Crítica: O Último Capítulo (2016) – Original Netflix

Crítica: O Último Capítulo (2016) – Original Netflix

O Último Capítulo não premia quem consegue chegar no final.

Ficha técnica:
Direção e Roteiro: Osgood Perkins
Elenco:  Ruth Wilson, Paula Prentiss, Lucy Boynton
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (lançado mundialmente 28 de outubro de 2016 via Netflix).

Sinopse: Lily (Ruth Wilson) é uma jovem enfermeira que se torna responsável por cuidar de uma reclusa escritora de terror, que decide viver o último capítulo do seu livro em uma casa do século XIX, local que guarda seus próprios segredos assustadores. No entanto, o que parecia ser apenas mais um trabalho qualquer, começa a se tornar um verdadeiro pesadelo para Lily.

Perto do Halloween parece ser uma boa lançar um filme de terror. Foi pensando nisso que no dia 28 de outubro do ano passado a Netflix estreou, mundialmente, um longa do gênero. O Último Capítulo entra na lista dos originais do serviço de streaming, catálogo que passa dos 20 filmes atualmente.

Em parte daqueles filmes, percebe-se uma tentativa em fazer algo diferente. Seja na bizarra comédia Mascosts, simulando um documentário, seja no doloroso Beasts of no Nation. Contudo, nem sempre o diferente é eficaz. Infelizmente foi o caso aqui. A proposta contemplativa vai na contramão da maior parte dos filmes de terror do grande circuito. O que poderia ser um mérito, entrega uma narrativa morosa e vazia.

Tecnicamente O Último Capítulo é bem feito. A fotografia explora os ambientes ao, por exemplo, deixar os cômodos mais afastados no escuro, o que potencialmente poderia gerar uma sugestão de que algo sairia dali. Ou então em uma paleta de cores mais frias, condizentes com o tom mórbido da história. A cena do espelho traz um recurso batido de duplicar o rosto da personagem, porém aqui funciona. O grande destaque vai para a trilha. O som aqui é o grande responsável pela marcação do suspense/terror. Sem abusar de jumpscares, mas utilizando-os de forma inteligente, tal elemento é sem dúvidas o maior mérito do filme.

Mas não é só da parte técnica que um filme se sustenta. Sem uma história que prenda o público dificilmente uma obra vai ser bem sucedida. E neste ponto, o longa falha muito. Pouco acontece. A história da enfermeira que cuida de uma idosa escritora de livros de terror poderia render. A premissa de espíritos apegados à casa, idem. Contudo, o jeito como essa premissa é explorada deixa muito a desejar. Exige mais paciência do que entrega sustos ou terror psicológico. Desde o começo há uma narração pseudo-gótica, sussurrada e com um ar quase poético. Tal ferramenta perpassa todo o filme como que para preencher o vazio narrativo.

O Último Capítulo mostra que os responsáveis entendem de cinema. Não são amadores ou descuidados. A protagonista Ruth Wilson vai bem dentro das possibilidades, e o problema do filme definitivamente não é ela. Um desconforto em filmes do gênero é bem-vindo, mas aqui passa-se e muito do limite. A agonia não é por conta dos elementos em si, mas por uma equivocada falta deles.

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