Crítica: A Tartaruga Vermelha (2016)

Crítica: A Tartaruga Vermelha (2016)

Ficha Técnica: A Tartaruga Vermelha

Realização: Michaël Dudok de Wit e Pascale Ferran

Produção: Toshio Suzuki

Estúdios: Wild Bunch, Why Not Productions, Studio Ghibli

Nacionalidade e Lançamento: França, Bélgica, Japão, 2016

Sinopse: “A Tartaruga Vermelha” (La Tortue Rouge; The Red Turtle) retrata a vida de um homem que acaba por naufragar em uma ilha, ficando completamente solitário. Ao tentar escapar da ilha diversas vezes através de uma jangada, uma tartaruga vermelha sempre atrapalha a fuga, mas acaba sendo a melhor companhia daquele homem.

Atenção! Esse texto contém pequenos spoilers! Entretanto, o final é preservado, não havendo nenhum spoiler que o entregue.

Um dos representantes indicados ao Oscar de Melhor Animação deste ano (2017), “A Tartaruga Vermelha” aparenta ser mais um filme comum, mas surpreende com sua simplicidade incrível.

Um homem naufraga em uma ilha, e vive dias solitários. Utilizando troncos da ilha, ele consegue construir uma jangada para escapar; entretanto, algo na sua fuga dá errado, quando sua jangada é completamente destruída por um fenômeno desconhecido em alto mar. Sem desistir, o homem constrói outra jangada. Mas, novamente, algo bate em sua jangada e a destrói inteiramente. Essa cena é repetida algumas vezes, mostrando a frustração do homem, que não perde a esperança. Até o dia em que ele descobre que uma tartaruga vermelha é a grande responsável pelas suas tentativas falhas de fuga.

Quando a tartaruga encalha na praia, o homem demonstra todo o seu ódio e frustração, virando a tartaruga de barriga para cima, de modo que ela não consiga mais voltar para o mar. Essa é uma das cenas mais angustiantes de toda a animação, causando até mesmo certa comoção e indignação no espectador. Como o homem pode fazer uma coisa horrível com um animal indefeso? Em minha opinião, tal ato representa um teste dos limites do ser humano em toda a sua essência, quando o fracasso e a raiva tomam conta de seu emocional.

Agora chegamos ao ponto crucial do filme: depois de alguns dias, a tartaruga quase sem vida torna-se uma mulher. Sim, uma mulher! Primeiramente, você pode pensar que o homem está delirando, afinal, ele está completamente sozinho na ilha. Poderia ser uma alucinação. Mas depois, você começa a se perguntar que raios está acontecendo. Como se não bastasse isso, o homem passa a se relacionar com a mulher, e os dois criam um filho juntos, tornando-se os três únicos habitantes da ilha.

Embora meu texto contenha spoilers, não irei discutir o final do filme. Mas a transformação da tartaruga em mulher é um ponto ao qual podem ser atribuídas várias interpretações. Cada pessoa, ao assistir a animação, sentirá uma emoção diferente, e isso pode causar entendimentos distintos da essência do filme. No meu caso, eu enxergo a transformação da tartaruga em mulher como uma forma de acompanhar a vida solitária do homem naquela ilha, lhe dando uma família que possa lhe fazer feliz, mesmo longe da civilização.

A animação é extremamente simples, e desprovida de diálogos. No início achei estranho, mas a história flui muito bem, e acredito que se existissem diálogos o filme não seria tão tocante. Os sons da natureza são bastante explorados, e, combinados com o fator visual, atraem os espectadores e os conduzem para dentro da história. O silêncio é fundamental para transmitir a vivência e o relacionamento da família, focando nas emoções dos personagens.

Seguindo a típica linha de animações do Studio Ghibli, “A Tartaruga Vermelha” carrega uma mensagem de amor e companheirismo. Prepare-se para se surpreender e, quem sabe, se emocionar com essa belíssima arte.

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

  • Lucas Albuquerque

    Juliana, realmente o filme propõe várias interpretações e é quase uma poesia visual. Mas, mesmo tendo uma duração pequena, eu o considerei longo. Se fosse um curta, de uns 20 minutos, seria uma obra prima e eu concordaria com a tua nota.
    Dentre os indicados ao Oscar o meu favorito foi o Minha Vida de Abobrinha, já viu?

    • Juliana Raya

      Lucas, eu não tive essa impressão! Pelo contrário: o filme me prendeu tanto que eu nem vi a hora passar, hehehe.

      Não vi não! Fiquei curiosa, vou dar uma olhada!