Crítica: Despedida em Grande Estilo

Crítica: Despedida em Grande Estilo

Despedida em Grande Estilo opera no automático, mas diverte graças ao seu trio principal

Ficha técnica:

Direção: Zach Braff
Roteiro:  Theodore Melfi
Elenco: Michael Caine, Morgan Freeman, Alan Arkin, Ann-Margret, Joey King, Matt Dillon, Christopher Lloyd, John Ortiz, Peter Serafinowicz.
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (06 de abril de 2017 no Brasil)

Sinopse: Desesperados para pagar as contas e não decepcionar aos que amam, três senhores e amigos de longa data arriscam tudo em uma aposta ousada para dar um golpe no banco que sumiu com o dinheiro deles.

Produções como Despedida em Grande Estilo tem sido cada vez mais comuns em Hollywood. Não que as comédias de “três amigos em altas confusões” ou “amigos em situações incomuns para sua idade” seja algo novo (este filme, por exemplo, é um remake do mesmo Despedida em Grande Estilo estrelado por George Burns, Art Carney e Lee Strasberg em 1979). Filmes como Ajuste de Contas (que reunia Robert De Niro e Sylvester Stallone) e Última Viagem à Vegas (o qual De Niro também estrela ao lado de Michael Douglas, Kevin Kline e Morgan Freeman, que participa também deste Despedida…) deixam suas propostas bem claras: realizar obras que são derivativas e nostálgicas, com enredos e personagens que dependem muito da bagagem e conhecimento prévio das figuras da vida real que os interpretam para funcionar. Assim, estas pretensões acabam sabotando os próprios projetos como filme, já que, mesmo sendo divertidos, nunca conseguem de fato convencer em suas narrativas frágeis e esquecíveis.

O bom, então, é que este Despedida em Grande Estilo é o filme que se sai melhor dentro deste grupo, mesmo que possua alguns dos problemas apontados nas produções citadas acima.

Michael Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin em “Despedida em Grande Estilo”

Desta vez, o trio é composto por Morgan Freeman, Michael Caine e Alan Arkin, interpretando respectivamente Willie, Joe e Albert. Amigos há décadas, eles levam uma vida pacata, mas sofrem com problemas financeiros. Quando Willie testemunha o assalto milionário a um banco, decide chamar Joe e Albert para elaborarem o seu próprio assalto. É a vez de os idosos se rebelarem contra a exploração dos bancos. Dos vários caminhos que o filme poderia tomar como gênero, o diretor Zack Braff realiza, à partir do roteiro de Theodore Melfi, um filme de assalto em sua estrutura, e estão lá a maioria das cartas deste tipo de filme.

É irônico, então, que a primeira cena do filme – um assalto à banco – seja conduzida de forma tão desastrada por Braff, com enquadramentos feios e cortes demais, zoom-ins e zoom-outs, numa misé-en scene confusa que não causa nenhuma tensão e parece escancarar apenas a insegurança do diretor, por não possuir experiência com este tipo de projeto e decidindo -com o perdão do trocadilho – atirar para todos os lados.

Após a primeira cena, no entanto, as coisas se estabilizam, e podemos conhecer melhor o trio de personagens que carrega este projeto.

Caine, Freeman e Arkin não só possuem a presença de tela, como também elevam o diálogo – que é competente, mas não excepcional – a algo menos genérico, conseguindo conferir até uma certa honestidade nas falas, e ver o Willie de Freeman – o bon vivant do grupo – perguntar, com um olhar preocupado para o Joe de Caine se tudo ficará bem, nos aproxima daquelas figuras e faz com que nos importemos. Arkin faz o tipo que já está acostumado: torna Albert num rabugento, mas adorável senhor de idade.

Honestidade com a proposta parece ser uma das palavras-chave aqui. Há, em Despedida em Grande Estilo – mesmo nas suas convenções do gênero e do tipo de filme que quer ser – uma falta de sarcasmo e cinismo na forma com que aborda esses personagens. Zach Braff pode se contentar com a fórmula, mas pelo menos o faz de forma simpática e honesta, acrescentando peculiaridades também no elenco coadjuvante, como a participação do sempre divertido e saudoso Christopher Lloyd e de Matt Dillon.

No fim, Despedida em Grande Estilo acaba operando em algum lugar entre o “feijão com arroz” e o simplesmente preguiçoso. Ainda assim, desta aparente “preguiça”, surge também uma intenção honesta de realizar um filme sem cinismos em relação à seus personagens e à história que deseja contar. Michael Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin elevam consideravelmente o modesto material que lhes é dado e transformam o filme numa simpática e divertida experiência.

Se Braff e companhia realizam, em Despedida em Grande Estilo um filme de gênero inofensivo, pelo menos o fazem com charme.

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