Crítica: Um Homem Chamado Ove
Um Homem Chamado Ove

Crítica: Um Homem Chamado Ove

Um Homem Chamado Ove é um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

Ficha técnica:
Direção: Hannes Holm
Roteiro: Hannes Holm (baseado no livro de Fredrik Bakman)
Elenco: Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Tobias Almborg, Chatarina Larsson.
Nacionalidade e lançamento: Suécia, 2015 (17 de fevereiro de 2017 no Brasil)

Sinopse: O mal-humorado senhor de 59 anos Ove leva uma vida muito triste após se aposentar e ter se tornado viúvo. Ele tem uma rotina monótona, mas quando realmente desiste de viver e decide se juntar à esposa, a chegada de novos vizinhos cria situações inesperadas e um novo sentido para sua vida.

 

 

ATENÇÃO: Este texto contém SPOILERS e detalhes da trama

No começo de “Um Homem Chamado Ove”, você vai odiar o personagem-título. Ao fim dele, você vai amá-lo. É esse tipo de transformação e de trajetória que o filme do diretor sueco Hannes Holm cria.

Assim como toda boa comédia dramática, “Um Homem Chamado Ove” tem muito de sua graça no fato de ter um dos velhos mais ranzinzas dos últimos anos. E o que começa como uma comédia de situações acaba se tornando, de forma gradativa e sem nunca abandonar a graça, em um drama preocupado em aprofundar-se em toda a história de vida do protagonista, de quem nos tornamos íntimos a ponto de compreender – e respeitar – suas idiossincrasias.

Sabiamente, a câmera passeia com os personagens por todo o condomínio do qual o viúvo Ove já foi uma espécie de “síndico”, mas que ainda continua fazendo suas rondas diárias para checar se as regras estão sendo estritamente seguidas. Ainda que o filme tenha uma leve melancolia, ele lida com diversas cenas dramáticas de maneira bem-humorada, dando ares de fábula a alguns momentos de flashback e fazendo com que, após a segunda tentativa de suicídio de Ove, todas as seguintes sejam desacreditadas.

Conforme ele vai se envolvendo com os novos (e também velhos) vizinhos, mudando sua maneira de encarar a vida, o espectador vai compreendendo melhor toda sua história e o porquê de Ove agir daquela forma. E ao longo da trama, somos apresentados a uma infinidade de detalhes e nuances que formam não apenas uma realidade incrivelmente complexa, mas também um verdadeiro tratado sobre o que realmente importa na vida.

Entendemos o ódio que Ove sente pelos “camisas brancas” (ou engravatados) e sentimos a referência crítica do filme às grandes corporações (primeiro construtoras, depois farmacêuticas); e vemos gradativamente a história de Ove e sua esposa, Sonja – e a primeira cena em que ela aparece grávida é incrivelmente sutil e abre um novo leque para a sequência de flashbacks, bem como uma dúvida sobre o passado do protagonista. E não deixa de ser um comentário político do filme o fato de que Parvaneh, a vizinha extrovertida que impulsiona Ove, é uma imigrante de origem iraniana.

Assim, ao longo das quase duas horas de filme, vamos conhecendo gradativamente um velho ranzinza que, se no princípio parece ser egoísta, no fim acaba se provando apenas alguém que se doou a vida toda aos outros e não sabe lidar com a própria tristeza – e, não à toa, tem um problema de saúde por ter um coração tão grande, na metáfora mais óbvia do longa. E a atuação de Rolf Lassgard como Ove é tão intensa quanto é carinhosa a da atriz Bahar Pars como Parvaneh.

Mesmo com todas essas qualidades, é difícil entender por que o filme insere a subtrama de um jovem gay – e de origem iraniana também – que é expulso de casa pelo pai após se assumir, já que o personagem é esquecido e sua presença nunca mais é lembrada. Considerando que a função deste personagem é apenas reforçar o quanto Ove pode ajudar as pessoas – e impedi-lo de mais uma tentativa de se juntar à amada esposa – seria fácil abrir mão desta situação já no roteiro. E também é uma pena que os “vilões” sejam tão caricatos: é compreensível que representem um arquétipo, mas suas características são exageradas.

E mesmo com falhas e elementos técnicos apenas comuns, “Um Homem Chamado Ove” é uma comédia divertida, docemente dramática e que consegue emocionar sem nunca dar espaço ao melodrama.

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