Crítica: Gostosas, Lindas e Sexies (2017)- Pior filme do ano

Crítica: Gostosas, Lindas e Sexies (2017)- Pior filme do ano

Gostosas, Lindas e Sexies já é um forte concorrente a pior filme do ano…

Muitos reclamam do cinema nacional. Dizem que nada presta e que não vale a pena gastar dinheiro com isso. No Indic(ação) #18, É Tretaaaa, Brasil, nós falamos sobre longas recentes que são de alta qualidade e desmentem a falácia de que no Brasil só tem produções ruins. Contudo, é por coisas como Gostosas, Lindas e Sexies que a fama negativa se perpetua. Há um projeto de filme aqui. São tantos elementos errados que fica difícil organizar as ideias. Mas vamos lá…

Em um primeiro olhar a proposta poderia ser interessante…ter protagonistas mulheres que fogem do “padrão de beleza”. E principalmente mostrar que alguém com alguns quilos a mais pode ter auto-confiança, ir para a balada e fazer sexo. Poderia, portanto, ser uma ótima pedida – um retrato do nosso tempo. O possível mérito, no entanto, parou na vaga ideia de alguém. Vemos sequer uma fumaça de algo elogioso no longa.

As várias protagonistas (com mais presença da personagem Beatriz, interpretada por Carolina Figueiredo) é uma tentativa desesperada de fazer o público se identificar com pelo menos uma delas. Sem muita brecha para aprofundar na complexidade de cada uma – elas são gordas e bem, pouco além disso….

O foco, então, poderia ser o tema ou simplesmente o humor. Nos dois casos, o resultado é pífio. O que era para ser uma mensagem positiva vira um festival de esteriótipos, diálogos artificiais e até preconceitos. Pense você, ao se arrumar para uma festa, se teria aquele papo e aquela movimentação das amigas logo no começo do filme. E claro, em outro momento da trama, a gordinha tem que estar com um milk shake gigantesco. No fim a mensagem que fica é “APESAR de gorda, elas podem ser bonitas”… E o que falar do absurdo da piada com a ausência de índios gordos, além de ser uma piada fraca, só reforça o preconceito (eu definitivamente não sou uma pessoa politicamente correta e neste instante fiz uma careta de reprovação).

Caso você tenha a capacidade de deixar tudo isso de lado, a grande questão que fica é: qual a trama do filme? Só é posto em tela sequências episódicas, diversos arcos que não fecham ou fogem muito da realidade… Antes que alguém use a carta de “ah, é um filme de comédia. Quer roteiro vá ver um filme chato dos anos 50”, há uma grande diferença entre um nonsense de um Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e a ausência de propósito narrativo que vemos aqui. Realmente terminamos Gostosas, Lindas e Sexies  (e parabéns para quem terminar) com uma sensação de vazio.

Praticamente nenhuma cena funciona e grande parte delas são inúteis. Seja Paulo Silvino como taxista, onde temos um apelo cômico bem banal, recheado de gritos e um carro em alta velocidade e uma motorista alcoolizada. Seja com os filhos de Ivone (Cacau Protásio), que questionam quem é o pai – a mãe é negra e a filha é branca e o irmão gêmeo oriental e o arco não se fecha… Podemos citar ainda o visual que cogita emular Sexy and City logo na abertura ou na personalidade das personagens, mas falha no quesito carisma e verossimilhança. E tudo isso encoberto pela trilha, estridente, que tenta disfarçar a nulidade do roteiro.

E você, mulher magra, saiba que o filme te retratará necessariamente como uma vilã de novela mexicana, de forma mais maniqueísta possível e tendo um ódio a mulheres gordas. Sim, claro que há preconceito, e pessoas acima do peso sofrem no dia a dia, mas o jeito como vemos em Gostosas, Lindas e Sexies passa longe da barreira da caricatura, é só completamente fora da realidade (e olha que nem estou falando da geladeira falante… ela poderia ser engraçada, poderia..).

Em um dado momento eu pensei: “para a coisa ficar mais clichê só falta entrar uma mulata sambando”. Deu dois segundos e pimba…foi exatamente esse artifício usado. Já o final, não vemos algo parecido nem em novelas ruins há pelo menos uns 15 anos… previsível é a coisa mais delicada que posso dizer.

Gostosas, Lindas e Sexies é um desserviço ao retrato das pessoas obesas no cinema, os diálogos marcarem que elas são gordas a cada dois segundos não é benéfico em sentido algum. É um desserviço a nossa inteligência. E é um desserviço ao cinema. Só jogar em tela protagonistas que não sejam “barbies” não garante qualidade. Representatividade não é isso. Cinema não é isso.

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  • Conversador

    deve ser maravilhoso. SQN

    • Lucas Albuquerque

      Normalmente alguma coisa é certa, por pior que o filme seja, aqui nada salvou….

  • Karina Falconeri

    Bom, discordo com algumas coisas que você diz, não acho que precisava usar palavras tão crueis.
    Enfim

    Não me levem como Hater, ou como alguém que só veio criticar o filme até porque eu adoro TODAS as atoras principais inclusive a Mari, fui assistir o filme mais por causa dela.
    Eu achei sinceramente que o filme iria ser de empolderamento de gordas etc etc etc. o que aconteceu DE FATO mas em 20% do filme. Os outros 80% ou até 90 foram sobre macho e pinto, eu sei que é uma comedia de mulheres empoderadas etc etc mas achei que o fato de só ter sexo e pinto estragou a mensagem que o filme queria dar. E as piadas ainda foram muito fraquinhas.
    DESTACO: As menina são ÓTIMAS atoras sem duvidas nota 10 pra elas mas o contexto do filme, ser sem pé nem cabeça, me deixou chatiada.

    • Lucas Albuquerque

      Olá Karina, obrigado pelo comentário.
      As atrizes não são a pior coisa do filme, mas como o roteiro e a direção exigem zero delas, fica até complicado de pontuar. Não vale, portanto, o destaque positivo.
      Sem dúvidas, principalmente na televisão, que elas têm bons trabalhos, porém aqui não foi possível avaliar.
      E realmente, como você colocou, o filme é sem pé nem cabeça, infelizmente.

      Volte mais vezes 🙂

  • Adriano Pires

    UMA BOSTA MESMO! ACABEI DE ASSISTIR”!!!

    • Lucas Albuquerque

      Por hora o pior filme do ano….

  • Diego Jose

    Eu concordei com sua crítica em maior parte. Acho que o filme poderia ter sido mais realista, e os diálogos estavam bem irreais. Só na cena final com as três no bar senti que havia alguma química entre elas. Vi o filme quase como que uma tentativa de criar uma grande fantasia para mulheres acima do peso. Uma tentativa bem específica de fazê-las ver o que sempre quiseram na tela, e ter suas pequenas vinganças ou recompensas. Mas isso também poderia ter sido melhor trabalhado. E na minha opinião a cena mais engraçada foi a daquela atriz que era do Sai de Baixo, (não lembro o nome dela). Achei uma terrível comédia involuntária quando a faxineira fala para a Beatriz que “Seu marido sabia sobre o seu caso, mas via você tão feliz, que não disse nada” ?!! Nossa, podem existir homens compreensivos, mas a esse ponto?!!?

    • Lucas Albuquerque

      Alguns filmes, principalmente de comédia, podem ser nonsense. Isso funciona quando essa falta de sentido é pensada, ou seja, quando ela é intencional. Aqui as falas e situações são completamente irreais – para usar a palavra que você escreveu. A relação entre elas está muito artificial e vazia, como eu disse no texto.
      E a frase da faxineira é uma ótima síntese desse desastre… bela lembrança tua.
      Abs!

  • A Mãe dos Leitores

    Esse filme me fez peidar a projeção inteira, meus dengos. Recomendo passar uma lixa industrial nos genitais até cair a carne moída do que ver essa desculpa de película.