. Melhor filme do mês até agora. Depois conta pra gente o que achou.