HCM #1 – A ORIGEM DO CINEMA

HCM #1 – A ORIGEM DO CINEMA

HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL #01 

A primeira década (1894 a 1906/1907): O Cinema de Atrações e a Transição

Este é o primeiro artigo de uma série sobre a História Mundial do Cinema. Escreverei de forma breve, mas informativa e analítica, sobre os principais eventos que abrangem a História Cinematográfica, bem como seus movimentos e os contextos em que surgiram, o período histórico em que se desenvolveram, os principais diretores de cada década e os filmes que melhor representam a estética de cada época.

E nada melhor do que começar pelo começo: a primeira década da sétima arte e seu nascimento.

O cinema é praticamente o caçula de todas as artes. Surgiu por volta de 1894. A ideia nasceu com a intenção de dar a sensação de movimento às imagens fotográficas, nomeada como: Motion Picture, fotografia em movimento.

Nesse primeiro período, o cinema estava misturado a outras formas de cultura, como o teatro, a lanterna mágica, o vaudevile e as atrações de feira. Eram exibidos em circos, parques de diversões, gabinetes de curiosidades e em espetáculos de variedades. Era uma arte muito popular assistida pela classe proletária.

Na França, a maioria das exibições aconteciam em uma casa chamada “O Grand Café”. Nesses ambientes, as pessoas se encontravam com os amigos, bebiam e assistiam as apresentações de cantores e artistas locais. A versão norte-americana dos cafés eram os Vaudeviles, uma espécie de teatro de variedades onde também se podia beber e conversar.

Os Vaudeviles, em 1895, eram bastante populares nos EUA e suas apresentações podiam incluir atrações variadas: performances de acrobacia, declamações de poesia, encenações dramáticas, exibição de animais amestrados e sessões de lanterna mágica. Esses atos, de 10 a 20 minutos, eram encenados em sequência, sem nenhuma conexão entre si.

Esse período das atrações tem duas fases. A primeira vai de 1894 até 1903.  Caracterizada pelo predomínio de filmes de caráter documental, as atualidades. Em seus primeiros anos, os cineastas não mostravam uma preocupação com a montagem da narrativa. O propósito era apenas as exibições de números mágicos e situações do cotidiano. Os filmes possuíam uma única tomada, usavam somente o plano aberto, um único cenário e as sequências eram desordenadas. Não existia aprofundamento na construção dos personagens e sempre havia muitos atores em cena. Utilizavam-se apenas das referências teatrais e ilusionistas.

Os temas eram variados. Os personagens eram estereótipos raciais, religiosos e de nacionalidade. Havia muitas gozações de caipiras, imigrantes, policiais, vendedores, trabalhadores manuais, mulheres feias, velhos e muitos filmes eróticos. Os cenários utilizados eram bastante simples, com painéis pintados e poucos objetos de cena. O deslocamento dos atores se dava sempre pelas laterais, acentuando mais ainda a sensação de teatralidade.

Na segunda fase, de 1903 até 1907, os cineastas já começam a arriscar a construir filmes de ficção, fimando em ambientações diferentes. Começa-se a nascer, muito timidamente, a linguagem cinematográfica. Começam-se também a criar narrativas simples e a fazerem experimentações na estruturação de relações causais e temporais entre planos. A produção de ficção supera em número os filmes de atualidade dos primeiros anos.

Não se sabe ao certo quem inventou a sétima arte. Ela começou a surgir devido à muitas experimentações de alguns pesquisadores/mágicos/curiosos/inventores.  Porém, em seus primórdios, quatro nomes ganharam destaque: Thomas Edson, Os irmãos Lumière: Auguste e Louis e Georges Méliès

 

THOMAS EDSON

Thomas Edson costumava dizer: “Um gênio se faz com 1% de inspiração e 99% de esforço”. Essa frase ultrapassou os tempos e até hoje serve de estímulo para novos criadores. Edison (1847-1931) fez jus ao que dizia, foi um dos maiores inventores de todos os tempos.  Entre inúmeros inventos, criou o fonógrafo, a lâmpada elétrica e aperfeiçoou o telefone.

Muitas lendas giram em torno de seu nome, inclusive de que roubou e plagiou ideias de outros, costume corriqueiro na época, pois não havia nenhuma lei a respeito.  Mas Edson registrou por volta de 1.033 patentes.

No cinema, ganhou fama por ter sido criado em seu laboratório o projetor nomeado como Cinetoscópio. Patenteado em 1891, o aparelho era uma caixa de madeira dentro da qual havia uma lâmpada e um rolo de filme de fotografias com uma sequência de imagens. Por um orifício na caixa via-se a grande mágica. Acionado por uma manivela, o filme rodava, dando a impressão de movimento.

Cinetoscópio

Em 1903, no primeiro estúdio de cinema dos Estados Unidos, em West Orange, Nova Jersey, Edson produziu “O Grande Roubo ao Trem”, o primeiro filme a contar uma história de ficção. Produziu este curta na transição entre a primeira e segunda década de vida do cinema, já contando uma história com mais lógica sequencial, em locações diferentes, com cenas fora e dentro do trem, mas ainda mantendo sempre o plano geral e a câmera parada.

Veja o filme!

 

OS IRMÃOS LUMIÈRE

Auguste e Louis eram engenheiros, e Auguste, também gerenciava a fábrica da família. Eram negociantes muito experientes. Perceberam no cinema um campo de trabalho lucrativo abrangendo o comércio mundial, vendendo, além de seus filmes, as câmeras também. Criaram o Cinematógrafo, elaborando um projetor mais leve e mais funcional do que o Cinetoscópio, criado por Thomas Edson. Fizeram muitos filmes e exibições, dando início à grande indústria cinematográfica que temos atualmente.

Cinematógrafo

 

Alguns pesquisadores afirmam que esse Cinematógrafo fora inventado por Léon Bouly, em 1892, e que teria perdido a patente, posteriormente, sendo registada pelos Lumière a 13 de Fevereiro de 1895.  Existe muita confusão em relação a quem inventou o projetor, pois houve várias criações semelhantes na mesma época. Porém, todas tinham a finalidade de experimentar a fotografia em movimento.

Mas é certo que os irmãos desenvolveram o primeiro processo de fotografia a cores, o autocromo; a placa fotográfica seca, em 1896; a fotografia em relevo (1920); o cinema em relevo (1935); e a chamada ‘’Cruz de Malta’’, um sistema que permite que uma bobina de filme desfile por intermitência.

Eles eram muito habilidosos com as Estratégias de Marketing. O que conferiu a eles a honra de se tornarem a maior produtora Europeia de placas fotográficas.

Como Cineastas, os irmãos gostavam de documentar cenas da realidade cotidiana. A grande maioria dos seus filmes consiste em uma cena curta, com a câmera parada em plano aberto. Seus primeiros curtas registravam funerais, desfiles cívicos e feiras. Um de seus filmes mais vistos até hoje registra a movimentação de pessoas descendo do trem, “Arrivée du train en gare de La Ciotat” e os operários saindo da fábrica depois de um dia de trabalho “La sortie des usines”.  Depois de um tempo, começaram a experimentar a ficção, sendo um dos primeiros a produzir nessa linha.

 

GEORGES MÉLIÈS

Os 20 primeiros anos foi a era do Cinema mudo entre 1985 e 1927. Nessa fase, destacou-se gêneros como: o Ilusionismo, a Comédia Pastelão, o Monumentalismo, o Atleticismo, o Caligarismo, o Expressionismo, o Construtivismo, o Documentarismo e o Vanguardismo.  Escreverei sobre cada um nos próximos artigos.

O Ilusionismo, nasceu com Georges Méliès (1861-1938). Ele também foi um dos primeiros cineastas franceses. Como era teatrólogo e mágico ilusionista, foi o primeiro a levar as atrações fantásticas para as primeiras experimentações cinematográficas. Méliès foi o mais criativo nesse gênero e, por isso, intensamente plagiado, principalmente pelos filmes da Companhia Pathé.

Méliès criou uma empresa de cinema, a Star-Films, e produziu mais de 500 curtas, mas grande parte se perdeu. Entre os mais conhecidos estão: “O Diabo no Convento” (1889), “Joana D’Arc” (1900), “Viagem à Lua” (1902), “As viagens de Gulliver”, (1902) e “Fausto” (1904).

A sua grande fase de produção foi entre 1902 e 1913, entre o final da primeira década e início da segunda, no período de transição, fase onde fez várias descobertas no campo da montagem. Nesse período, além das experimentações de montagem, começou-se a ter também, uma preocupação maior com a construção da narrativa. Muito do que temos hoje na linguagem cinematográfica deve-se aos experimentos e criações de Méliés, sobretudo nesta fase de transição entre a primeira e segunda década. Ele foi o primeiro a criar e utilizar efeitos especiais, como se pode ver em um dos seus filmes mais famosos: “Viagem à Lua”. Nele, vemos um filme no qual utiliza-se a sobreposição de imagens, criada por ele, e cenas em ambientações diferentes. Mas ainda sempre usando a câmera parada, só há cortes quando muda a ambientação. Observe o filme.

 

 

 

 

 

 

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