Crítica: Viral (2016)

Crítica: Viral (2016)

Viral é genérico e não é eficaz dentro da proposta.

Ficha técnica:
Direção: Henry Joost, Ariel Schulman
Roteiro: Barbara Marshall, Christopher Landon
Elenco: Sofia Black-D’Elia, Analeigh Tipton, Travis Tope
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (22 de março no Brasil, diretamente na Netflix)
Sinopse: Emma (Sofia Black-D’Elia) e a irmã levam uma vida normal em um pequena cidade, ao menos até um vírus começar a se espalhar. Com a cidade em quarentena. Elas passam a viver de fast food e festas, mas, quando o vírus começa a atingir pessoas que elas conhecem, as duas se unem com o vizinho Evan (Travis Tope), porém pode ser tarde.

Chegou no catálogo da Netflix o longa Viral, lançado direto no serviço, sem passar pelos cinemas. Mesmo tendo o apelo de filme de zumbis realmente foi uma decisão acertada não levar o filme pra as telonas. Pouca coisa funciona. Por exemplo, a comparação com o coreano Invasão Zumbi, lançado final de 2016, é até covarde. A produção asiática dá um banho em todos os quesitos.

O zumbis aqui aparecem a partir de um parasita que infecta as pessoas e é transmitido via sangue – algo além de tosses no rosto do amiguinho não é explorado. A história se centra em duas irmãs, uma mais “certinha” e a outra mais “descolada”. A relação delas é posta em tela de forma básica e ambas acabam tendo interesses amorosos que estão lá para cumprir funções bem específicas. Se o Viral tivesse focado mais na questão fraternal, que no fim das contas acaba trazendo dilemas morais potencialmente interessantes, poderia ter melhor sucesso.

O pai delas é professor de biologia e tem uma aula bizarramente didática para explicar como se tira parasitas de um corpo – tal elemento, claro, será usado futuramente. Esse recurso narrativo foi colocado na história de maneira marcada. Basicamente foi como se o roteiro gritasse: “alunos e público, prestem atenção nisso que está sendo plantado agora, vamos precisar mais tarde”. Em outros filmes tal elemento é mais natural e necessário, aqui soa forçado só para construir a solução de um problema. Além disso, há uma questão com a mãe que também só serve para dificultar as coisas para os personagens… tal arco está mal desenvolvido e só toma tempo em tela.

A movimentação do exército para tentar conter a ameça é bem estranha. Toda a engrenagem é mal utilizada. Repare na regra de pintar as portas ou então nos detectores de vírus, sem falar na abordagem aérea. Novamente: se o filme focasse no suspense/drama da dupla principal, e nos desse menos informações desnecessárias, teríamos mais vínculo com as personagens.

Se bem que elas não ajudam… várias atitudes que no mínimo classificamos como “estúpidas” são vistas. A festa, o cárcere ou até os deslocamentos na casa/cidade. Fica difícil torcer para elas nessa situação. Diferente de Fragmentado, por exemplo, onde personagem da Anya Taylor-Joy é pró-ativa nesse sentido e pensa para agir. Aqui, por mais que as atrizes  Sofia Black-D’Elia e Analeigh Tipton tenham algum carisma e a atuação delas estejam ok, o roteiro (novamente ele) não ajuda.

Sem dar spoiler, mas o final parece que foi feito às pressas. Um arco se fechou, outro ficou em aberto. Até aí tudo certo, mas o jeito como foi posto em tela soou quase sem propósito. Não precisava daquela cena ou poderiam ter trabalhado de outra maneira. Enfim, Viral teria chances de ser um entretenimento televisivo mediano, mas mesmo quem vai com expectativas baixas terá que ter muito boa vontade com a história – ação/terror gore, típicos do gênero não compensam, em um dado momento eu me perguntei se Viral não queria ser um romance adolescente, um drama familiar ou uma gigantesca aula de biologia… em todos os casos, contudo, ele falha.

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